Negócios

Adventures faz terceira aquisição e busca R$ 200 milhões para comprar marcas digitais

O grupo de comunicação e marketing compra a produtora Homem de Lata. Empresa negocia ainda aporte de R$ 200 milhões para investir em tecnologia e em DNVBs (digital native vertical brands), com o apoio de celebridades. O fundador Rapha Avellar conta a estratégia com exclusividade ao NeoFeed

 

Os fundadores da Adventures: Ricardo Dias (à esq.) e Rapha Avellar

O grupo de comunicação e marketing Adventures está fazendo a sua terceira aquisição desde que foi fundada, em dezembro de 2020, por Rapha Avellar, da Avellar Media, e por Ricardo Dias, que era responsável pelo marketing da Ambev, dona das cervejas Skol, Brahma e Antarctica.

A empresa está comprando a Homem de Lata, produtora de Alê Braga, que já atendeu grandes marcas como Azul, Globo, GNT, Petrobras, Coca-Cola, Danone, Nissin, SBT, entre outras. Com o negócio, cujo valor não foi divulgado, Braga passa a ser sócio da Adventures.

“A aquisição vai reforçar o braço de Studios da Adventures, que produz desde vídeos de 15 segundos para o TikTok até séries documentais”, diz Avellar, com exclusividade ao NeoFeed. “Se tem uma coisa importante no mundo hoje é a atenção das pessoas. E a melhor maneira de capturar a atenção é com conteúdo relevante.”

Com a Homem de Lata, Avellar diz que a Adventures ganha uma produtora capaz de produzir vídeos com qualidade, mas também com velocidade, uma necessidade do mercado. “Qualidade, velocidade e volume hoje são fundamentais”, afirma Avellar.

A Adventures comprou em fevereiro a Go4it Agency, agência de marketing esportivo, que representa o jogador de futebol do PSG Thiago Silva, o bicampeão mundial de surf Gabriel Medina e a skatista Letícia Bufoni. Ela fazia parte do portfólio da holding de investimentos Go4it Capital da dupla Marc Lemann e Cesar Villares. Felipe Stanford, um dos sócios da agência, será agora “managing director” da área de talentos da Adventures.

Em dezembro do ano passado, a Adventures adquiriu a consultoria Fellipa Consulting, de André Fellipa, ex-presidente para a América Latina da Mondelez, dono de marcas como Bis, Laka, Halls, Oreo, entre tantas outras. Ele também se tornou sócio da Adventures.

Em todos os negócios, os empreendedores das empresas adquiridas se tornam sócios da Adventures, em um modelo de partnership comum no mundo financeiro, mas não usual no mercado de publicidade. “Sempre vamos atrás dos empreendedores”, diz Avellar.

As três aquisições complementam o braço de publicidade da Adventures, que já trabalha com clientes como TikTok, Tinder, Stone, John Deere, Lojas Americanas, Domino’s, Disney e Cisco. Atualmente, a agência conta com 300 funcionários e a estimativa é chegar a 600 empregados no fim deste ano.

A área de ventures, que é tocada por Dias, vai funcionar como uma venture builder, construindo e comprando DNVBs (digital native vertical brands), empresas que nascem na internet e controlam toda a experiência com o consumidor, inclusive a venda, que é feita de forma direta, sem intermediários.

Avellar diz que a Adventures está negociando um aporte de R$ 200 milhões, para o segundo semestre de 2021, cujos recursos vão ser usados em tecnologia e para ajudar no desenvolvimento da estratégia de DNVBs – a ideia é tanto criar do zero como comprar marcas nativas digitais.

As DNVBs são uma grande tendência do setor de consumo. No Brasil, diversas startups já atuam com esse modelo, como são os casos de Sallve (cosméticos), Dr. Jones (aparelhos de barbear), Live Up (alimentos saudáveis) e Amaro (comércio eletrônico de moda).

No caso da Adventures, a agência vai acrescentar o ingrediente das celebridades às marcas digitais – e a aquisição da Go4it Agency será fundamental nessa estratégia. “Esse público não quer mais fazer um publipost de R$ 200 mil”, afirma Avellar. “Eles querem ser donos de alguma empresa.”

De acordo com a Avellar, a Adventures está bem posicionada para criar essas marcas, pois é capaz de desenvolver a estratégia digital, conta com uma área de dados e tecnologia e tem toda a parte de gerenciamento de talentos.

Trata-se de um movimento que já acontece no mercado americano, em que celebridades estão se tornando donas de empresas e fazendo negócios milionários. O ator Ryan Reynolds, por exemplo, vendeu marca de gim Aviation, da qual era um dos donos, por US$ 610 milhões, à fabricante inglesa de bebidas Diageo, em agosto do ano passado.

A marca de lingerie Savage x Fenty, da cantora Rihanna, recebeu, em fevereiro deste ano, um aporte de US$ 115 milhões do fundo de private equity L Catterton, que avaliou a empresa em US$ 1 bilhão. Na semana passada, a The Honest Company, empresa de bens de consumo fundada pela atriz Jessica Alba, abriu o capital na Nasdaq e captou US$ 412,8 milhões. Hoje, vale US$ 1,4 bilhão.

Os próprios sócios da Adventures estão por trás de casos  bem-sucedidos no Brasil. Dias, quando era responsável pelo marketing da Ambev, levou a cantora Anitta para ser líder de criatividade e inovação da Skol Beats, da Ambev, em 2019.

Já Avellar, na época da Avellar Media, “contratou” a atriz Marina Ruy Barbosa para a Arezzo&Co, onde ela assumiu o cargo de diretora de moda da ZZ Mall, marketplace do grupo da família Birman.

O movimento da Adventures acontece em um momento de transformação do setor de publicidade, no qual os principais grupos estão buscando se posicionar mais fortemente no mundo digital, indo além da tradicional propaganda de 30 segundos.

No começo de maio, a S4 Capital, holding do britânico Martin Sorrell, ex-chefão do WPP, fez sua segunda aquisição no Brasil. Por meio da consultoria MightyHive, comprou a Raccoon, agência de marketing digital que tem clientes como Natura, 99, XP, Google, Nubank, C&A, Gympass, iFood e Yudqs.

Em fevereiro deste ano, o grupo WPP mexeu também suas peças no Brasil e adquiriu a mineira DTI, uma “fábrica de software” que concorre com empresas como Stefanini e CI&T em projetos que ajudam empresas a serem mais eficientes digitalmente e a se conectarem com seus clientes e consumidores.

No ano passado, o ex-sócio da consultoria McKinsey, Marcelo Tripoli, criou a Zmes, agência de marketing que usa ferramentas digitais com recursos de inteligência artificial para atender os clientes.

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