Negócios

O que pensa Milton Maluhy Filho, o novo CEO do Itaú Unibanco

Em seu primeiro compromisso oficial como CEO da operação, o executivo falou sobre questões estratégicas, como os planos de transformação no varejo e no digital, e também sobre o cenário macro, abordando temas como o plano de vacinação e a necessidade de dar velocidade à agenda de reformas

 

Milton Maluhy Filho, novo CEO do Itaú Unibanco

Depois de um período de três meses de transição, Milton Maluhy Filho assumiu, oficialmente, nesta terça-feira, o posto de CEO do Itaú Unibanco, substituindo a Candido Bracher, que está deixando o cargo por ter completado, em dezembro, 62 anos, a idade limite definida no estatuto do banco para essa posição.

“É um prazer enorme falar pela primeira vez como CEO ao lado do Candido, que conduziu o banco com muita sabedoria e maestria”, disse Maluhy Filho, em conversa com jornalistas, sua primeira “aparição” pública à frente do maior banco privado do País.

A passagem oficial de bastão também contou com as palavras de Bracher. “É uma satisfação passar o comando ao Milton”, disse. “Nesses três meses de transição, ele se mostrou tão preparado, dedicado e senhor dos assuntos do banco, o que me traz um grande otimismo do que virá pela frente.”

Além dos afagos de parte a parte, Maluhy Filho conduziu boa parte da conversa. E não se furtou a tecer comentários sobre diversos temas. Das questões mais pertinentes e dos planos para a operação do Itaú Unibanco a temas mais amplos, como as eleições no Congresso e o cenário macroeconômico.

O NeoFeed compilou alguns dos pensamentos do executivo. Acompanhe:

Nova estrutura
Nós aumentamos a estrutura do comitê executivo de 6 para 12 pessoas, dos quais 10 membros são novos. O principal objetivo é estar mais próximo das áreas de negócios e reduzir o nível hierárquico no banco. A ideia é ganhar cada vez mais velocidade e autonomia na ponta, e entender cada vez mais as necessidades de cada área e, principalmente, do cliente.

Reunião dos negócios de pagamentos em uma única unidade
A gente vem conduzindo bem várias iniciativas em pagamentos, mas, claramente, existem sinergias e oportunidades em não ter essa área dividida. Vemos grandes concorrentes vindo nesse segmento, o que é um fenômeno no mundo e essa é uma área que precisa passar por processo mais acelerado de digitalização, de proposta de valor e de modelo de negócios para que o banco seja tão competitivo como sempre foi. Temos ainda uma lição de casa para fazer.

Eficiência
A gente vem trabalhando muito forte em uma agenda de eficiência de custos e de receitas, produzindo resultados extraordinários já no ano passado, com uma queda nominal de 3% nas despesas, mas se considerar inflação, de 7%. Não tem bala de prata. É uma questão de mudança de cultura, de mais austeridade, de focar no que é relevante. Nesse sentido, fizemos PDV importante também, houve redução de quadro e estamos trabalhando em automação de processos, otimização de custos em geral. O objetivo é ser mais eficiente no custo de gestão do banco, mas, o mais importante, com isso abrimos espaço para investimentos. É uma grande mudança cultural para que aprofunde cada vez mais essa agenda.

No varejo
Nós fechamos número importantes de agências e não é só uma questão de custo, mas sim, porque os clientes têm demandado mais canais digitais e, em função disso, estamos ajustando a rede. Mas continuamos acreditando no canal físico. Nossa estratégia é phygital, pois nosso público é muito heterogêneo. Já em 2021 não prevemos fechar nenhuma agência, se tiver, será por uma razão pontual. Continuamos trabalhando forte no projeto de transformação do varejo.

Transformação digital
Seguimos em uma agenda intensa de transformação digital e é importante deixar claro, isso envolve não só mudanças de sistema legado. Estamos indo além. É uma mudança cultural, de modelo de trabalho, de formas de desenhar produtos e negócios. Uma mudança intensa que estamos provocando dentro do banco. Do ponto de vista de modos de trabalho, já avançamos bastante no ano passado, com algumas áreas de negócio trabalhando em metodologia ágil, de forma integrada. E continuamos trabalhando em frentes como a migração de aplicações para a nuvem, por meio de um contrato grande e recente com a Amazon Web Services (AWS). E investindo bastante no time de tecnologia. Só no ano passado, contratamos 3,7 mil pessoas na área.

PIX e Open Banking
Nossa receita de prestação de serviços e de resultados de seguros deve crescer entre 2,5% e 6,5% este ano. E o PIX vai ter impacto nessa frente. De fato, o banco abraçou essa causa. Acreditamos que realmente é um produto que traz diferenciais na experiência e na conveniência. Nosso trabalho aqui nos últimos meses foi organizar toda a infraestrutura, canais, experiência, produtos e oferta. Então, tem sido estratégia ofertar o PIX como a primeira opção para as transferências elegíveis nesse formato. Estamos confortáveis e satisfeitos com performance, seja em market share ou volume. Quanto ao Open Banking, ainda é difícil projetar, ainda é muito incipiente. Tem percalços normais de primeira abertura e todo mundo está super imbuído para fazer essa agenda funcionar. Acompanhamos muito mais o que aconteceu lá fora e não vimos grandes revoluções nos países onde ele está mais desenvolvido. É melhor esperar.

Vacina para a economia
Os últimos meses têm mostrado uma importante recuperação da economia brasileira, mas infelizmente, os efeitos colaterais da crise permanecem. Nossa expectativa sempre foi e seguem sendo dois temas para tratar no País. O ponto mais importante é o plano de vacinação. Estamos muito atentos a como isso irá evoluir, porque, além da crise sanitária, produz efeitos econômicos, não deixa de ser uma política econômica. Se o atraso no plano de vacinação for de seis meses, é bem possível que o crescimento do PIB de 4% que projetamos caia pela metade. Esperamos que no primeiro trimestre a economia apresente algum grau de desaceleração do crescimento, seja pelo aumento dos gastos ou pela retirada dos programas de auxílio, mas projetamos uma melhora nos trimestres seguintes. O crescimento do crédito privado deve contribuir para a expansão da economia e os juros devem subir lentamente, nossa expectativa é que já na próxima reunião do Copom, terminando ano em 3,5%.

Eleições no Congresso e agenda de reformas
Parabenizamos os vencedores, mas nossa expectativa é de que, a partir de agora, o País seja capaz de voltar a decidir sua agenda de crescimento. Há dois temas grandes na pauta: a reforma administrativa e a reforma tributária. Espero que, uma vez virada a página da eleição, seja realmente dada toda a atenção a essa agenda reformista. O foco do País nesse momento é, de fato, somar esforços para fazer com que essa agenda avance. Vemos nas taxas de juros de longo prazo algum prêmio de risco embutido, precisamos dar resposta na economia, pra que os mercados também possam reconhecer essa agenda. Eu diria que a questão da dívida é um problema estrutural. Viivemos uma pandemia sem precedentes, o governo fez o que tinha que ser feito, mas o País chegou a um nível de endividamento muito alto, muito próximo do teto, o que significa que, daqui para frente, qualquer revisão de programa de emergência precisa vir acompanhado de novidades na agenda da reforma.

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