Dividendos extraordinários podem voltar na Vale, mas depende do mercado

Executivos da mineradora esperam melhora no mercado de minério de ferro para avaliar se podem voltar a repassar mais recursos aos acionistas, que não gostaram do desempenho no 2º trimestre

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No ano passado, Vale pagou R$ 72,7 bilhões em dividendos e JCP

Depois de registrar um desempenho abaixo do esperado no segundo trimestre e dividendos mínimos para os acionistas, a Vale sinalizou que está de olho nas condições de mercado para eventualmente pagar dividendos extraordinários até o final do ano. 

Para isso, salientaram os executivos, será necessária uma recuperação significativa dos preços do minério de ferro. As cotações pesaram negativamente sobre o desempenho no segundo trimestre, divulgados na quinta-feira, dia 28 de julho, assim como os custos mais elevados em minério de ferro e fraco desempenho na parte de cobre. 

A commodity apresentou um preço médio de US$ 137,90 a tonelada no período, quedas de 2,6% na comparação com o primeiro trimestre e de 31% ante o mesmo período de 2021, diante dos receios de desaceleração global. 

“A volatilidade está forte em minério de ferro, mas a situação costuma ser melhor no segundo semestre”, disse Eduardo Bartolomeo, presidente da mineradora, em teleconferência com analistas. “Se o mercado melhorar, poderemos ter dividendos extraordinários.”

Os executivos da Vale esperam que o preço do minério de ferro ganhe impulso na segunda metade do ano com a retomada dos investimentos em infraestrutura na China. 

A Vale colocou como prioridade nos últimos tempos dar maior retorno aos seus acionistas, seja via dividendos ou recompra de ações. No ano passado, a empresa pagou R$ 72,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), segundo levantamento feito pela TC/Economática. 

Em abril, a companhia anunciou seu mais recente programa de recompra de ações, com autorização para adquirir até 10% das ações em circulação, cerca de 500 milhões de papéis. 

“Nós estamos agindo em linha com o que falamos, estamos retornando valor aos acionistas”, disse Gustavo Pimenta, CFO da Vale, destacando que, no caso dos dividendos extraordinários, o pagamento também vai depender da geração de caixa. 

Junto com os resultados do segundo trimestre, a Vale anunciou o pagamento de R$ 16,2 bilhões em dividendos. Ainda que positivo, os analistas do Itaú BBA destacaram que se trata do patamar mínimo. 

A Vale fechou o segundo trimestre com um lucro líquido ajustado de US$ 4,1 bilhões (R$ 21,2 bilhões), queda de 49,7% em relação ao segundo trimestre de 2021. Na mesma base de comparação, receita caiu 32,4%, para US$ 11,1 bilhões (R$ 58 bilhões), e o Ebitda ajustado teve redução de 53,1%, a US$ 5,2 bilhões (R$ 27,2 bilhões). 

Por volta das 13h16, as ações da Vale caíam 2,56%, a R$ 68,88. No ano, elas acumulam queda de 12%, levando o valor de mercado da empresa a R$ 326,7 bilhões.

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