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Final Level: a brincadeira de gente grande de Marc Lemann, Felipe Neto e Bernadinho

Cinco YouTubers fazem um isolamento social diferente numa mansão no Rio de Janeiro. Eles participam de um reality show da Final Level, uma plataforma de entretenimento que atraiu investidores de peso. Agora, no meio da pandemia, a startup começa seu processo de internacionalização

 

Participantes do reality show Quarentena na Gameland, da Final Level

Caio Pericinoto, FunBabe (Carol Azeredo), Sheviii2k (Sérvulo Júnior), Nyvi Estephan e Gab Araújo. Se você não for do universo gamer, a chance de nunca ter ouvido falar esses nomes é muito grande.

Mas esses cinco YouTubers têm somados mais de 12 milhões inscritos em seus canais e são populares no universo dos jogos eletrônicos no Brasil. Caio Pericinoto, do canal é “É Tipo Isso”, tem 6,9 milhões de inscritos. FunBabe, quase 3 milhões. Já Sheviii2k conta com 1,6 milhão, Nyvi Estephan e Gab Araújo tem 334 mil e 256 mil fãs, respectivamente.

Esse grupo de jovens está isolado desde 16 de março na Gameland, uma mansão de 1,5 mil metros quadrados, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, que funciona como um estúdio e pertence à Final Level, a plataforma de conteúdo gamer que quer se tornar o ponto de encontro dos fãs de jogos eletrônicos no Brasil.

Lançada em agosto de 2018, a Final Level já tem mais de 4 milhões de inscritos no seu canal de YouTube e aposta agora em uma espécie de Big Brother do universo gamer.

Batizado de Quarentena na Gameland, o reality show deve turbinar ainda mais a audiência que não para de crescer desde que muitas pessoas, voluntariamente ou obrigadas, passaram a ficar em casa.

Antes do isolamento social, os vídeos do canal do YouTube da Final Level atingiam, em média, 100 milhões de visualizações por mês e eram vistos por 28 milhões de espectadores únicos. Agora, a audiência cresceu aproximadamente 50%.

Fernanda Lobão, CEO da Final Level

“A ideia da Quarentena na Gameland surgiu de estar numa situação de confinamento. À medida que ninguém podia sair, tomamos partido dessa realidade”, afirma Fernanda Lobão, CEO da Final Level.

A Final Level é uma aposta da Go4it Capital, fundada por Marc Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, e Cesar Villares. Mas, além da dupla, a empresa buscou sócios de peso para tocar a empreitada.

Primeiro foram Felipe Neto, o quinto maior YouTube do mundo em número de seguidores, e João Pedro Paes Lemes, ex-diretor de esportes da Rede Globo.

Mais recentemente se uniu a esse time Bernardinho, bicampeão olímpico pela seleção brasileira de vôlei masculina como treinador.

“Estamos bem animados com o futuro global do Final Level, ajudamos com a ideia desde o início e investimos por acreditar em um grupo de sócios com muita experiência”, disse Villares ao NeoFeed.

Além da Final Level, a Go4it já investiu na foodtech Fazenda do Futuro e liderou uma rodada no aplicativo Strava, entre outros aportes. “Estamos sempre olhando empresas inovadoras que sonham grande e essa conexão entretenimento e games com conteúdo é fascinante.”

Felipe Neto, um dos YouTubers mais populares do mundo, atua em certas atividades da mansão. Durante o lançamento da plataforma, ele fez um live de seu canal, que tem 37,2 milhões de inscritos.

Ele participou também do Final Level Show, que teve 12 episódios gravados em um auditório no Rio Centro, no Rio de Janeiro. Hoje, ele faz algumas aparições especiais.

Mercado bilionário

O grupo de sócios não está para brincadeira, apesar de o negócio da Final Level ser baseado em vídeos de lifestyle, como define Fernanda Lobão, produzidos pelos YouTubers. São desde lives sobre jogos passando por desafios e “trolagens”.

