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Do Rappi à Pipefy: conheça a estratégia da ONEVC, o fundo brasileiro do Vale do Silício

Em entrevista ao Café com Investidor, Bruno Yoshimura, cofundador da ONEVC, explica as vantagens de ser um fundo cross border e de como ele investe os US$ 38 milhões captados pela gestora

 


Em 2017, Bruno Yoshimura resolveu ir para o Vale do Silício fazer um MBA na Universidade de Stanford. O que era para ser um curso executivo foi muito mais do que isso e misturou aulas à captação de recursos e investimentos em startups.

Ao lado de cinco sócios, Yoshimura fundou, em 2017, a ONEVC, uma gestora de venture capital brasileira no Vale do Silício, ou, como ele prefere, um fundo cross border que investe tanto em startups no Brasil, como nos Estados Unidos.

“Foi um caos, mas muito gostoso”, disse Yoshimura ao CAFÉ COM INVESTIDOR, programa que entrevista os principais gestores de fundos de venture capital do Brasil.

Antes da ONEVC ser fundada formalmente, os sócios da gestora fizeram um protótipo para testar sua tese ao criar um SPV (special purpose vehicle) para investir no Rappi.

Em 2017, a startup colombiana queria vir para o Brasil e eles ajudaram a companhia, que tinha investimentos de fundos como o DST e Sequoia Capital, a abrir a operação brasileira. Na sequência, foi a vez de fazer o movimento inverso e ajudar a startup brasileira Pipefy a ir para os Estados Unidos.

Os dois investimentos foram o embrião da ONEVC, que captou US$ 30 milhões para investir em startups no estágio seed entre 2017 e 2018. Outros US$ 8 milhões foram levantados em SPVs para serem investidos em oportunidades especiais.

A ideia de investir tanto nos Estados Unidos, como no Brasil, tem a ver com a origem dos sócios. Dois deles vivem nos Estados Unidos e conhecem há tempos o estilo de investir do Vale do Silício.

São eles Pedro Sorrentino, que já foi associado do FundersClub, e Rafael Costa, que também atua na Vulcan Capital, fundo do cofundador da Microsoft, Paul Allen (1953-2018).

No Brasil, o escritório local atualmente é comandado por Yoshimura e Arthur Brennand, que teve passagens pelo Berkana Wealth Management e Iron House Real Estate.

A lista de sócios é completada Eduardo Campos, que investiu como anjo na Gympass, QuintoAndar e Creditas e é o fundador da Yuca, um startup do portfólio da ONEVC, e Alexandre Noschese, ex-Votorantim, baseado na Europa.

Atualmente, a ONEVC conta com um portfólio de 16 startups. São empresas como Docket, IDWall, Kovi, Pipo Saúde, Yuca e Swap. Esta última é o investimento mais recente, anunciado na semana passada, e que ilustra as vantagens de ter um pé no Vale do Silício e outro no Brasil.

“Damos acesso a capital e ao que está acontecendo no Vale”, afirma Yoshimura. “Como empreendedor vi como é difícil entender a cultura do Vale do Silício sendo um brasileiro.”

No caso da Swap, uma fintech que ajuda na criação de carteiras digitais e bancos digitais, a ONEVC trouxe quatro fundos de venture capital do Vale do Silício para investir na startup brasileira.

Foram a Global Founders, Flourish Ventures, Soma Capital e Hustle Fund. Isso somado aos brasileiros Canary e a ABseed, que também participaram da rodada.

A tese da ONEVC, no entanto, não é muito diferente da maioria dos fundos de venture capital. A gestora busca time e fundadores “inevitáveis”, tamanho do mercado e produto.

Durante a pandemia, boa parte do portfólio não sofreu o impacto da Covid-19, sendo que alguns negócios se beneficiaram, como o caso da IDWall, que faz verificação de identidade. A Kovi, que aluga carros para motoristas de Uber e 99, é a que mais está sentindo os efeitos do coronavírus.

Nesta entrevista ao CAFÉ COM INVESTIDOR, Yoshimura fala também de sua trajetória empreendedora. Ele começou a desenvolver sites com 12 anos. Nos anos 2000, se tornou parceiro do Mercado Livre e aprendeu como era fazer SEO e testes AB – ele admite que hoje isso é uma commodity, mas naquela época era coisa de outro mundo.

Depois, Yoshimura foi um dos fundadores do Kekanto, um aplicativo de geolocalização para restaurantes, e passou por todas as fases de altos e baixos do empreendedorismo.

Tentou de tudo para fazer o negócio dar certo até que ao “pivotar” a empresa para o desenvolvimento de aplicativos de delivery “white label”, o negócio começou a dar certo. Em 2019, a Kekanto e a Delivery Direto foram vendidas para a Locaweb.

Yoshimura, nessa época, já havia embarcado em outro negócio. Ele já estava do outro lado do balcão investindo em startups.

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