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Negócios

Os R$ 200 bilhões que deixam Ricardo Lacerda, do BR Partners, otimista

Em entrevista ao NeoFeed, Ricardo Lacerda, fundador e presidente do banco de investimento do BR Partners, diz que há muito interesse de investidores estrangeiros pelos ativos brasileiros e acredita que as privatizações e a redução do tamanho do Estado serão o novo motor da economia

 

Ricardo Lacerda, presidente e fundador do BR Partners

O banqueiro Ricardo Lacerda, presidente e fundador do BR Partners, está otimista. E não se trata de um otimismo moderado. Ele acredita que a agenda liberal da equipe econômica do governo Bolsonaro, focada na redução do tamanho do Estado e nas privatizações, será o novo motor de crescimento da economia brasileira.

“Acredito que, com a agenda reformista e de privatizações do governo atual, possamos estar crescendo ao fim do mandato do Bolsonaro num ritmo de 3% a 4%”, disse Lacerda, nesta entrevista exclusiva ao NeoFeed.

Com as privatizações, Lacerda, que foi ex-presidente do Goldman Sachs no Brasil e do Citigroup na América Latina, prevê que o governo deve arrecadar entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões até o fim da mandato de Bolsonaro. E, segundo ele, há muito apetite dos investidores estrangeiros com o pacote, em especial com os ativos de aeroportos, de infraestrutura e de saneamento.

Mas Lacerda faz um alerta, em especial por conta da experiência liberal da Argentina. “Entendo que essa política liberal precisa mostrar um benefício tangível para a população em termos de criação de emprego, aumento de renda e de crescimento econômico”, afirmou. “Se não, ela não se justifica. Acho que essa é a lição que fica para o governo brasileiro.”

Ele também está otimista com o mercado de fusões e aquisições e prevê ainda que, em 2020, muitas empresas vão buscar o mercado de capitais.

O BR Partners lidera o ranking brasileiro de fusões e aquisições da Bloomberg e da Thomson Reuters até setembro. Neste ano, esteve envolvido na venda da TAG, da Petrobras, à francesa Engie e da fatia do Grupo Pão de Açúcar na Via Varejo ao empresário Michael Klein. No total, são 10 negócios que movimentaram US$ 16,9 bilhões.

Confira os principais trechos da entrevista:

Você acabou de voltar da Europa e dos Estados Unidos, onde conversou com diversos investidores estrangeiros. Qual o interesse deles pelas privatizações no Brasil?
Temos focado muito no programa de privatização dos governos federal e estaduais. Temos participado de várias licitações para assessorar essas empresas na venda. E temos feito road shows pelo mundo todo para conversar com potenciais compradores. Estivemos recentemente na Europa e nos EUA em várias rodadas de conversas para avaliar o interesse dos diferentes setores. E o interesse está muito alto.

Para quais setores há interesse?
Há um enorme interesse para a área de infraestrutura, de aeroportos e de saneamento. E também para a parte de óleo e gás. Achamos que esse leilão que está vindo do pré-sal (previsto para novembro) vai ter um enorme sucesso. Então, acredito que é um momento positivo para essa agenda de redução do tamanho do Estado que está sendo implementada pelo Paulo Guedes (ministro da Economia) e sua equipe.

Quanto as privatizações podem trazer de recursos?
Excluindo a parte do pré-sal e considerando apenas ativos e transações que envolvem participação societária, estamos estimando entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões até o fim do mandato de Bolsonaro.

“Os aeroportos são, sem dúvida, a joia da coroa”

E qual é a joia da coroa desse programa de privatizações?
Há muitas empresas que atraem o investidor. Mas acredito que os aeroportos são, sem dúvida, a joia da coroa. As empresas de saneamento também têm trazido enorme interesse. Falta ainda um pouco de definição tanto na parte regulatória, como na parte do modelo de privatização dos diferentes Estados, mas o interesse dos investidores estrangeiros, tanto estratégicos, quanto fundos soberanos, está muito alto.

Você acredita que o governo consegue implementar essa agenda na velocidade que pretende?
Eles estão surpreendendo na determinação. Não vimos em nenhuma equipe econômica recente uma determinação tão grande para reduzir o tamanho do Estado. Hoje, há uma orientação clara e uma afinidade dos diferentes membros da equipe com esse propósito. Agora, o Brasil é Brasil. Tem toda a burocracia, todo trâmite e toda a questão dos Tribunais de Conta, que tem de serem feitos. Mas eles estão seguindo. A máquina está rodando. E ela tende a acelerar esse processo ao longo do tempo.

