Brasileiro que cofundou Facebook adere à febre de companhias de “cheque em branco”

A onda de companhias de “cheque em branco” atraiu Eduardo Saverin, que cofundou o Facebook. Ele pretente levantar US$ 300 milhões com B Capital Technology Opportunities. Outros nomes de peso que entraram nessa febre são Michael Dell, o fundo ativista Elliott Management e a ex-CEO da Xerox

0
52
Leia em 3 min

O brasileiro Eduardo Saverin, sócio e cofundador do B Capital Group

Desde o segundo semestre de 2020, as bolsas de valores americanas vêm assistindo ao crescimento dos registros de ofertas públicas iniciais de ações por parte das Special Purpose Acquistion Companies (SPAC), ou, como são mais conhecidas, as empresas de “cheque em branco”.

Na sexta-feira, 19 de fevereiro, essa fila ganhou novos pedidos, com a participação de nomes de peso. Segundo a agência de notícias Bloomberg, a lista de envolvidos inclui o brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook; o fundo ativista Elliot Management; o fundador da Dell, Michael Dell; e Ursula Burns, ex-CEO da Xerox.

No caso de Saverin, a oferta passa pelo B Capital Group, gestora de venture capital fundada por ele e por Raj Ganguly em 2015. A empresa já investiu em 38 startups desde que captou o seu primeiro fundo, em 2018. A lista inclui startups como a Bird, de patinetes elétricos; a Atomwise, de diagnósticos inteligentes; e a mexicana Yalochat, que desenvolve chatbots para grandes empresas.

Com a SPAC denominada B Capital Technology Opportunities Corp., o plano da gestora é captar US$ 300 milhões para investir em uma empresa que atue em um desses segmentos: saúde e bem-estar, serviços financeiros ou transporte. Saverin atuará como um consultor especial para a empresa de cheque em branco.

Sob o comando de Paul Singer, a Elliot Management, por sua vez, protocolou dois pedidos de ofertas via SPAC, centrados em oportunidades no mercado de tecnologia.

Na primeira oferta, batizada de Elliott Opportunity I Corp, a busca é por uma captação de US$ 1 bilhão. Já na Elliott Opportunity II Corp, o plano é levantar US$ 500 milhões.

Já Michael Dell decidiu seguir esse caminho por meio da MSD Partners, sua empresa de investimentos, fundada em 2009 e com cerca de US$ 15 bilhões sob gestão. Entre outras atividades, a MSD, desde 2020, financia e empresta dinheiro a clubes do futebol britânico, como Southampton, Burnley e Derby County.

No campo das SPACs, a jogada da MSD está concentrada na MSD Accquisiton Corp, que busca levantar US$ 500 milhões com foco em empresas que atuam em setores de alto crescimento, como tecnologia ou mídia. Dell será o consultor estratégico da oferta.

Fechando o quarteto, a Plum Acquistion Corp. 1 também registrou o seu pedido na sexta-feira. A SPAC terá como presidente-executiva e diretora Ursula Burns, ex-Xerox. E busca levantar US$ 300 milhões, de olho em segmentos como machine learning e inteligência artificial.

Em 2020, as ofertas no modelo de SPAC alcançaram um recorde de US$ 82 bilhões, segundo dados da consultoria americana Dealogic. E a julgar pela movimentação em pouco mais de um mês, 2021 tem tudo para superar essa marca.

Um levantamento da agência Bloomberg mostra que esse formato respondeu por 63% dos cerca de US$ 77 bilhões captados nas bolsas americanas nesse ano. Levando-se em conta as ofertas registradas na sexta-feira, já são 146 empresas de cheque em branco com pedidos protocolados.

Leia também