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A startup brasileira que conquistou a Marinha do EUA quer seduzir novos investidores

A brasileira Rocket.Chat tem sua plataforma de comunicação usada em mais de 170 países e conta com 500 clientes ao redor do mundo. Depois de captar US$ 7,9 milhões em duas rodas de investimentos, ela agora busca um novo aporte. Saiba os motivos

 

Gabriel Engel, fundador e CEO da Rocket.Chat

Em 2016, o empreendedor Gabriel Engel estava em Nova York para uma reunião com a ADP, gigante do setor de processamento de dados, que vale atualmente US$ 56,8 bilhões.

O objetivo do encontro era acertar os detalhes para uma possível venda de sua startup, a Rocket.Chat, que usava códigos abertos para desenvolver um sistema de chat corporativo. Na época, Engel precisava de dinheiro para aprimorar o desenvolvimento de seu programa.

Mas, um dia antes da reunião, Engel recebeu uma ligação de Harry Weller, sócio da New Enterprise Associates (NEA), um dos principais fundos de venture capital do Vale do Silício e um dos principais investidores em open source do planeta.

Weller, que morreu repentinamente em novembro daquele ano aos 46 anos, queria se encontrar com Engels e investir na empresa. Os dois almoçaram juntos e, numa folha de caderno, rascunharam os termos do aporte de US$ 5 milhões que seria o primeiro cheque institucional da Rocket.Chat.

“Ele me convenceu que o mercado de mensagens iria explodir e que as empresas iam precisar de segurança e privacidade”, afirmou Engel, em entrevista ao NeoFeed. “E concordou em investir o quanto fosse necessário para nós finalizarmos o produto.”

Em 2019, a Rocket.Chat conseguiu um novo aporte de US$ 2,9 milhões, que contou com a participação das gestoras de venture capital brasileiras ONEVC, Monashees, DGF.

Agora, a companhia está saindo em busca de um novo cheque que pode ser superior a US$ 10 milhões em uma rodada série A. Mas, dessa vez, Engel chega à conversa com os investidores com credenciais de ter se tornado uma empresa global, com seu produto rodando em mais de 170 países. “É raro encontrar empresas que saem do Brasil e se tornam globais”, diz Pedro Sorrentino, cofundador do ONEVC.

Não bastasse isso, a Rocket.Chat, cuja sede é em Porto Alegre, tem o produto instalado em mais de 90 mil servidores ao redor do globo. A startup conta com uma versão gratuita do produto, que pode ser usado por qualquer pessoa ou empresa. O número de usuários pagantes, atualmente, é de 500 companhias.

Mas não são quaisquer empresas. O Credit Suisse, na Ásia, usa o sistema da Rocket.Chat. A Tepco, maior companhia de energia do Japão, também é um cliente. E até a Marinha dos Estados Unidos está entre as instituições que pagam pelo produto da startup brasileira.

“A Marinha conta com 5 mil usuários que usam para comunicação interna nos seus centros de comando”, afirma Engel. “O Credit Suisse, além da comunicação interna, integra o nosso produto ao WeChat e ao Apple Business, para se comunicar com seus clientes.”

No Brasil, o ecossistema de inovação aberta de startups Distrito, acabou de trocar o Slack pelo Rocket.Chat. “É uma das ferramentas mais completas e amigáveis para interação e comunicação dentro do time e entre diversos times”, afirma Gustavo Gierun, cofundador do Distrito.

Qual o pulo do gato do Rocket.Chat para conquistar clientes desse porte ao redor do mundo? Além de ser uma plataforma de comunicação capaz de criar canais, grupos, chats e conferências, o produto pode se conectar com diversas outras soluções do mercado, porque é um software de código aberto. “Ele é um sistema omnichannel, mas para as plataformas de comunicação”, diz Sorrentino, da ONEVC.

O Rocket.Chat pode criar canais, grupos, chats e conferências e ser integrado a outras plataformas

A lista de plataformas de comunicação que podem ser integradas ao Rocket.Chat é extensa. Ela vai do aplicativo de mensagens WhatsApp, do Facebook, passa pelo Slack, companhia que vale US$ 15 bilhões, e já chega até ao Teams, um produto da Microsoft. E inclui ainda o WeChat, da Tencent, o Skype, da Microsoft, ou o Apple Business, da Apple, entre muitos outros.

Para garantir essa flexibilidade, o Rocket.Chat é instalado na infraestrutura tecnológica da empresa. Com isso, ele fica mais seguro e garante mais privacidade. Mas, por outro lado, exige equipes especializadas de tecnologia para fazer a configuração.

A Rocket.Chat conta com uma versão do produto em SaaS (software as a service). Mas ela representa apenas 20% de sua receita. A maioria dos contratos são para grandes empresas e exigem algum nível de personalização e integração. Nos dois casos, o pagamento é por usuários por mês.

Agora, com a busca do novo aporte, a Rocket.Chat quer se preparar para uma nova fase. O primeiro investimento do fundo americano NEA ajudou a startup a desenvolver o produto.

Na segunda rodada, o dinheiro dos fundos brasileiros foi usado na criação dos canais através de uma rede de parceiros de vendas, distribuição e integração ao redor do mundo que ajudam a companhia na venda e no pós-venda.

São dezenas deles, espalhados por várias partes do globo, desde os Estados Unidos até a Europa e a Ásia. O dinheiro do novo aporte, quando chegar ao caixa da startup, será usado para a empresa escalar. “O foguete decolou”, afirma Engel. “Agora, é a hora do crescimento da receita.”

Foi uma longa jornada até agora. Engel se envolveu com software abertos quando era estudante de administração nos anos 1990. Na época, ele criou um processador de texto parecido com o Word que funcionava no browser.

“Foi a primeira relação com o open source e fiquei impressionado com a capacidade dos projetos de código aberto de se espalharem organicamente”, afirma Engel. Esse projeto deu origem a Intelimen, que ele passou a comandar de Londres, para onde se mudou nos anos 2000.

Depois de vender a empresa, ele foi trabalhar na operadora de telefonia Vodafone, na Inglaterra, e se envolveu com projetos globais – os seus clientes eram as 500 maiores empresa do mundo, que estavam começando projetos de mobilidade.

Mas, com vontade de empreender, ele deixou a Vodafone, voltou para o Brasil e criou uma empresa de software para atendimento ao consumidor (CRM). Um dos clientes, uma grande imobiliária com mais de mil funcionários, pediu uma adaptação ao sistema.

“Ela queria uma ferramenta de comunicação”, relembra Engel. “E resolvemos fazer, mas de forma que o sistema não fosse um silo, mas sim que se comunicasse com os maiores chats do mercado.”

Mais uma vez, Engel usou o código aberto. E, de forma surpreendente, mais de 30 mil desenvolvedores baixaram o programa e começaram a desenvolver. Ele percebeu, então, que tinha um negócio muito maior nas mãos.

Foi assim que, em 2015, surgiu a Rocket.Chat. Desde então, o foguete foi subindo aos poucos. Agora, quer ir um pouco mais alto.

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