Os melhores vinhos argentinos traduzidos em dez tintos e um branco

A malbec predomina nos melhores rótulos do país do tango, mas outras variedades, como cabernet franc e pinot noir, também brilham. Conheça os vinhos que têm representado a Argentina mundo afora

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O vinhedo Adrianna

Não poderia ser diferente: se a Argentina é a terra da malbecs, os principais (e mais bem pontuados) vinhos do país são elaborados com esta variedade tinta, que representa 22,4% do total dos mais de 212 mil hectares de suas vinhas cultivadas.

Porém, não é mais só a malbec que dá origem aos grandes vinhos do país do tango. A cabernet franc é uma variedade bordalesa que vem encantando os enólogos e, no sul do país, a pinot noir mostra a sua força. Nos brancos, é a chardonnay que se destaca, em terrenos de solo calcário.

Confira a relação com dez dos melhores tintos do país, a partir das notas conferidas pelos grandes críticos internacionais, e um branco, que não pode faltar nas melhores adegas.

Gran Enemigo Single Vineyard Gualtallary
O projeto de Alejandro Vigil, o principal enólogo da Bodega Catena Zapata, com Adrianna Catena, a filha de Nicolás Catena, nasceu em 2007. A dupla seleciona as parcelas de vinhas e elabora vinhos como este Single Vineyard, que vem de um vinhedo cultivado a 1.470 metros de altitude, em Gualtallary (uma das zonas mais badaladas para os grandes vinhos argentinos, Gualtallary tem o solo, a altitude e a luminosidade como alguns dos seus diferenciais). O tinto é um blend de cabernet franc, com 85%, e o restante de malbec. A safra de 2013 teve 100 pontos na The Wine Advocate. A safra de 2014 é vendida por R$ 812, na Mistral.

Per Se La Craie 2018
Este tinto, elaborado com malbec e cabernet franc, fermentados juntos, é um dos destaques do pequeno projeto pessoal da dupla de amigos David Bonomi (hoje principal enólogo da Norton) e Edy Del Popolo (da Susana Balbo Wines). A proposta é elaborar vinhos que revelem as características de cada vinha, cultivada também em Gualtallary. Com apenas 450 garrafas, a safra de 2016 teve 98 pontos da The Wine Advocate.

Zuccardi Piedra Infinita
Este tinto é o cartão postal do projeto ambicioso e surpreendente da família Zuccardi no Vale de Uco. O nome do vinho se refere à quantidade absurda de pedras que tinha no terreno, na implantação dos vinhedos e na construção da vinícola. Há um trabalho preciso em conhecer cada parcela do terreno e qual variedade melhor se adapta a ele. Na vinícola, moderna, e com um ótimo restaurante para quem aposta no enoturismo, não há tanques de inox, e esse 100% malbec fermenta em tanques de concreto, com leveduras nativas. A safra 2017 teve 99 pontos, em uma escala de 100, do crítico chileno Patrício Tapia, e 97 do inglês Tim Atkin. A safra de 2016 é vendida por R$ 2.436, na Grand Cru.

Adrianna Vineyard Mundus Bacilus Malbec
Este vinho é um dos destaques do vinhedo Adrianna, plantado em 1992, quando ainda não se sabia da importância da altitude (e da luminosidade) para os vinhedos argentinos. Fermentado, parte em tanques de cimento em formato de ovos e parte em foudres, é um malbec para envelhecer na adega. A safra 2016, vendida por R$ 2.948, na Mistral, teve 97 pontos da The Wine Advocate e 96 de James Suckling.

 

Cheval des Andes
Este vinho nasce da união entre o francês Château Cheval Blanc, premier grand cru classé de Saint Emilion, em Bordeaux, e o argentino Terrazas de los Andes. As linhas mestras vêm de Pierre Lurton, responsável não apenas pelo Cheval Blanc como pelo Château D’Yquem. O tinto é elaborado com malbec, cabernet sauvignon e pequenas porcentagens de petit verdot, em porcentagens que variam conforme a safra. O 2017 teve 100 pontos de James Suckling e 98 pontos do crítico Tim Atkin. O Cheval des Andes 2017 tem preço sugerido de R$ 895,00.

Matervini Piedras Viejas
Os enólogos Santiago Achával (um americano que viveu a infância na Argentina) e Roberto Cipresso (italiano) apostam em um vinhedo de difícil acesso, cultivado a 1.600 metros, em Las Heras, Mendoza para mostrar as facetas da malbec. Esta vinha é cultivada em uma encosta íngreme, na Cordilheira dos Andes, com solo de pedra calcária. De produção limitada, a primeira colheita, de 2014, só foi possível sete anos após o seu plantio. A safra de 2018 tem 98 pontos de James Suckling e 96 pontos de Tim Atkin. Os produtores procuram um importador para o mercado brasileiro.

Viña Cobos Malbec
O enólogo americano Paul Hobbs chegou à Argentina para trabalhar com Nicolás Catena, no início dos anos 1990 e, em 1999, partiu para o seu projeto próprio. Seus vinhos vêm de vinhedos no vale de Uco e em Luján de Cuyo, de cultivo sustentável. Este malbec premium passou por 18 meses em barricas francesas e tem, na safra de 2017, 100 pontos James Suckling. Este vinho não está no Brasil, mas a Grand Cru importa vários outros rótulos do produtor.

Gen del Alma Seminare Malbec
Tinto premium do projeto familiar do casal Andrea Mufatto e Gerardo Michelini. Gerardo é o mais velho dos irreverentes irmãos (e ótimos enólogos) Michelini. Com vinhedo em Gualtallary, este 100% malbec é elaborado em tanques de cimento em formato de ovo. A safra 2016 teve 99 pontos do Guia Descorchados e é vendido por R$ 1.290, na Total Vinhos.

 

Noemia Malbec
Este malbec vem de um vinhedo plantado em 1930 no vale do Rio Negro, na Patagônia argentina, e recuperado na virada do século pela condessa Noemi Cinzano e pelo enólogo Hans Vinding-Diers. A safra de 2012 é vendida por R$ 949, na Vinci, e o crítico Tim Atkin deu 97 pontos ao Noemia 2018.

Colomé Altura Máxima Malbec
Este vinho mostra que a malbec não se adapta apenas nos vales de Mendoza. A Colomé é um projeto ambicioso de Donald Hess (e com um belíssimo museu) em Salta, no norte do país. Este vinho vem de um vinhedo cultivado a quase 3,1 metros de altura do nível do mar, no limite da maturação das uvas, no Vale Calchaquí. É elaborado apenas com a malbec e passa 24 meses em barricas de carvalho. A safra de 2015 sai por R$ 1.660, na Decanter, e a de 2017 teve 97 pontos de Tim Atkin.

E o branco é o White Stones Chardonnay, vinho de Alejandro Vigil na Catena, que consegue extrair o melhor desta variedade branca em um vinhedo de altura. As uvas vêm de uma pequena parcela do vinhedo, de solos pedregosos (daí o seu nome) e o vinho fermenta em barricas de carvalho francês. A safra de 2017 é vendida por R$ 783, na Mistral, e teve 98 pontos de James Suckling, 97 da The Wine Advocate e 17, na escala de 20 pontos, de Jancis Robinson.

 

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