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A Lojas Renner está ligada no 220 volts (e bota pilha em novo marketplace)

A rede varejista faz acordo com a Enel para abastecer 170 lojas e um novo centro de distribuição com energia eólica, começa a testar um marketplace da marca Renner e se prepara para aquisições, após o follow on de quase R$ 4 bilhões em maio

 

Fabio Faccio, presidente da Lojas Renner

Em um movimento para cumprir metas de sustentabilidade assumidas para o fim de 2021, a Lojas Renner está assinando um contrato com a Enel para comprar energia eólica para abastecer 170 lojas e um novo centro de distribuição que está em construção em Cabreúva (SP).

Com o acordo, 80% do consumo corporativo da Lojas Renner, que inclui prédios administrativos, centros de distribuição e lojas, passarão a ser atendidos por fontes renováveis, como energia eólica, solar e de pequenas centrais hidrelétrica. A meta era chegar ao fim deste ano com 75%.

“A intenção sempre foi ter uma fonte energia que fosse renovável, mas com o acordo vamos ter também uma economia de 40% na conta de energia”, afirma Fabio Faccio, presidente da Lojas Renner. Ao longo de 15 anos, a economia estimada é de mais R$ 500 milhões.

Considerando só as lojas, 40% de todo o consumo da marca Renner no Brasil será suprido com o volume de energia previsto no contrato com a Enel. Atualmente, o grupo Renner conta com 634 lojas, sendo 403 da marca Renner – as demais são da Camicado (casa e decoração), Youcom (moda jovem) e Ashua Curve & Plus Size (roupas nos tamanhos 46 a 54).

Além da meta de energia, a Lojas Renner planejou ter também 100% de sua cadeia nacional e internacional de fornecedores com certificação socioambiental até o fim de 2021. Outro objetivo é reduzir em 20% as emissões de CO2 em relação aos níveis de 2017 – a rede varejista diz já que neutraliza suas emissões. “A nossa expectativa é reduzir as emissões em 36% até o fim deste ano”, diz Faccio.

A energia para suprir as necessidades previstas no contrato com a Lojas Renner será produzida no complexo eólico Fontes dos Ventos II, que está em construção no município de Tacaratu (PE), na bacia do rio São Francisco. “A Lojas Renner é o primeiro parceiro em que desenvolvemos esse tipo de contrato”, diz Nicola Cotugno, country manager da Enel no Brasil. O contrato com a rede varejista será de 15 anos.

A Enel está investindo cerca de R$ 5,6 bilhões em cinco novos empreendimentos (quatro eólicos e um solar) que somam 1,3 GW de capacidade instalada. Além dos projetos em construção, a Enel já possui no País uma capacidade instalada renovável em operação de mais de 3,7 GW (1.498 MW eólicos, 979 MW solares e 1.269 MW hidrelétricos).

Lojas Renner: 80% do consumo corporativo passarão a ser atendidos por fontes renováveis

Marketplace e aquisições

Depois de captar quase R$ 4 bilhões em um follow on, em maio deste ano, em que levantou rumores de que se preparava para uma grande aquisição, Faccio diz a companhia usará os recursos para avançar na sua digitalização.

Isso não quer dizer que a varejista não será ativa em M&A. Sobre aquisições, Faccio diz que a companhia deve iniciar em breve um movimento. Mas avisa: “Vamos começar a ter algumas aquisições, mas não grandes, para acelerar algumas iniciativas.”

De acordo com ele, a Lojas Renner trabalha em iniciativas ligadas ao aumento de sortimento de produtos e serviços. “Principalmente na plataforma tecnológica, de logística, de conteúdo e de loyalty”, afirma Faccio.

O executivo também confirmou que trabalha com um teste de um marketplace para a marca Renner, mas diz que a iniciativa ainda é recente e não quis fornecer mais detalhes.

Atualmente, a Camicado conta com um marketplace que reúne 100 fornecedores, que representaram 15% das vendas digitais da marca, segundo informou a companhia na divulgação de seu resultado do primeiro trimestre de 2021.

Os marketplaces são uma tendência em todos os setores, inclusive na área de moda. Em maio deste ano, a rival Riachuelo iniciou as operações de seu marketplace. A C&A também atua com vendedores terceiros em sua plataforma digital.

Essa estratégia deve ajudar a Lojas Renner a aumentar suas vendas online. Nos três primeiros meses deste ano, o desempenho dos canais digitais seguiu em patamares elevados, quando as vendas cresceram 173,4% e representaram 17,5% do total de uma receita líquida de R$ 1,3 bilhão.

Faccio também se mostrou otimista com o desempenho do segundo semestre, à medida que a vacinação vai se ampliando. A Lojas Renner está com todas as suas lojas abertas, mas algumas delas ainda mantêm restrições de horários de funcionamento.

“Os meses recentes vêm mostrando o aumento de consumo a níveis de antes pandemia”, diz o presidente da Lojas Renner. “Estamos com uma expectativa positiva no segundo semestre.”

Em relatório, o Itaú BBA destaca que a Lojas Renner é a companhia do setor melhor posicionada para capturar os benefícios do varejo digital, além de possuir um balanço financeiro robusto. Na B3, a Lojas Renner vale R$ 35,6 bilhões. As ações sobem 3,7% em 2021 cotadas a R$ 44,89 na segunda-feira, 12 de julho.

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