Avenue recebe US$ 30 milhões do Softbank para fazer o brasileiro investir no exterior

O aporte, acompanhado pela Igah Ventures, será usado para aumentar a equipe e entrar em novas frentes como encorpar a plataforma da empresa com fundos de investimentos internacionais

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Depois de bater R$ 5 bilhões sob custódia ultrapassando todos os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) negociados por pessoas físicas na B3, a corretora Avenue Securities, que atua com investimento no exterior, acaba de receber mais um sinal do mercado de que seu negócio está chamando atenção.

A corretora, cuja sede é em Miami, anuncia hoje um aporte de US$ 30 milhões liderado pelo Softbank Latin America Fund. O fundo Igah Ventures, que já investia na empresa, acompanhou essa rodada de série B. “Entramos na fase de growth”, diz Roberto Lee, CEO e fundador da Avenue. “Agora todo mundo vai vir investir aqui.”

“No Brasil, o processo de desbancarização foi liderado por uma corretora. O investimento internacional será liderado pela Avenue”, diz Lee, comparando com o processo liderado pela XP por aqui. De uma base atual de 300 mil clientes, o empresário prevê que a Avenue deva atingir 1 milhão até o fim de 2022.

O dinheiro dos fundos será usado para dar mais suporte a esse crescimento. Lee explica que vai mais do que dobrar o número de funcionários. Hoje, a Avenue conta com 180 profissionais e há 200 vagas abertas. Será feito um investimento pesado em tecnologia e infraestrutura.

Além disso, o aporte do Softbank ajudará em outras frentes da companhia. A primeira é para deixar o balanço financeiro mais robusto para que a Avenue passe a oferecer o serviço de banking com mais conforto. Nas próximas semanas, a empresa deverá lançar uma conta bancária nos EUA para todos os seus clientes e passará a oferecer cartão de débito. No futuro, a ideia é lançar cartão de crédito com juros anuais de 10%.

A outra frente visualizada pela Avenue é a de encorpar a sua plataforma. Hoje, os investidores conseguem acessar ações e ETFs, mas, até o fim do ano, a companhia vai plugar 40 fundos. “Vamos oferecer todos os fundos de fundos que são vendidos no Brasil, mas para que o nosso cliente invista direto”, diz Lee.

A terceira frente de atuação passa por oferecer toda a infraestrutura para que clientes private abram contas PIC (Personal Investment Company), a boa e velha offshore. Quem tem mais patrimônio, costuma montar esse tipo de empresa e a Avenue vai ajudar os clientes wealth a montar essa estrutura. “Vamos ajudar a constituir essa empresa e essa empresa vai abrir uma conta na Avenue.”

Roberto Lee, fundador e CEO da Avenue

Todo esse esforço está baseado em uma otimista previsão de que, em dez anos, 20% dos investimentos dos brasileiros estarão concentrados no exterior. São R$ 800 bilhões em jogo e metade está nas mãos dos clientes private. A aposta nesse movimento acontece devido aos juros baixos, ao costume das novas gerações em querer investir em marcas estrangeiras e a globalização financeira.

Companhias do mundo inteiro, inclusive do Brasil, estão buscando as bolsas americanas para abrir capital. A Avenue tem se aproveitado desse movimento. A empresa tem crescido a captação a uma média de 10% ao mês. As ações mais negociadas são as mais conhecidas dos brasileiros. Companhias como Apple, Amazon, Google, Alibaba, Tesla, Disney, Berkeshire Hathaway, Microsoft, XP e Facebook.

Fundada em 2018, a Avenue nasceu da mente de Lee e com dinheiro próprio e de acionistas do mercado financeiro. “A barreira de entrada era ter gente que havia contribuído para a construção do mercado financeiro”, diz Lee.

Lee, que havia criado a corretora Clear, depois vendida para a XP, conseguiu atrair um time de peso. Entraram a Vectis Partners, de Paulo Lemann, Patrick O’Grady e Alexandre Aoude; Carlos Ambrosio, atual presidente da Anbima, Christian Klotz, da Brasil Capital, Marco Kheirallah (ex-BTG e PDG), entre outros.

Depois, em outubro de 2020, a Avenue recebeu um aporte de R$ 35 milhões da Igah, que foi acompanhado pelos sócios. “Essa rodada foi muito importante para construirmos a governança interna da companhia”, diz Lee. “Agora, o Softbank vai trazer expertise e ajudar muito na estrutura de crescimento.”

“No SoftBank, temos o compromisso de investir em empresas de tecnologia inovadoras que transformam a forma como vivemos, trabalhamos e nos divertimos, inclusive democratizando o acesso a serviços antes inatingíveis para milhões de pessoas. A Avenue está fazendo exatamente isso para os brasileiros interessados em investir no exterior”, disse, em nota, Alex Szapiro, head do SoftBank no Brasil e operating partner da SBLA Advisers Corp.

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