BRF amplia carga e reforça cruzada de empresas por energia limpa

Após anunciar uma joint venture em energia eólica, a BRF fecha contrato para a construção de um complexo de energia solar no Ceará e segue a trilha de empresas como Gerdau, Renner e Banco do Brasil

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Em agosto deste ano, a BRF anunciou a criação de uma joint venture com a AES Brasil para a construção de um parque eólico no Rio Grande do Norte. Com a iniciativa, a empresa prevê investir diretamente cerca de R$ 80 milhões na instalação, prevista para entrar em operação em 2024.

O projeto é parte de uma estratégia mais ampla da BRF para zerar suas emissões de gases de efeito estufa até 2040. E, nesta quinta-feira, 16 de setembro, a companhia deu mais um passo para colocar, literalmente, mais energia nesses esforços.

Em comunicado ao mercado, a BRF anunciou que fechou um contrato com a Intrepid para a construção de um parque para a autogeração de energia solar nas cidades de Mauriti e Milagres, no estado do Ceará.

Com previsão de início de operação também em 2024, a estrutura terá uma capacidade instalada de 32 MWp (megawatt pico). O aporte total estimado é de R$ 1,1 bilhão, sendo que a BRF investirá diretamente o valor aproximado de R$ 50 milhões, no curso do projeto.

Segundo a empresa, essa iniciativa, associada à joint venture com a AES e a outras estratégias, permitirá que a operação brasileira alcance 88% de energia proveniente de fontes limpas e renováveis.

Os investimentos da BRF não são uma exceção no mercado. Em linha com o ganho de relevância das políticas de ESG e da busca por colocar em prática suas metas e compromissos de carbono zero, diversas empresas, dos mais variados setores, estão seguindo o mesmo caminho.

Em julho, por exemplo, a Gerdau anunciou a criação de uma joint venture com a Shell para o desenvolvimento de um parque fotovoltaico em Brasilândia de Minas, cidade do norte de Minas Gerais. A instalação terá capacidade instalada de 190 MW e está prevista para entrar em operação em 2024.

No mesmo mês, a Renner fechou um contrato de 15 anos com a Enel de compra de energia eólica para abastecer 100% das operações de 170 lojas e de um novo centro de distribuição que a rede está construindo em Cabreúva (SP).

Com o acordo, que será cumprido por parte do complexo eólico que a Enel está construindo em Tacaratu (PE), a empresa informou que a expectativa era alcançar 80% do consumo de seus prédios administrativos, centros de distribuição e lojas a partir de fontes renováveis de baixo impacto.

Outra varejista que investe nessa direção é a Americanas. Em fevereiro, a empresa informou que estava ampliando o uso de energia limpa em suas operações com a inauguração de duas usinas de geração solar. Até então, a empresa contava com quatro usinas, sendo três hidrelétricas e uma de biogás.

A empresa passou a dar mais peso às fontes renováveis em 2016. Hoje, 30% da energia consumida em suas operações já vêm dessas matrizes de baixo impacto ambiental. E, desde então, a Americanas reduziu em 23% o custo com energia elétrica.

Com uma relação íntima com o varejo, a Multiplan é mais uma a reforçar essa tendência. Em agosto de 2020, a administradora de shopping centers anunciou que sua sede, no Rio de Janeiro, passaria a ser abastecida a partir de uma usina em Paty de Alferes (RJ).

Um ano antes, em parceria com a EDP, a Multiplan havia inaugurado seu primeiro conjunto de usinas fotovoltaicas, destinadas a abastecer, por completo, o VillageMall, também no Rio de Janeiro.

Presente com suas lojas em muitos empreendimentos da Multiplan, o Grupo Boticário, por sua vez, anunciou em junho que alcançou a marca de 100% de energia renovável em sua fábrica instalada em Camaçari (BA), a partir de fontes como energia solar, eólica e biomassa.

A extensa relação de empresas apostando nessas frentes inclui ainda nomes como a operadora Claro, que mantém, por exemplo, usinas em seus complexos localizados nas cidades de Várzea da Palma e Buritizeiro (MG).

Já o Banco do Brasil é um dos representantes do setor financeiro nessa corrente. Em março de 2020, a instituição inaugurou sua primeira usina de energia solar, construída pela EDP, na cidade de Porteirinha (MG), para fornecer energia para 100 agências do banco naquele estado.

Sete meses depois, uma segunda usina fotovoltaica do Banco do Brasil entrou em operação, dessa vez, em São Domingos do Araguaia (PA). Para este ano, o BB prevê inaugurar mais quatro usinas, que serão instaladas na Bahia, no Ceará, em Goiás e no Distrito Federal. Outras quatro unidades já estão no ardar para 2022.

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