O que você acredita que deve ser vendido até o fim do ano?
Já estamos vendo licitação de empresas de energia no Sul. Estamos vendo esse leilão do pré-sal. Até o fim do ano, vamos conseguir um volume expressivo basicamente em função disso. Mas a agenda de mais ritmo começa a partir do ano que vem.

“Acredito que se deveria privatizar tudo porque estatal no Brasil só serviu para gerar ineficiência, privilégio e corrupção”

Há forte resistência a se privatizar Petrobras, Banco do Brasil e Caixa. Qual sua opinião: elas deveriam ser privatizados?
Acredito que se deveria privatizar tudo porque estatal no Brasil só serviu para gerar ineficiência, privilégio e corrupção. Não serviu para criar emprego, desenvolver tecnologia e gerar riqueza. Agora, obviamente, há a agenda política. Na minha visão, tudo deveria ser privatizado. O governo, no entanto, não comunicou intenção clara de privatizar esses ativos. Mas acredito que essas privatizações mais icônicas vão vir de maneira natural, conforme as outras vão acontecendo e mostrando o resultado de criação de valor que pode gerar para o País.

O Brasil deve crescer menos de 1% em 2019 e por volta de 2% em 2020. Por que o País não consegue sair dessa armadilha do baixo crescimento?
Porque o Estado brasileiro engoliu a economia brasileira. A Constituição de 1988 está agora mostrando todos os efeitos perversos das vantagens e dos privilégios que foram criados sem uma contrapartida de ganho de produtividade. Estamos colhendo os frutos de um sistema que foi colocado por essa Constituição, que criou inúmeros privilégios e protegeu funcionários públicos e aposentados. E, com o envelhecimento da população, o Brasil ficou sem motores de crescimento. Isso evidentemente foi um pouco agravado por algumas políticas irresponsáveis do segundo mandato da Dilma (Rousseff, ex-presidente do Brasil). Mas não se pode atribuir exclusivamente ao PT toda a desgraça econômica que estamos vivendo hoje. Há fatores estruturais e fatores conjunturais. Eu colocaria nos fatores conjunturais esses relativos à Constituição de 1988, a criação de privilégios, o envelhecimento da população e a falta de motores de crescimento mais claros. O Brasil não tem hoje bônus demográfico. O Brasil não tem uma indústria competitiva a nível mundial. O Brasil não tem ganhos de produtividade. Ficou muito restrito de onde pode vir o crescimento. Ele vem muito do consumo e do investimento em infraestrutura. Agora, acredito que ele vai vir das privatizações e da redução do tamanho do Estado. Esse é o cenário econômico que estamos traçando, com uma recuperação gradual. Mas acredito que vai se acelerar de forma muito lenta, mais lenta do que todos nós gostaríamos.

Terceirização, teto dos gastos, reforma trabalhista e agora previdência. Todos esses projetos foram vendidos como necessários para o crescimento. Mas ele não aconteceu. O que deu errado?
Porque eu acho que o buraco é muito mais embaixo. A situação é muito mais crítica do que se imaginava. Não era uma simples correção de rumo. Hoje, estamos colhendo os frutos do que foi plantado há 30 anos e de todas essas ineficiências que a Constituição criou. Obviamente que todas essas medidas que você elencou foram positivas. E talvez não tenham causado o benefício que se esperava porque a situação era mais grave. E a situação ainda é grave. Ela é grave do ponto de vista fiscal. E agora está se percebendo que ela é mais grave ainda do ponto de vista da retomada econômica efetiva para um patamar de crescimento de 3% a 4%.

Quando esse patamar de crescimento vai ser retomado?
Acredito na retomada da economia a partir do fim deste ano e do começo do ano que vem para um patamar ainda relativamente modesto, entre 1,5% e 2%. E acredito que, com a agenda reformista e de privatizações do governo atual, possamos estar crescendo ao fim do mandato do Bolsonaro num ritmo de 3% a 4%.

