Depois de quase falir, a Hertz renasce com megacontratos com Tesla e Uber

A Hertz está ressurgindo das cinzas com a compra de 100 mil carros elétricos da Tesla e um acordo para oferecer até 50 mil veículos elétricos a motoristas da Uber

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A Hertz planeja uma nova listagem ainda este ano, na Nasdaq

Uma das gigantes globais responsáveis por desbravar o mercado de locação de automóveis, a americana Hertz começou a percorrer um terreno acidentado com a chegada da Covid-19, em março de 2020. Os impactos da pandemia trouxeram como destino um pedido de falência, em 22 de maio do mesmo ano.

O anúncio veio na esteira da demissão de 10 mil funcionários, apenas em abril. E foi seguido por uma alta de mais de 1.100% nas ações da companhia nas semanas seguintes, impulsionada por um movimento coordenado de investidores do varejo, que precedeu a onda das ações meme, no início de 2021.

Quase um ano e meio depois, no entanto, a Hertz começa a trilhar um roteiro muito mais favorável do que o caminho que parecia traçado para a operação. Essa jornada teve início em junho deste ano, quando a empresa saiu da falência. Agora, pouco a pouco, o grupo começa a renascer das cinzas.

O mais novo sinal nessa direção foi dado nesta quarta-feira, 27 de outubro. A Hertz anunciou uma parceria exclusiva com a Uber para oferecer até 50 mil veículos elétricos a motoristas do aplicativo nos Estados Unidos. O acordo tem validade, a princípio, até 2023.

“A parceria com a Uber é mais um grande passo para Hertz se tornar um componente essencial do ecossistema de mobilidade moderno”, afirmou, em nota, Mark Fields, CEO interino da Hertz. “Estamos criando uma nova Hertz e traçando um novo rumo para o futuro das viagens, da mobilidade e da indústria automobilística.”

O acordo tem origem em outro movimento recente da Hertz. Na segunda-feira, dia 25 de outubro, a empresa anunciou uma encomenda inicial de 100 mil carros elétricos da Tesla, a serem entregues até 2022.

Com o comunicado, as ações da Tesla dispararam, o que fez com que empresa de Elon Musk alcançasse, pela primeira vez, a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Já as ações da Hertz, que desde a falência vem sendo negociadas no mercado de balcão, fora da Bolsa, tiveram alta de cerca de 10% no dia.

A frota incluída no pedido coma Tesla será usada justamente na parceria com a Uber. A oferta começa a vigorar em 1º de novembro, para motoristas em Los Angeles, São Francisco, San Diego e Washington, com planos de estender a disponibilidade a outras cidades americanas já nas próximas semanas.

O acordo também prevê a possibilidade de ampliação do serviço para 150 mil carros no prazo de três anos. O pacote envolve recursos como seguro, manutenção básica e milhas ilimitadas, além de facilidades para que os motoristas adquiram, caso tenham interesse, os veículos.

Os anúncios recentes da Hertz integram uma estratégia mais ampla para que empresa ganhe tração depois da falência e saia na dianteira, ao ocupar espaço e conquistar escala em segmentos que prometem ditar os rumos no mercado de mobilidade.

No âmbito dos veículos elétricos, por exemplo, a empresa também tem planos de comprar veículos de empresas como a Ford e a General Motors. Na outra ponta, além da Uber, a Hertz mantém ainda uma parceria com a Lyft.

Essa recuperação vem sendo comandado por Mark Fields, veterano da indústria e ex-presidente da Ford, que assumiu como CEO interino da operação no início do mês. E conta com o auxílio do caixa reforçado na época em que a empresa saiu da falência.

Nesse processo, a Hertz captou mais de US$ 5,9 bilhões junto a investidores como a Knighthead Capital Management, a Apollo Capital Management e a Certares Management. Com mais fôlego, o grupo também encontra um cenário mais favorável no mercado.

Esse contexto tem como pano de fundo a recuperação da demanda pela locação de automóveis nos Estados Unidos e pela expectativa de um reaquecimento substancial nas viagens com o avanço da vacinação no país.

Há desafios, no entanto, nesse trajeto. Entre eles, o recuo na produção de carros, devido aos problemas de abastecimento na cadeia de componentes, o que torna mais lenta a reconstrução da frota da Hertz e também de rivais.

Mas, nem mesmo essa barreira impede a empresa de seguir com o plano de uma nova listagem, programada ainda para esse ano, na Nasdaq. Enquanto prepara mais esse passo, as ações da empresa no mercado de balcão fecharam o dia de hoje com alta de 3,67%, cotadas a US$ 13,43.

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