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Como é a epopeia para comprar o mítico vinho Romanée-Conti no Brasil

Um dos vinhos mais famosos do mundo, o Romanée-Conti é vendido para menos de 150 brasileiros. Eles são entregues em carros blindados e os clientes precisam assinar um termo de que não podem revender as garrafas, uma exigência de Aubert de Villaine, o coproprietário da vinícola

 

É preciso conhecer a personalidade de Aubert de Villaine, o coproprietário da mítica vinícola Domaine de La Romanée-Conti (DRC), na Borgonha, para entender a filosofia e o trabalho da Optim Brasil. Quem convive com Villaine garante que ele se incomoda, verdadeiramente, com a valorização estratosférica de seus vinhos.

Por esse motivo, ele montou a Optim Brasil, uma empresa para vender os exclusivos vinhos da domaine no Brasil. E um dos diferenciais dessa distribuidora é seu preço.

Recém-lançado, o livro The Price of Romanée-Conti conta que os preços da domaine não são muito diferentes dos praticados pelas demais vinícolas que elaboram grands crus na Borgonha. O que acontece é a valorização no mercado secundário, que não beneficia a vinícola, mas apenas os intermediários.

Criar a Optim, nome que deriva da palavra optimus (ótimo em latim), foi a maneira encontrada para garantir que o vinho chegasse a um número maior de consumidores, mesmo que seja uma lista restrita. Outro motivo foi evitar as especulações de preços. Essa é a filosofia de Villaine.

Atualmente a Optim está finalizando a venda da safra de 2015 no Brasil. Com os impostos pagos, cada garrafa de Romanée-Conti 2015 sai por 14.900 euros. O mesmo vinho, de acordo com o site Wine Searcher, é vendido nos Estados Unidos com o preço médio de US$ 23.281, sem incluir, neste valor, os custos de trazer a garrafa para Brasil, pagando os impostos.

A Optim nasceu como uma parceira entre a própria DRC e a Ficofi, empresa francesa focada na venda de rótulos sofisticados para um clube restrito de consumidores em todo o mundo. Até então, os vinhos eram importados para o Brasil pela Expand. E Villaine não tinha maiores informações sobre os seus clientes ou o destino de seus vinhos.

Um dos diferenciais da empresa é que os vinhos não podem ser revendidos. Todos os clientes assinam um termo se comprometendo com essa cláusula para ter acesso ao vinho por um preço privilegiado. Sempre que chega uma nova safra – a de 2016 deve ser disponibilizada até o fim do ano –, eles são avisados e devem responder, indicando qual a quantidade de garrafas que querem comprar.

Não há obrigação de comprar o assortment inteiro, como acontecia no passado. Como a produção do Romanée-Conti é muito pequena – são 1,8 hectare de vinhedos e a produção anual não chega a 6 mil garrafas –, as caixas (assortment) com 12 garrafas eram montadas sempre com uma garrafa de Romanée-Conti e uma maior quantidade dos demais vinhos da domaine.

Além do seu pinot noir mítico, a DRC também elabora os tintos La Tâche (que vem de um vinhedo de 6,06 hectares), o Romanée St. Vivant (5,28 hectares), o Grands Echézeaux (3,52 hectares), o Echézeaux (4,67 hectares), o Richebourg (3,51 hectares) e o Corton (2,27 hectares). Há o branco Montrachet, com área de 0,67 hectare.

Todos são importados pela Optim. O La Tâche 2015, por exemplo, é vendido por 3.900 euros; o Richebourg 2015, por 2.900 euros; e o Romanée Saint Vivant 2015, por 2.300 euros.

Aubert de Villaine e Perrine Fenal, filha de Lalou Bize-Leroy, que assumiu no ano passado a cogestão da domaine com a morte de Henry-Frédéric Roch

A regra aqui é que as caixas não são abertas. Assim, a Optim recebe desde o assortment, como caixas com um, dois ou três vinhos. Com a safra de 2016, como o volume é pequeno (houve uma forte geada na Borgonha, reduzindo significativamente o rendimento da safra), virão também garrafas de 2014 para completar o lote.

O vinho vem para o Brasil por avião, é mantido sempre em ambientes climatizados, inclusive na alfândega, e, quando vendido, é entregue na casa do cliente em carros blindados.

Se sobra alguma garrafa, qualquer pessoa pode se candidatar a comprá-la. Uma das missões da empresa é pulverizar alocação destes vinhos e evitar ao máximo a concentração das garrafas nas mãos de poucos clientes. Os volumes de venda não são revelados, nem a quantidade e o nome dos clientes. A estimativa é que não chegue a 150 brasileiros o número de clientes da empresa.

O modelo vem dando certo. Recentemente, um cliente decidiu desrespeitar o acordo de não revender o vinho e colocou as suas garrafas a venda, com uma boa margem de lucro.

Quando a informação chegou até a Optim, a decisão foi adquirir o vinho pelo preço pedido e, com a garrafa em mãos, confirmar o seu código de rastreabilidade. Confirmado que se tratava da garrafa importada pela Optim, este cliente recebeu uma carta, avisando que seu nome foi retirado da lista.

“A notícia vazou e acho que ninguém mais vai querer revender suas garrafas”, conta um cliente, que pede anonimato. Para ele, além do preço, a vantagem de comprar direto da Optim é a garantia da procedência do vinho. “Cada vez mais tem muito vinho falsificado no mercado. Saber a origem é um diferencial”, afirma.

É essa segurança de que o vinho não é falsificado que explica o atual preço recorde do leilão da Romanée-Conti. Em outubro de 2018, uma garrafa da safra de 1945 do Romanée-Conti foi vendida em um leilão da Sotheby’s, em Nova York, por US$ 558 mil (o nome do comprador não foi revelado). As duas garrafas desta safra – a outra foi vendida por US$ 496 mil – saíram da coleção pessoal de Robert Drouhin, tradicional produtor da Borgonha.

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