Positive Ventures já tem R$ 75 milhões para investir em startups de impacto

Com previsão de chegar a R$ 150 milhões, o segundo fundo da Positive Ventures faz o first closing em apenas quatro meses e consegue levantar metade do valor previsto

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Os sócios da Positive Ventures: Bruna Constantino, Fábio Kestenbaum, Andrea Oliveira e Murilo Menezes

Em meio a um cenário turbulento para as startups e para o mercado de venture capital, o fundo de impacto Positive Ventures conseguiu concluir em apenas quatro meses a primeira etapa de captação de seu segundo fundo que pretende chegar a R$ 150 milhões.

O first closing aconteceu agora em junho e levantou R$ 75 milhões. O dinheiro foi captado com novos investidores e contou com o apoio de 70% da base dos investidores que apostaram no primeiro fundo – sendo que muitos deles aumentaram o valor dos cheques, segundo Andrea Oliveira, sócia da Positive Ventures.

Em seu primeiro fundo, a Positive Ventures atraiu investidores como Candido Bracher, ex-CEO do Itaú Unibanco e atualmente no conselho de administração da instituição financeira, e sua mulher, a ambientalista Teresa Bracher, além de Fabio Barbosa, ex-CEO do Santander e atual CEO da Natura. Entre os family offices, estavam a HS Investimentos, da família Seibel, da Dexco (ex-Duratex) e Leo Madeiras.

A expectativa é concluir a captação até o fim deste ano e a gestora, que tem também como sócios Bruna Constantino, Fábio Kestenbaum e Murilo Menezes, informa que já conseguiu commitments com diversos investidores que dão a certeza de que esta meta de R$ 150 milhões será cumprida. O segundo fundo da Positive Ventures foi antecipado com exclusividade pelo NeoFeed, em entrevista de Oliveira ao programa Café com Investidor, no começo de março.

A Positive Ventures estruturou também uma forma para que fundadores de startups possam entrar como investidores, aportando até um décimo do valor da cota tradicional. “Queremos que os fundadores, não só do nosso portfólio, tenham acesso a investimentos de impacto”, afirma Oliveira.

A Positive Ventures levantou R$ 55 milhões em seu primeiro fundo e construiu um portfólio de nove empresas em diversos países. “Somos o único fundo de impacto cross border, com investimentos no Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Estados Unidos”, afirma Kestenbaum.

Entre as investidas, estão o laboratório de análises clínicas de baixo custo Labi Exames, a startup que certifica logística reversa de embalagens pós-consumo EuReciclo, a fintech Provi e as edtechs americanas Slang e Letrus. De acordo com a gestora, o Moic (multiple on invested capital) está, até o momento, em três vezes.

Com a nova captação, o plano da Positive Ventures é investir em até 20 startups em rodadas pré-seed e seed, na maioria dos casos. Os cheques vão ficar entre US$ 300 mil e US$ 500 mil (pré-seed) e US$ 600 mil e US$ 1 milhão (seed). Cerca de 50% do novo fundo será reservado para follow ons. No primeiro, essa fatia era de 30%.

A tese seguirá a mesma: startups que causem impacto social e ambiental, no que a Positive Ventures chama de investimentos decisivos e tragam, claro, retorno financeiro. “A maioria dos venture capital procura unicórnios”, afirma Menezes, referindo-se as empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. “Nós buscamos negócios que possam impactar 1 bilhão de pessoas.”

Novo cenário

Com o aumento de juros no Brasil e no mundo, ficou mais difícil buscar recursos para classes de ativos com baixa liquidez e alto risco, como é o caso de venture capital.

Mesmo assim, diversos fundos estão com captações abertas em busca de recursos dos investidores no Brasil. Um deles é a Mindset Ventures, que investe em startups dos Estados Unidos e Israel, que busca US$ 100 milhões em seu quarto fundo.

A Oria Capital, de Jorge Steffens, vai também começar a captar US$ 100 milhões para o seu quarto fundo, assim como a Barn Investimentos, que busca US$ 100 milhões para fazer mais aportes em greentechs.

A Headline, de Romero Rodrigues, acaba de captar mais de R$ 900 milhões em uma operação em conjunto com a XP. E a Upload Ventures, nova gestora de Rodrigo Baer, fruto de um spin-off do braço de early stage do Softbank, pretende captar US$ 300 milhões.

No caso da Positive Ventures, a rapidez nessa captação, cujas primeiras conversas com potenciais investidores começaram em fevereiro deste ano, deve-se ao fato de focar em investimentos de impacto. “Nossos negócios são resilientes e não deixam de ser essenciais em uma crise”, justifica Oliveira.

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