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Insiders

Cimento e tijolo: as novas “ferramentas” das big tech do Vale do Silício

Depois de Facebook, Google, Amazon e Microsoft anunciarem investimentos bilionários no combate à crise de habitação na Califórnia, a Apple põe também a mão na massa e doa US$ 2,5 bilhões para a construção de casas

 

Com terrenos e propostas de financiamento facilitados, grandes empresas de tecnologia querem combater a crise de moradia americana

Berço da tecnologia moderna, o Vale do Silício, na Califórnia, sofre com um problema bastante analógico: a crise de moradia.

Depois de ver 30 mil pessoas abandonarem a região de São Francisco entre abril e junho deste ano, algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo deixaram de lado os computadores para colocar, literalmente, a mão na massa.

Com tijolo e cimento, Apple, Amazon, Google, Microsoft e Facebook assumem sua faceta “construtora” e se unem para entregar casas a famílias de baixa e média renda.

Última empresa a adotar a vestimenta de um trabalhador da construção civil, a Apple anunciou nesta segunda-feira, 4 de novembro, um investimento total de US$ 2,5 bilhões em diferentes projetos focados em moradia.

O montante é proporcional ao desafio. De acordo com o Mercury News, jornal do Vale do Silício, 2019 é o sétimo ano consecutivo  de desaceleração do mercado imobiliário local, um fenômeno que nada tem a ver com a falta de interesse, mas sim de verba. 

Mesmo com os salários generosos oferecidos pelas poderosas corporações do Vale do Silício, poucos conseguem lidar de maneira saudável com a escalada de preços da Baía de São Francisco.

Uma casa de três quartos, adquirida por US$ 245 mil em 1997, foi vendida no mês de junho deste ano por US$ 1,1 milhão. O aluguel de um apartamento simples, de um quarto, dificilmente sai por menos de US$ 3 mil mensais.

Essa pressão financeira faz com que 41% dos jovens entre 18 e 34 anos nutram o desejo de se mudar da área nos próximos 12 meses, de acordo com pesquisa divulgada pela Reuters e conduzida pela Brunswik Group.

A migração dessa mão-de-obra, muitas vezes especializada, coloca em xeque a saúde do próprio Vale do Silício, que depende do talento desses jovens para dar continuidade ao seu legado de hub de inovação e tecnologia.

Traçar estratégias para lidar com esse problema, portanto, deixa de ser uma questão simplesmente humanitária para ser também uma questão de auto-preservação. Se quiser reter seus talentos e garantir a própria sobrevivência em um mundo cada vez mais competitivo, as empresas vão ter que investir – e não apenas em altos salários.

A maneira que empresas menores encontraram para contornar essa situação fora de controle foi a mudança. Numa espécie de êxodo tecnológico, companhias de todos os portes têm buscado abrigo em cidades mais “econômicas”, como Los Angeles e Austin

Para evitar o colapso total da região, as big tech resolveram combater esse mal com a única arma possível: investindo de forma inteligente. 

O CEO da Apple, Tim Cook (esq.), em conversa com o governador da Califórnia, Gavin Newsom

Dos seus US$ 2,5 bilhões totais dedicados à construção de moradias, a Apple vai aplicar US$ 1 bilhão em um fundo governamental destinado à construção de casas para famílias que tenham orçamento classificado entre “muito baixo e moderado”.

Outro US$ 1 bilhão será destinado ao financiamento facilitado de quem pretende comprar seu primeiro imóvel. Ex-militares, trabalhadores braçais e profissionais da educação serão priorizados.  

Além disso, a Apple vai destinar terrenos avaliados em US$ 300 milhões para programas de moradia, e doar US$ 150 milhões para a fundação sem fins lucrativos Housing Trust Silicon Valley.  Por fim, a gigante da maçã vai colocar outros US$ 50 milhões nas mãos da ONG House: Destination. 

Em conversa exclusiva com o NeoFeed, Jennifer Loving, CEO da House: Destination, confirmou que a Apple os procurou de forma espontânea.“Com essa contribuição conseguiremos dar escala aos nossos projetos de moradia permanente a residentes vulneráveis, e expandiremos programas de prevenção que auxiliam famílias em risco a manterem suas casas de maneira saudável”, diz Loving. 

Embora esteja na liderança da ONG há nove anos, Loving atua há 12 anos nesta área. “Diria que o número de pessoas em situação de ruas nos Estados Unidos é hoje uma crise humanitária, que afeta todos os estados do país. Para reverter esse quadro, será preciso a ajuda de todos, sobretudo do setor privado”, afirma.

O aluguel de um apartamento de um quarto dificilmente sai por menos de US$ 3 mil mensais na Califórnia

Em junho deste ano, o grupo Alphabet também anunciou o investimento de US$ 1 bilhão no combate à crise de moradia no Vale do Silício, onde emprega 45 mil pessoas. Do total, US$ 750 milhões são em terrenos e US$ 250 milhões em financiamento para estimular as construtoras da área. A expectativa é de que, ao longo da próxima década, sejam construídas  pelo menos 20 mil novas casas e outras milhares sejam renovadas. 

Montante e medida semelhantes foram anunciadas pelo Facebook em outubro deste ano. A maior rede social do mundo vai aportar US$ 1 bilhão em um “pacote” que prevê doações, empréstimos e terras para aliviar a crise da Califórnia. Espera-se que com o investimento do Facebook, outras 20 mil unidades habitacionais sejam entregues para famílias de renda média e baixa.

Ainda distante do Vale do Silício, outras gigantes como Amazon e Microsoft também viram o mesmo problema “no quintal” de casa. Por isso, a Amazon anunciou que dedicaria US$ 8 milhões para combater essa crise nas cidades de Seattle e Arlington, na Virgínia, onde concentra suas maiores operações. Também em Seattle, a Microsoft vai colocar outros US$ 500 milhões na luta por moradias sociais. 

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