Insiders

Apple e CNN dão o bote em “temporada de caça”

As gigantes estão aproveitando o momento para ir às compras e fisgaram algumas startups nas últimas semanas

 

Tim Cook, CEO da Apple, está com apetite

Warren Buffett já afirmou que está procurando por uma aquisição do tamanho de um elefante, mas outras gigantes aproveitam a “temporada de caça” para abocanhar presas menores – mas não menos importantes ou estratégicas.

Quem deu o bote diversas vezes, nas últimas semanas, foi a Apple. A empresa da maçã fechou suas lojas por conta do combate ao coronavírus, mas abriu a carteira. Em março, a gigante formalizou a aquisição do aplicativo Dark Sky, que trabalha com a previsão do tempo.

Conhecido por sua precisão e análise minuto a minuto, o app, por enquanto, segue disponível para usuários de Android e iOS, pelo mesmo preço de US$ 3,99. A partir de julho, contudo, a ferramenta somente será ativa nas plataformas desenvolvidas pela Apple.

Não há informações sobre reajuste no valor do aplicativo, nem sobre as condições da negociação. No mercado, o comentário é o de que o Dark Sky deve fortalecer e diversificar o leque de serviços oferecidos pela companhia – que cada vez mais tenta desvincular seu lucro da venda exclusiva de aparelhos eletrônicos, sobretudo os celulares.

Outro peixão que a Apple tirou do mar, em plena “maré baixa”, foi a Voysis, startup responsável por criar uma plataforma para que assistentes de voz compreendam melhor a linguagem natural dos usuários. 

Seu mecanismo seria indicado para grandes organizações que querem melhorar a experiência de compra online por comandos de voz. Graças a essa ferramenta, por exemplo, seria fácil processar um pedido de compra com dois comandos distintos, como “preciso de uma nova televisão LED” e “meu orçamento é de mil reais”.

Fundada em 2012, a companhia tem escritórios em Edimburgo e Boston. Em 2017, levantou US$ 8 milhões em investimentos com a Polaris Partners, e não tornou público o valor de seu acordo com a Apple.

Como nem tudo que acontece no Vale do Silício pode ser mantido em segredo, especula-se que a empresa liderada por Tim Cook esteja prestes a desembolsar US$ 100 milhões para fisgar sua mais recente “presa”: a NextVR, startup de realidade virtual que promete revolucionar a forma como assistimos programas esportivos e de entretenimento. 

Sediada na Califórnia, a empresa ganhou projeção nacional quando formalizou acordo com marcas esportivas, inclusive a NFL, a liga de futebol americano profissional. Essa parceria permitia aos usuários assistirem aos jogos usando os headsets do PlayStation e da Microsoft.

Uma reportagem publicada no portal americano The Information sugere que a Apple tem planos de lançar seu headset para realidade virtual até 2022, o que chancelaria essa aquisição como estratégia.

Segundo o Crunchbase, a NextVR recebeu US$ 115,5 milhões em investimentos desde que foi lançada, 2009. 

Para além do Vale do Silício, outras empresas tradicionais também têm seus alvos definidos. A CNN, por exemplo, acertou no alvo ao comprar a Canopy, uma plataforma baseada em recomendações e curadoria feita por homens e máquinas. 

Não é segredo que a gigante do jornalismo americano está desenvolvendo uma plataforma digital de notícias que possa competir com players como Apple e Facebook. E o grande trunfo da Canopy, recém-adquirida pela CNN, é que ela é precisa em encontrar o que o usuário quer ler.  

Embora o momento da economia mundial seja considerado frágil, uma vez que muitos setores estão parcialmente ou totalmente paralisados, num esforço geral de contenção da pandemia do novo coronavírus, alguns analistas apontam que o cenário pode ser perfeito para aquisições

Harrison Kim, analista da Platinum Equity, disse ao NeoFeed que as avaliações das empresas estavam destoando da realidade. “Dinheiro não era problema antes dessa pandemia e não é problema agora também. O grande desafio eram as avaliações, que inviabilizavam certas apostas”, diz. 

Segundo o analista, neste período de incertezas é mais provável que nos deparemos com notícias de aquisições do que de investimentos: “o momento é propício para a compra de pequenas startups, porque os valores voltaram a um patamar real. Mas, como o desdobramento de toda essa ‘bagunça’ ainda é incerto, os investidores devem segurar suas ações e fazer poucos movimentos na bolsa'”. 

Siga o NeoFeed nas redes sociais. Estamos no Facebook, no LinkedIn, no Twitter e no Instagram. Assista aos nossos vídeos no canal do YouTube e assine a nossa newsletter para receber notícias diariamente.

Leia também

UM CONTEÚDO:

NEOFEED REPORT

Baixe o relatório “O mapa de ataque das grandes empresas”

VÍDEOS

Assista aos programas CAFÉ COM INVESTIDOR e CONEXÃO CEO