Nubank pode captar R$ 16,8 bilhões em IPO e quer clientes como sócios

Companhia, que fará IPO nos EUA e no Brasil, pode estrear valendo US$ 50,6 bilhões. A fintech destinará aos clientes entre R$ 180 milhões e R$ 225 milhões para a compra de BDRs

0
675
Leia em 4 min

O tão esperado IPO do Nubank agora tem data marcada. Em anúncio feito nesta segunda-feira, 1º de novembro, a empresa informou que a precificação da oferta global será feita no dia 8 de dezembro, com início das negociações das ações no dia 9.

A expectativa da companhia é captar R$ 16,8 bilhões. Para as ações ordinárias, negociadas na Bolsa de Nova York, estima-se que os preços estarão entre US$ 10 e US$ 11. Para as BDRs, que serão emitidas pela B3, a faixa estimada é de R$ 9,35 a R$ 10,29.

Considerando o preço máximo, de US$ 11 por ação, o Nubank pode chegar a ter um valor de mercado de US$ 50,6 bilhões, se tornando a instituições financeira mais valiosa do Brasil. O Itaú Unibanco, por exemplo, tem valor de mercado de US$ 39,8 bilhões. O Bradesco, US$ 33,9 bilhões.

No Brasil, a oferta será coordenada por NuInvest, ao lado de HSBC, Safra e UBS-BB. Lá fora, a coordenação ficará com Morgan Stanley, Goldman Sachs e Citi.

Junto com o registro do IPO, o Nubank informou também que criou um programa para que os clientes brasileiros da instituição também possam se tornar sócios da companhia, o NuSócios, por meio das BDRs.

A fintech destinará aos clientes entre R$ 180 milhões e R$ 225 milhões em BDRs, sem custo a eles. Os interessados poderão se inscrever a partir do dia 9 de novembro de 2021 por meio do aplicativo. As ações só poderão ser negociadas 12 meses depois do IPO.

Na semana passada, o Nubank já havia confirmado que faria uma dupla listagem, nos EUA e no Brasil. As BDRs (Brazilian Depositary Receipt) são papéis que representam empresas negociadas no exterior.

Com elas, os investidores brasileiros poderão investir no Nubank sem precisar abrir uma conta em uma corretora estrangeira. A empresa, portanto, segue o exemplo do PagSeguro, que abriu capital em Nova York em 2018 e, neste ano, passou a também ser listada na B3, por meio do certificado.

O mais comum, porém, é que empresas estrangeiras recorram às BDRs para ter acesso aos investidores brasileiros. Big techs como Google e Amazon também são negociadas no Brasil por meio do instrumento.

As BDRs passaram a ser mais populares depois de outubro do ano passado. Até então, apenas investidores qualificados, com pelo menos R$ 1 milhão em aplicações, poderiam investir nos certificados de empresas listadas lá fora. Desde então, investidores do varejo também podem recorrer a elas.

No prospecto publicado nesta segunda, o Nubank também detalhou resultados de faturamento. Na operação do Brasil, a empresa teve receita de R$ 4,51 bilhões no acumulado de janeiro a setembro, ou 98% do total, de R$ 4,59 bilhões.

No México, onde a companhia atua desde 2020, somente com o cartão de crédito, o faturamento foi de R$ 69,4 milhões nos nove primeiros meses de 2021. Na Colômbia, país natal do CEO global da companhia e um dos fundadores, David Vélez, a empresa alcançou R$ 917 mil em receitas. O mercado colombiano foi o mais recente desembarque do Nubank, em setembro de 2020, também com o cartão de crédito.

A companhia também tem um escritório na Argentina, mas ainda não lançou nenhum produto. A empresa aguarda uma melhora da conjuntura macroeconômica do país vizinho para começar a explorar o mercado local.

O prospecto também mostrou que a base de clientes do Nubank também está mais ativa. Em setembro, a proporção de usuários ativos diários era de 47,9% em relação aos ativos mensais. Em março, essa conta era de 35,2%. Hoje, são 48,1 milhões clientes no total.

O aumento do engajamento, a partir de uma base de usuários mais maduros, foi peça importante para o Nubank sair do prejuízo e passar a dar lucro, no primeiro semestre deste ano. No período, a instituição teve ganho líquido de R$ 76 milhões. Na primeira metade do ano passado, havia tido prejuízo de R$ 95 milhões.

O documento publicado nesta segunda revelou ainda qual foi o montante pago pelo Nubank para comprar a Easynvest, plataforma de investimentos que foi rebatizada para Nu Invest, em anúncio feito em setembro do ano passado.

A companhia desembolsou US$ 451,5 milhões, ou R$ 2,3 bilhões, para comprar a corretora. À época, a empresa manteve o valor em segrego. Em junho, o Nubank havia captado US$ 300 milhões em uma rodada de investimentos.

Leia também

Brand Stories