“Essa desaceleração global já está acontecendo, mas não há nada que indique que ela vai ser dramática”

Mas hoje há temor de uma desaceleração global. Há risco de o mundo entrar em uma recessão?
Sim, essa desaceleração global já está acontecendo, mas não há nada que indique que ela vai ser dramática. Estamos falando, no cenário mais provável, de um soft landing, onde você tem uma redução na Europa, EUA e Ásia para patamares positivos, mas mais modestos. Obviamente que qualquer cenário de desaceleração externa impacta o Brasil.

Quanto isso impacta o Brasil?
Impacta na medida em que nossa economia é muito dependente de commodities e os preços de commodities tendem a cair neste cenário de desaceleração. Há dois fatores atenuantes. Primeiro: estamos falando de um soft landing, de uma desaceleração moderada ainda para um patamar positivo. Não estamos falando de um cenário recessivo nos EUA e na Europa num período de curto prazo. E o segundo fator atenuante é que hoje a economia brasileira está um pouco menos dependente de capital externo de curto prazo. Isso foi a tônica que se viu há várias décadas no Brasil, esse capital especulativo de curtíssimo prazo que vinha para cá e financiava as empresas e o governo. Hoje, você observa um movimento contrário. Há um êxodo de recursos muito grande desde que o Brasil perdeu o grau de investimento. Mas a contrapartida disso foi uma dependência menor do capital externo e uma desalavancagem em moeda estrangeira das empresas e do governo.

Mas essa desaceleração econômica mundial não prejudica ainda mais a frágil recuperação econômica da economia brasileira?
Acredito que a frágil recuperação econômica já está embutindo esse cenário de desaceleração mundial. E também está sofrendo um pouco a consequência desse êxodo de recursos. A desaceleração não tende a se agravar. Ao contrário, tende a se estabilizar. E a se confirmar esse soft landing, no cenário mais provável, o êxodo de recursos vai se reverter. O dinheiro de curto prazo, de renda fixa e de bolsa, saiu muito do Brasil. Permaneceu o capital para o investimento no longo prazo, o investimento direto. Esse investidor de curto prazo fugiu do Brasil num primeiro momento pela volatilidade de câmbio, que é o dobro dos outros países emergentes. Isso está custando para nós. Especula-se muito sobre o discurso do presidente, mas estou convencido que o fator primordial que tem afugentado esse tipo de investidor foi a perda do grau de investimento e, mais recentemente, essa volatilidade do câmbio. Com os leilões e com as privatizações, vamos diminuir um pouco essa volatilidade do câmbio e os recursos tendem a voltar.

Esse cenário de soft landing prevê um acordo comercial entre EUA e China?
Sim, sem dúvida. Antes do final do ano devemos ter um acordo que deve acalmar muito os mercados.

Sem acordo, seria um soft landing?
Acredito que seria um soft landing de qualquer maneira. O acordo é muito provável porque a falta de acordo é nociva para ambas as partes.

Como a crise argentina impacta o Brasil?
No setor industrial, há uma conexão muito grande dos dois países. Então, o que está acontecendo na Argentina não é uma boa notícia nem para a Argentina, nem para o Brasil. Você tem um risco de uma disrupção muito grave. Ao contrário do que se viu em outras crises argentinas, é menos provável que ela impacte o mercado financeiro brasileiro, que hoje não tem nenhuma conexão. Não acredito que você vá ver uma variação de câmbio imediata ou de spreads no Brasil sendo afetados pela crise Argentina no curto prazo. O perfil do investidor que está aqui é diferente do que está lá. Mas acho que pode custar um pouco para o Brasil na questão do comércio exterior entre os dois países, principalmente no setor industrial.

“A agenda liberal precisa ser implementada no Brasil, mas ela precisa mostrar resultado”

O governo Macri implantou uma agenda liberal e deu tudo errado. Que lições o Brasil deve tirar do governo Macri?
A Argentina tem uma estrutura política tão complexa ou mais do que a do Brasil. Ela tem uma economia muito mais limitada. Macri teve muito azar também com muitas coisas de safra agrícola e com a seca. Estou convencido que a agenda liberal precisa ser implementada no Brasil, mas ela precisa mostrar resultado. Se você, em última análise, não consegue recuperar o crescimento econômico, não consegue recuperar o emprego, a população não sente os benefícios. E corre-se o risco de ter uma guinada política para o outro lado. Essa é a grande lição. Temos de implementar uma agenda liberal, uma agenda que realmente reduza o tamanho do Estado, mas que consiga mostrar algum resultado efetivo de redução do desemprego e o aumento da atividade econômica no curto prazo. Se não, você pode ter um resultado muito ruim daqui a três anos.