O mercado no qual está inserida a Final Level é bilionário. No ano passado, a indústria de games faturou US$ 159 bilhões globalmente, segundo dados da consultoria Newzoo. Estima-se que 2,4 bilhões de pessoas joguem algum jogo online.

No Brasil, o mercado de games movimentou US$ 5,3 bilhões e contava com 83,3 milhões de jogadores. Mais de 90% deles assistem a vídeos de games. E a plataforma preferida é o YouTube, do Google.

No Brasil, o mercado de games movimentou US$ 5,3 bilhões e contava com 83,3 milhões de jogadores

É exatamente esse o nicho que a Final Level quer capturar. Além do YouTube, a Final Level ainda está no Instagram, onde tem 1,9 milhão de seguidores, e estreou recentemente na rede social de vídeos curtos TikTok. Nela, já tem mais de 800 mil fãs e tem conseguido mais de 1 milhão de curtidas todos os meses.

O reality gamer Quarentena na Gameland conta com desafios e eliminações, assim como o Big Brother Brasil. A diferença é que os participantes não são monitorados 24 horas por uma câmera e o eliminado não vai embora. Ele fica na casa, mas sua punição é ser “trolado” pelos colegas de confinamento.

A propósito, os participantes da Quarentena na Gameland ficarão confinados na casa até o isolamento social terminar (só Nyvi Estephan, por questões pessoais, é que não é fixa na residência).

Eles cuidam de todas as tarefas da mansão, desde a limpeza até a alimentação (as compras são onlines e o iFood é muito utilizado pelos gamers). Além dos YouTubers, quatro pessoas da produção estão juntos e participam da brincadeira.

Dinheiro na tela

A engrenagem financeira por trás da Final Level é muito simples. O modelo de negócios é baseado na publicidade gerada nos vídeos do YouTube. Quanto maior o número de views, maior é o valor que o YouTube repassa aos produtores de conteúdo.

A outra ponta consiste em parcerias com empresas que querem se comunicar com um público jovem. A operadora de telefonia Oi, a rede de lanchonetes Subway e a marca de refrigerantes Coca-Cola contam com pacotes de patrocínios e têm suas marcas divulgadas em diversas atividades da casa.

Outras empresas, como Netflix, Banco do Brasil e iFood, tiveram ações pontuais realizadas pelo time de influenciadores digitais da Final Level, que atinge mais de 31 milhões de pessoas com sua rede de influenciadores – é uma audiência de fazer inveja a qualquer canal de tevê por assinatura.

Fernanda Lobão não revela o faturamento, mas diz que as duas modalidades representam fatias semelhantes da receita da Final Level. Ela diz também que tanto Instagram, quanto o TikTok trabalham com perspectivas de começar a remunerar os produtores de conteúdo, assim como já faz o YouTube.

Os gamers que estão na mansão também são remunerados. Mas desde que assumiu a Final Level, Fernanda Lobão implantou um modelo no qual eles ganham pelos resultados gerados. Quem mora na Gameland, explica a CEO, tem custo zero. Eles também contam com uma pequena ajuda de custo mensal.

A principal fonte de receita dos moradores da Gameland são os projetos com empresas, na qual os gamers ganham uma participação nos patrocínios.

Eles também estão livres para fechar patrocínios e projetos individuais, desde que não seja com alguma empresa rival dos apoiadores da Gameland. Assim, ninguém pode, por exemplo, ter um acordo com Claro, Vivo ou TIM, que concorre com a Oi.

O próximo passo da Final Level é a sua internacionalização. A companhia quer “exportar” seu modelo, a exemplo do que fez a Endemol, a produtora holandesa que criou o programa Big Brother e que depois licenciou o formato para diversas empresas ao redor do planeta.

O primeiro acordo foi fechado com a Xanela Producciones, da Espanha. A produtora é especializada em programas de entretenimento e faz o “Pasapalabra”, um popular show do canal Telecinco.

A Xanela Producciones vai criar a sua própria Gameland na Espanha e pagará royalties à Final Level. “Temos outras conversas em andamento”, revela Fernanda. A brincadeira, ao que tudo indica, ainda vai longe.

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