Avenue supera em custódia todos os BDRs negociados por pessoas físicas na B3

A corretora, que negocia ações estrangeiras diretamente, atingiu R$ 5 bilhões sob custódia, enquanto na B3 os BDRs nas mãos dos investidores pessoa física atingiram R$ 4,72 bilhões. Roberto Lee, CEO e fundador da companhia, comenta os próximos passos

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Roberto Lee, fundador e CEO da Avenue Securities

Quando as BDRs (Brazilian Depositary Receipts) começaram a ser negociadas para o investidor pessoa física, em outubro do ano passado, Roberto Lee, fundador e CEO da corretora Avenue Securities, passou por uma tormenta.

De investidores a analistas, muitos colocaram em dúvida a tese de investimento direto em ações no exterior, o negócio central de sua empresa. A conversa que ele escutava é que o seu negócio sofreria muito. Afinal, a indústria inteira no Brasil incentivaria esse tipo de investimento.

Pois, na semana passada, o empreendedor juntou parte de equipe, baseada em Miami, para estourar algumas garrafas de champanhe. E os BDRs motivaram a celebração. A Avenue atingiu R$ 5 bilhões sob custódia, ultrapassando os R$ 4,72 bilhões de BDRs negociados para pessoas físicas na B3.

“Isso mostra que a representatividade da categoria investimento internacional”, diz Roberto Lee, da Avenue, ao NeoFeed. “Em dez anos, 20% dos investimentos dos brasileiros estarão concentrados no exterior e queremos estar com a maior parte deles. São R$ 800 bilhões em jogo”, diz Lee.

Hoje, a Avenue conta com 300 mil contas abertas e, deste total, 75% estão ativas. Os investimentos são feitos em ações e ETFs, mas a corretora deve oferecer fundos de investimentos em sua plataforma até o fim do ano. Em breve, também oferecerá conta corrente nos EUA para a sua base.

No fundo, ao contrário do que muitos diziam para o empreendedor, os BDRs acabaram ajudando a trazer o tema de investimento internacional para a mesa. “As pessoas começaram a falar mais sobre o assunto e fomos beneficiados”, diz Lee.

A companhia tem crescido a captação a uma média de 10% ao mês. As ações mais negociadas são as mais conhecidas dos brasileiros. Companhias como Apple, Amazon, Google, Alibaba, Tesla, Disney, Berkeshire Hathaway, Microsoft, XP e Facebook.

São três os principais gatilhos que têm feito aumentar a procura por ações no exterior. O primeiro é a migração da renda fixa para renda variável. O segundo é o apelo que as marcas internacionais têm. O terceiro é a onda de IPOs de empresas que fazem barulho, sobretudo as de tecnologia.

Empresas como Airbnb, Coinbase e até GameStop, ação meme que esteve no centro da chamada “revolução dos sardinhas”, foram muito procuradas ultimamente. Lee já sente que o mesmo deve acontecer com a abertura de capital do Robinhood. “Já tem muita gente procurando.”

As brasileiras que estão abrindo capital nos Estados Unidos também estão entre as buscadas pelos investidores. A XP, por exemplo, é uma das mais negociadas. A abertura de capital do Nubank, uma das mais faladas pelo mercado, que pode acontecer ainda neste ano, é uma das mais aguardadas por Lee. “Vai ser porrada”, diz ele.

Não é apenas a Avenue que tem se beneficiado desse movimento. Outras companhias como a australiana Stake e a americana Passfolio, que contam com operações no Brasil, também estão aumentando o número de usuários e ativos sob custódia. E o fator risco Brasil também ajuda.

Quando a economia está bem e o dólar cai, aumenta a procura. Quando há turbulência política, e isso acontece frequentemente no País, a companhia também acaba se beneficiando. “A categoria de investimentos internacionais está se formando e podemos crescer a taxas de Nubank”, diz Lee.

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