Foi o que exatamente não aconteceu na Argentina.
Exato. A situação política da Argentina é mais grave. A situação econômica da Argentina é muito mais grave. A dependência do capital estrangeiro é muito maior. E Macri contou com fatores negativos, como a seca e o preço das commodities. A Argentina tem também uma economia menos diversificada do que a do Brasil. Grandes empresas e grandes fundos podem não estar na Argentina, mas não podem não estar no Brasil.

Alguns criticam a Argentina por ter implantada um modelo liberal. Outros pelo fato de não ter sido liberal o suficiente. Qual sua opinião?
Essa é uma distorção que ocorre de muitas décadas. Não seriam quatro anos de um governo liberal que corrigiriam essas distorções. No Brasil também não vai ser isso. Para se implementar uma agenda liberal de verdade, vamos precisar de três a quatro mandatos de governos de direta com uma agenda liberal de redução do Estado. Acredito muito em reduzir o tamanho do Estado para gerar empregos e riqueza. Tenho um viés liberal nessa discussão. Mas entendo que essa política liberal precisa mostrar um benefício tangível para a população em termos de criação de emprego, aumento de renda e de crescimento econômico. Se não, ela não se justifica. Acho que essa é a lição que fica para o governo brasileiro. Essa agenda liberal não pode estar muito no longo prazo. Precisa ter alguma coisa no curto prazo que leve a redução de desemprego e ao aumento da renda. Se não, o risco de você ter uma virada política é muito alto.

A atual equipe econômica e o próprio Bolsonaro estão preocupados com esse horizonte? Uma das críticas que se faz é que eles estão muito preocupados com medidas liberais e de privatização, mas não têm feito nada no lado social e de geração de empregos.
Eles, evidentemente, estão preocupados. Houve várias medidas de alívio, como a questão da liberação de recursos do FGTS, a simplificação da agenda para a contratação e a facilitação para abrir empresas. Existe sim uma preocupação muito clara de fazer a economia andar. Mas acredito que existe uma confiança de que estamos num ritmo de ganhar um pouco mais de tração neste crescimento. A economia vai andar um pouco mais através do consumo e das privatizações e vai trazer de volta a confiança para o investimento. Não vejo nem no ministro Paulo Guedes, nem na equipe econômica uma visão excessivamente liberal e ideológica. Existe uma preocupação e até uma ansiedade de fazer essa retomada econômica.

“Há a ameaça das fintechs, que vão botar pressão nos bancos”

Como você avalia o mercado de fusões e aquisições nos próximos anos. Ele será puxado pelas privatizações?
O grande tema do mercado de fusões e aquisições, nos próximos anos, será as privatizações e as consequências que essas privatizações vão trazer para a iniciativa privada e para os novos investimentos. Esse é o tema principal. Mas há outros temas importantes, como a consolidação dos setores. Está muito mais do que provado o impacto da era digital nas empresas de consumo e de varejo, que precisam ganhar escala, otimizar suas marcas e melhorar suas margens. Vai ser um motor muito grande para fusões e aquisições. O setor financeiro também passa por uma transformação muito grande, em que é preciso ganhar muito eficiência. O setor financeiro brasileiro vive um de seus momentos mais difíceis. Há um ambiente de queda de juros, que está historicamente baixo. E há a ameaça das empresas digitais, das fintechs e das empresas de internet, que vão botar pressão nos bancos, porque oferecem basicamente o mesmo serviço sem a estrutura de custo que um grande banco tem.

Essa é uma preocupação sua ou ela é exclusiva de bancos de varejo?
É uma preocupação de bancos de varejo. O nosso negócio, eu brinco, é de baixa tecnologia. É um negócio artesanal, onde atuamos em poucos negócios com poucos clientes e com poucos investidores. É como se a gente fosse da alta costura, onde o componente tailor made é muito importante. O componente de escala é também muito importante, mas muito menos do que para um banco de varejo. Vamos começar a ver também outro fenômeno importante que vão ser bancos digitais e fintechs comprando empresas da economia real. Eles levantaram muito capital e estão com valores de mercado muito altos, que permitem agora comprar empresas da economia real. Você vai ver isso com bancos digitais e empresas de meios de pagamentos. Hoje, elas estão com cacife para comprar empresas da economia real.

