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Xerpa, a fintech que é uma outsider na batalha do crédito consignado

A Xerpa criou um modelo de antecipação de salário e do décimo terceiro que concorre com empresas da área de crédito consignado. A startup já conta com uma base potencial de 40 mil funcionários de empresas como Ri Happy, CargoX e Rappi

 

Nicholas Reise, cofundador e CEO da Xerpa

Fintechs versus grandes bancos. Assim como em diversas modalidades do sistema financeiro, essa disputa tem alimentado embates crescentes também no segmento de empréstimos consignados privados no Brasil.

Nesse campo de batalha, a Xerpa é uma outsider. Fundada em 2015, a startup nasceu com a gestão de documentos dos departamentos de recursos humanos na nuvem e decidiu entrar nesse outro front há um ano. Mas com um arsenal alternativo ao consignado.

A companhia investe no conceito de salário sob demanda. Para antecipar parte dos vencimentos aos funcionários de empresas clientes, a novata cobra uma taxa fixa, em média, de R$ 5 sobre cada transação efetuada, levando-se em conta o tíquete médio atual das operações de R$ 350. Em geral, a cada mês, o valor a ser adiantado está limitado a 50% do salário líquido do profissional e não inclui a cobrança de juros.

Enquanto o consignado privado é um empréstimo que tem suas parcelas garantidas pelo salário, o modelo da Xerpa se baseia na antecipação de um percentual desses vencimentos. A proposta se assemelha com os descontos de recebíveis de uma empresa, só que para pessoa física.

“Nosso modelo funciona como um saque no caixa eletrônico, mas a partir do salário”, diz o americano Nicholas Reise, CEO e cofundador da Xerpa. “E nossa receita vem dessa taxa, que funciona como uma tarifa de conveniência.”

Esse portfólio ganhou outra modalidade em junho, quando a startup lançou a possibilidade de os funcionários anteciparem também o 13⁰ salário. O produto segue os moldes da oferta inicial. A diferença está na taxa cobrada, que varia de acordo com montante a ser financiado e o prazo de antecipação. O valor disponível, bem como a tarifa, pode ser consultado por meio do aplicativo. “Em média, ela fica em torno de 2% ao mês”, afirma Reise.

De julho para agosto, o volume de saques cresceu 94%. Já o número de funcionários com pelo menos uma transação realizada avançou 144%. No acumulado de janeiro a agosto, o número de saques pelo aplicativo evoluiu 517%. “Em média, 30% dos funcionários de cada empresa usam o produto todos os meses.”

Hoje, a Xerpa tem uma base potencial de mais de 40 mil funcionários, a partir de uma carteira que inclui empresas como Ri Happy, Valid, CargoX e Rappi

Hoje, a Xerpa tem uma base potencial de mais de 40 mil funcionários, a partir de uma carteira de mais de 30 empresas clientes, que inclui nomes como Ri Happy, Valid, CargoX e Rappi. Os saques podem ser feitos por qualquer profissional das companhias incluídas nessa carteira, mesmo aqueles negativados.

Trajetória

Reise desembarcou no Brasil em 2008, quando trabalhava no Citibank, estruturando produtos de dívida. Um ano depois, resolveu deixar o banco, na esteira da crise econômica da época. Ambientado por aqui e de olho no ecossistema de startups que começava a se formar, ficar no País virou uma obsessão para o americano.

Entre idas e vindas, o que incluiu um MBA na Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, ele retornou de vez ao Brasil em 2011. E depois de tanto insistir em conseguir uma vaga em fundo ou em uma startup, em 2012, tornou-se o primeiro funcionário não-sócio da Redpoint eventures.

Em uma passagem de três anos e meio, ficou responsável pelo funil de investimentos do fundo. No período, analisou mais de “três mil planos de negócios” e, a partir do contato com as startups investidas e também das conversas com outros atores desse ecossistema, decidiu formatar a Xerpa.

A empresa nasceu com aportes da própria Redpoint, da Kaszek Ventures e de David Vélez, do Nubank. De lá para cá, atraiu outros fundos, como Vostok Emerging Finance e o QED Investors. Esse último foi um dos que ajudaram a startup na decisão de explorar outros espaços nos departamentos de RH.

O QED tem entre suas investidas startups que também apostam no conceito de salário sob demanda, como a britânica Wagestream e a mexicana Minu, dupla de novatas que também recebeu aportes dos bilionários Jeff Bezos e Bill Gates.

No caso da Xerpa, o volume total captado foi de US$ 18,4 milhões, em cinco rodadas. É com esse montante que a startup está financiando os saques realizados dentro dessa oferta mais recente no seu portfólio.

Desde 2015, a Xerpa atraiu  um total de US$ 18,4 milhões, em cinco rodadas, junto a fundos como Redpoint eventures, Kaszek Ventures, Vostok e QED Investors

Nessa seara, a startup também está encontrando rivais capitalizadas. A principal delas é a Creditas, fintech que já levantou R$ 1,2 bilhão em sete rodadas. E que, desde a aquisição da Creditoo, em 2019, passou a investir na área, primeiro, com empréstimos consignados privados.

Em julho, a Creditas ampliou esse leque com a modalidade de antecipação salarial, informação adiantada pelo NeoFeed em julho deste ano. Agora, a empresa está investindo em um pacote mais amplo, que inclui um cartão de benefícios controlado pelo seu aplicativo, com recursos relacionados a alimentação, refeição e cultura.

“Há um potencial enorme a ser explorado por fintechs e startups de RH”, diz Marcelo Souza, CEO da Soulan, consultoria de RH. “Com tecnologia e um modelo mais enxuto, elas conseguem ter ofertas mais agressivas para desafiar as taxas altas dos bancos, que ainda dominam esse mercado.”

Apesar da perspectiva de competição cada vez mais acirrada, Reise não se arrepende da escolha por empreender no País. “Nos Estados Unidos, eu seria mais um entre 15 empresas fazendo a mesma coisa”, diz. “Aqui, tenho condições de realmente ser disruptivo e fazer a diferença.”

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