Dez tendências no mundo do vinho em 2021

Quais serão os vinhos mais importados? O que os brasileiros degustarão? Como as empresas de e-commerce deverão trabalhar para ganhar a confiança dos clientes? Especialistas do setor respondem a essas e a outras questões

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O ano de 2020 foi, definitivamente, surreal em vários sentidos. No mundo do vinho não foi diferente e, por incrível que pareça, pelo menos no Brasil, o mercado assistiu a um grande aumento da demanda – algo que ninguém conseguiu prever. Por conta da pandemia, muitos ficaram em casa e passaram a consumir mais os brancos e tintos.

Os dados do setor ainda não estão fechados, mas a estimativa é de uma alta de pelo menos 35% em relação a 2019, entre a importação e a venda dos vinhos brasileiros. Até setembro, a alta era de 37% nas importações de vinho, segundo a consultoria Ideal.

Para 2021, as previsões devem ser mais assertivas. A necessidade da quarentena fez mudar algumas tendências no mercado de vinho e criou outras, talvez impensáveis se a Covid não tivesse mudado tanto o mercado.

Para apontar as principais, o NeoFeed entrevistou especialistas no assunto como Rodrigo Lanari, representante da consultoria inglesa Wine Intelligence no Brasil, especializada em comportamento do consumidor; e Rico Azeredo, diretor da ProWine São Paulo, braço paulista da feira alemã ProWein, a maior em negócios do vinho na atualidade.

Além deles, Felipe Galtaroça, CEO da Ideal, consultoria que analisa os números da importação de brancos e tintos e da comercialização das vinícolas brasileiras, também arriscou alguns palpites sobre o mundo de Baco.

Confira, a seguir, as dez principais tendências para 2021 no mundo do vinho:

1 – O preconceito com o vinho brasileiro deve diminuir. O dólar alto levou os consumidores a comprarem os brancos e tintos nacionais. Ao provarem a bebida, foram surpreendidos pela boa qualidade. “Existe uma abertura maior do consumidor para o vinho nacional. Ele pode chegar ao nacional pelo preço, mas gosta do que prova”, diz Felipe Galtaroça, da Ideal.

2 – Conceitos como o beber com moderação, procurar vinhos com menor porcentagem de álcool e até campanhas como um mês sem consumir bebidas alcoólicas devem ganhar mais adeptos. “O controle do consumo de álcool e as campanhas de beber com moderação crescem em importância na Europa e não devem demorar para chegar no Brasil”, diz Lanari, da Wine Intelligence.

3 – As empresas de e-commerce, atualmente concentradas em rótulos europeus, com destaque aos espanhóis, devem aumentar a oferta de vinhos chilenos e argentinos em seus portfólios. “No início, essas empresas focaram na Europa para não entrar em competição direta com os supermercados, que traziam muitos vinhos sul-americanos”, diz Galtaroça. Isso deve acirrar a competição entre os dois canais de venda, que são aqueles que mais cresceram neste ano.

4 – Crescerá a importação dos vinhos baratos da Argentina. Ao contrário do Chile, com os seus vinhos básicos, a Argentina sempre priorizou a sua exportação para os vinhos de valor acima dos US$ 20 a caixa de 9 litros para o Brasil. Neste segundo semestre, houve uma mudança deste foco. Em 2019, os vinhos com preço FOB (sem os impostos) de até US$ 19,90 a caixa de 9 litros representavam 29% das exportações do país para o Brasil. Agora, até outubro de 2020, essas exportações representam 43% do total, de acordo com os dados da Ideal.

5 – As embalagens de formato alternativo, como as latas e o bag in box, ganham espaço. No Brasil, a bag in box ainda depende da volta de funcionamento dos restaurantes, porque seu consumo é maior com o vinho em taça nesses estabelecimentos. Na Europa e nos Estados Unidos, esse consumo cresce até por uma preocupação com uma embalagem mais sustentável. “As latas, que fazem sucesso principalmente nos Estados Unidos, encontraram fidelidade nos jovens consumidores e vêm ganhando força por aqui”, diz Rico Azeredo, da ProWine.

6 – A categoria “ready to drink” aparece como forte tendência, com bebidas feitas com água com gás, baixo teor alcoólico e sabor frutado. “Acompanhamos vinícolas europeias apostarem fortemente nesta tendência, o que deve chegar em breve no Brasil”, diz Azeredo.

7 – As vinícolas vão criar relacionamentos diretos mais duradouros com suas bases de clientes. Com a pandemia, essas empresas foram obrigadas a investir nos seus canais online e estão descobrindo que não precisam de intermediários para ter acesso aos consumidores. Devem explorar esse canal não apenas com promoções de venda, mas para engajar seus consumidores.

8 – O gargalo do varejo online, principalmente entre os consumidores mais jovens, será o prazo de entrega. Não basta vender, é preciso entregar rápido. Ganhará mercado quem solucionar esse prazo. “O consumidor não admite mais comprar facilmente, por melhor que seja o site, mas esperar duas semanas para receber o vinho”, diz Lanari.

9 – As marcas de vinho mais conhecidas tendem a levar vantagem nas vendas. “Pesquisas mostram que a bebida é um assunto periférico para a maioria dos consumidores e que está diminuindo a memória da marca, até porque o consumidor está com menos tempo para escolher seu vinho”, alerta Lanari. Deve ganhar espaço aquelas vinícolas que souberem investir em suas marcas e criarem embalagens de fácil reconhecimento visual.

10 – A falta de insumos, como garrafas e embalagens, registrada este ano, deve continuar em 2021 e pode ser mais importante do que o fator câmbio para definir a porcentagem dos importados e dos vinhos brasileiros no mercado.

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