A sete dias do IPO, David Velez destaca a ambição global do Nubank

Em encontro com investidores, o fundador da fintech afirmou que o plano é ir além da América Latina. Em relatório sobre o evento, o BTG Pactual fala ainda da visão da empresa na área de crédito

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O início das negociações das ações do Nubank está marcado para 9 de dezembro

A uma semana da sua abertura de capital na Bolsa de Nova York, um processo que também envolverá a emissão de uma BDR no Brasil e no qual busca captar US$ 2,8 bilhões, o Nubank realizou um webinar com um grupo de investidores na quarta-feira, 1º de dezembro.

O encontro, que contou com a presença de David Velez, fundador e CEO, Cristina Junqueira, CEO da fintech no Brasil, e de Guilherme Lago, CFO, foi tema de um relatório divulgado nesta quinta-feira pelo BTG Pactual.

Entre outras questões, os analistas do BTG destacaram o fato de que as lideranças do Nubank ressaltaram que a ambição da empresa é ser a melhor fintech do mundo, o que deixa claro que as aspirações da companhia vão muito além da América Latina.

“Foi interessante ver o fundador afirmar que a expansão além da América Latina é algo real. Embora 98% da receita venha atualmente do Brasil, a moeda funcional do Nubank é o dólar, o que pode ser outra indicação de como eles estão pensando o futuro”, escreveram os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Thiago Paura.

Hoje, além do Brasil, o Nubank atua no México, desde 2020, e anunciou recentemente seu desembarque na Colômbia. Embora ainda não tenha lançado nenhum produto no país, os executivos revelaram que a lista de espera por lá é maior do que nos demais mercados nos quais opera.

Outro aspecto ressaltado foi o plano da fintech de ampliar sua participação no pool de lucros bancários da América Latina, com uma forte sinalização de que o crédito – que responde por 70% dos ganhos do setor na região – seguirá como uma importante fonte de monetização da operação.

“É nosso entendimento que o Nubank começa com limites de crédito muito baixos quando opera com novos clientes, especialmente se eles forem muito jovens ou de baixa renda”, observam os analistas. “Dado os limites muito baixos e o fato de que o Nubank é, provavelmente, a única ou a melhor opção para muitos, isso pode evitar a criação de uma ‘seleção adversa’ de cliente/risco.”

Os analistas acrescentam que, ao “testar” novos clientes e acumular informações adicionais em sua base, a empresa tem a possibilidade de lançar linhas adicionais de empréstimo, o que abre caminho para a oferta de taxas ainda mais baixas.

“Assim como o PagSeguro foi capaz de interromper a cauda longa e criar um oceano azul no segmento de pagamentos, o Nubank pode estar em uma posição de fazer o mesmo no setor bancário”, afirmam.

Os custos mais baixos da operação, na comparação com os players tradicionais do setor, o que inclui o valor direcionado à aquisição de clientes, e os produtos mais “amigáveis” do ponto de vista de experiência também foram apontados pelas lideranças da fintech como vantagens da operação.

“Como o Nubank pode alcançar uma base de clientes muito maior, incluindo indivíduos de baixa renda e muitos mais países, a receita potencial ainda pode ser muito grande. Se adicionarmos isso a um banco muito mais eficiente do ponto de vista de custos, então, a empresa pode se tornar muito lucrativa no futuro”, pontuaram os analistas.

Em contrapartida, eles acrescentam que um desafio será entender se esse modelo funcionará à medida que o Nubank adicione mais produtos a esse portfólio e chegue a outros países, o que, naturalmente, trará mais complexidade à gestão desse modelo.

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