Esse é o melhor ano de IPOs de empresas de tecnologia nos EUA desde os anos 2000. Por outro lado, 70% das que abriram o capital são deficitárias. E há um caso ilustrativo, que foi o fracasso da abertura de capital do WeWork. Quais as lições do WeWork?
Acredito que de uma certa maneira existe um componente de exuberância irracional neste mercado. Você tem um mercado de compressão de juro real, que faz com que parte da poupança e do capital se mova para um componente especulativo cada vez maior. Estamos em um ambiente de juro real praticamente negativo em grande parte dos países, zero em alguns países e muito baixo em muitos outros. Os investidores estão vendo que esse movimento pode continuar e que podem não ter para onde migrar o seu capital. Então, eles estão fazendo apostas cada vez mais arriscadas. De certa maneira, isso está acontecendo aqui também. Talvez não na mesma proporção. Mas, olhando o pipeline de IPOs dos bancos, há uma série de empresas, inclusive que estiveram à venda e não conseguiram ser vendidas, que agora vão para o mercado a múltiplos muito altos e que geram pouco valor. Isso obviamente vai levar a perda de partes dos investidores. Mas não acho que isso é a maior parte.

Você imagina mais IPOs no ano que vem?
Sim, sem dúvida. O nosso cliente que é um candidato a fusões e aquisições e também um candidato a IPOs. Tenho visto muitas empresas decidindo embarcar num processo de abertura de capital em vez de um processo de fusão porque as avaliações estão boas. Os bancos estão prometendo avaliações altas para os IPOs. Esse mercado está aquecido e tende a se aquecer muito mais em 2020.

“Bolsonaro deu uma carta branca para o Paulo Guedes realmente implementar essa agenda liberal”

Em uma entrevista no ano passado, você disse que não sabia qual Bolsonaro iria tomar posse: se era o Bolsonaro de Paulo Guedes ou o se era Bolsonaro do discurso historicamente populista e estatista. Depois de 10 meses, já dá para saber qual deles tomou posse?
A agenda política, obviamente, está confusa. Bolsonaro optou por ter um discurso mais para o eleitor dele do que para a população como um todo. E está fazendo isso de uma maneira muito direta, com um time em volta dele afeito a polêmicas. Eu não me arrisco a palpites no âmbito político. Mas, em relação a tua pergunta, não há dúvida alguma que o Bolsonaro que está governando nesses primeiros 10 meses é o Bolsonaro da agenda do Paulo Guedes e de um governo liberal. Vejo na equipe econômica uma intenção clara de reduzir o tamanho do Estado, uma afinidade muito grande entre os membros da equipe econômica em perseguir de maneira muito objetiva essa agenda de privatização. E com medidas de cunho liberal em várias frentes da economia. Não há dúvida, na minha cabeça, que Bolsonaro deu uma carta branca para o Paulo Guedes realmente implementar essa agenda liberal. Agora, vivemos um cenário político de volatilidade. Até quando isso vai acontecer? Acredito que vai ser no governo todo porque acredito na retomada econômica. Como eu coloquei, a economia está se acelerando e vai mudar de patamar nos próximos anos. Isso tende a ter um efeito positivo e tende a confirmar a eficiência dessa política liberal e das medidas que o governo está fazendo. Obviamente, o cenário é uma incógnita. Até o Macri virou populista um mês e meio antes da eleição.

A polarização política não atrapalha a recuperação econômica?
A polarização política tende a ter um efeito negativo na recuperação econômica. Já deveríamos estar tendo uma retomada mais acelerada na economia. Acredito que se tivéssemos tido um discurso de pacificação do cenário político, isso teria ajudado, principalmente na confiança do empresariado para poder fazer os investimentos. Mas não me arrisco a dizer que esse é o maior empecilho da retomada. Volto à minha tese original que os maiores empecilhos são os fatores estruturais que enfrentamos, de ineficiência da economia e de tamanho do Estado, e do ponto de vista conjuntural, a volatilidade do câmbio, que tem nos prejudicado muito mais do que a polarização política.

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