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Ele criou a web. E agora quer ajudar a corrigir o rumo tomado pela sua invenção

Inventor da World Wide Web, o britânico Tim Berners-Lee está preocupado com o mau uso de sua criação pelas big techs. Para mudar esse cenário, ele fundou a Inrupt, startup que está lançando a versão corporativa de uma plataforma que permite aos usuários terem mais controle sobre seus dados pessoais

 

Tim Berners-Lee: fundador e chief technology officer da Inrupt

Cientista da computação e mais conhecido por ser o criador da World Wide Web, o britânico Tim Berners-Lee vem manifestando, há tempos, sua preocupação com o uso de sua invenção pelas big techs. Especialmente no que diz respeito a temas como transparência e controle dos dados pessoais.

“Por todo o bem que nós temos alcançado, a web caminhou para se tornar um mecanismo de desigualdade e divisão, manejada por forças poderosas que a usam para suas próprias agendas”, escreveu ele, em 2018.

Um ano antes, com essas questões em mente, ele fundou a Inrupt, startup que busca oferecer uma alternativa para frear a utilização de informações pessoais, ao permitir que os usuários tenham maior controle sobre o que e com quem compartilham seus dados.

Nesta segunda-feira, 9 de novembro, a novata deu um novo passo em direção a essa missão, ao anunciar a criação da versão para empresas da Solid, plataforma desenvolvida em parceria com cientistas do Massachusets Institute of Technology (MIT).

Com a Solid, os usuários podem escolher as informações que vão dividir com outras companhias e aplicativos de terceiros. “As tecnologias que nós estamos lançando hoje são componentes muito necessários no curso de correção da web”, disse Berners-Lee, que também é chief technology officer da Inrupt, em seu blog, nesta segunda-feira.

Entre os casos que evidenciam as preocupações do cientista da computação estão o uso de informações de forma inapropriada por redes como o Twitter e o Facebook.

Esse pacote inclui, por exemplo, o escândalo da Cambridge Analytica, no qual os dados de mais de 50 milhões de usuários da rede social de Mark Zuckerberg foram usados para fins políticos e influenciaram a eleição americana vencida por Donald Trump, em 2016, além do referendo do Brexit.

O cenário ilustrado por Berners-Lee passa também por casos como o disparo massivo de fake news por meio do WhatsApp, em 2018, durante a corrida presidencial brasileira.

Com o objetivo de corrigir esse rumo, a Inrupt já captou £ 5 milhões em investimentos e conta com equipes em centros como Boston, Nova York, Londres, Dublin, Amsterdam e Oslo. Fruto de um trabalho de dois anos desse time, em colaboração com o MIT, a versão corporativa da plataforma já está sendo usada por alguns clientes.

O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, por exemplo, está utilizando a ferramenta para permitir que os pacientes armazenem e compartilhem informações médicas em smartphones usando os “pods”, uma espécie de hub de dados pessoais.

“Eles pegam fragmentos de dados sobre você e escrevem no seu pod, na sua área de armazenamento. Então, quando você vai visitar um médico, pode dizer: ‘olha, isso é tudo sobre mim'”, explicou John Bruce, CEO da Inrupt, ao site americano Business Insider.

A plataforma também já é adotada pelo grupo britânico de comunicação BBC e pelo banco NatWest, do Reino Unido. Outro cliente que já está testando a solução é o governo de Flandres, região no norte da Bélgica.

Também em entrevista ao Business Insider, Berners-Lee afirmou que a web, como é usada atualmente, fragmenta os dados em “silos de rede social”, sobre os quais os usuários têm muito pouco poder. Já em seu blog, ele classificou o anúncio de hoje como um grande marco e acrescentou:

“Essas tecnologias mudarão fundamentalmente como as organizações conectam as pessoas com suas informações e criam valor em conjunto. Isso gerará oportunidades inovadoras que não apenas restaurarão a confiança nos dados, mas também irão aprimorar nossas vidas.”

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