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Negócios

Em 2020, a festa dos IPOs vai ficar ainda mais animada no Brasil

Em 2019, as empresas captaram aproximadamente R$ 80 bilhões em aberturas de capital e follow-ons. No próximo ano, a estimativa é superar os R$ 120 bilhões. Na lista, nomes como Locaweb, Banco Votorantim e Gaspetro

 

Abertura de capital da joalheria Vivara. Em 2020, o mercado vê mais IPOs no radar

A estreia da XP Inc. na bolsa americana Nasdaq em 11 de dezembro pode ter sido a apoteose das ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) de empresas brasileiras neste ano, mas o show está longe de sair de cartaz. Ao contrário: tudo indica que a próxima temporada será ainda mais interessante.

“O Brasil tem tudo para ter recorde no ano que vem”, disse recentemente Gilson Finkelsztain, presidente da B3, em um recente encontro com jornalistas. O executivo que comanda a bolsa brasileira estima que haja entre 20 e 30 ofertas de ações em andamento atualmente.

De acordo com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), até novembro, as companhias locais realizaram cinco IPOs e 31 follow-ons (emissões de ações posteriores à abertura de capital). O total de operações (36) já é o maior desde 2007, quando foi registrado um recorde de 76. Em valores, porém, os R$ 78,3 bilhões contabilizados até novembro já transformaram 2019 no campeão de emissões de ações, entre IPOs e follow-ons, desbancando os R$ 75,5 bilhões de 2007 inteiro.

Neste ano, o mercado deve fechar com um volume total próximo de R$ 80 bilhões. O resultado seria um recorde se a mega-oferta da Petrobras, de 2010, fosse excluída. Naquele ano, o movimento que é considerado atípico fez o total superar R$ 100 bilhões.

Estrearam na bolsa, o Grupo SBF, dono da rede de materiais esportivos Centauro, Neoenergia, Vivara, Banco BMG e C&A, que movimentaram um total de R$ 9,5 bilhões, dos quais, R$ 3,1 bilhões em emissões primárias (quando o dinheiro entra no caixa da companhia) e R$ 6,3 bilhões em ofertas secundárias (quando o dinheiro vai para os controladores).

Acrescente-se o fato de que, na primeira quinzena de dezembro, quatro empresas iniciaram seu registro de companhia aberta junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), com vistas a um eventual IPO: a Cagece, companhia de saneamento do Ceará; Locaweb, de tecnologia de dados; e as incorporadoras Moura Dubex, de Recife; e Mitre, de São Paulo.

A estimativa, segundo bancos de investimentos, é que as captações e follow-nos podem superar os R$ 120 bilhões em 2020, o que seria um recorde. A fila de empresas que pode abrir o capital, além daquelas que já fizeram registro na CVM é extensa.

Segundo fontes do mercado financeiro, a lista inclui a catarinense da área de shoppings Almeida Junior, o birô de crédito Boa Vista SCPC e as construtoras Kallas e Cury. O Banco Votorantim também pode abrir o capital no primeiro trimestre de 2020. E a Petrobras já falou da intenção de levar a subsidiária Gaspetro à Bolsa no segundo semestre de 2020. Por fim, a Caixa Econômica Federal conta com várias empresas que podem fazer IPO, como a de Seguridade, a de Cartões e a sua gestora.

Conjuntura econômica

O interesse pelo mercado acionário é estimulado também pela conjuntura econômica. “A combinação de juros baixos e redução da participação do financiamento via bancos públicos tem se mostrado poderosa no processo de busca de recursos no mercado de capitais”, afirma Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes da B3. E mais: a elevada fatia de emissões secundárias nos IPOs mostra que eles são vistos “como uma alternativa atraente para a saída dos gestores de fundos.”

Diante da expectativa de juros ainda mais baixos em 2020 (parte dos economistas apostam que a Selic caia para 4% ao ano), não será surpresa se mercado acionário acelerar ainda mais. O que pouco se disse ainda, e que começa a se consolidar como um cenário consistente, é o perfil das operações do ano que vem.

Diante da expectativa de juros ainda mais baixos em 2020, não será surpresa se mercado acionário acelerar ainda mais

Em primeiro lugar, não se espera, necessariamente, um aumento no número total de operações, que totalizaram 36 até novembro. Mesmo girando ao redor disso em 2020, o que se vislumbra é uma participação maior dos IPOs nesse total. “Teremos um mix de operação um pouco mais variado, com os IPOs respondendo por 30% a 40%”, afirma Fábio Nazari, sócio do BTG Pactual, responsável pela estruturação de operações de renda variável.

Outra diferença será no porte das emissões. Em vez de cifras astronômicas, será a vez das empresas médias brilharem. “As ofertas tendem a ser mais numerosas e com volumes menores, indicando que companhias pequenas e médias podem se beneficiar desse novo ciclo”, diz Paiva, da B3. Nazari, do BTG Pactual, acrescenta que, embora “haja espaço para todos”, as empresas que devem ser mais vistas nos IPOs são as de varejo, construção civil e infraestrutura.

Não é coincidência, portanto, que as incorporadoras e as empresas de energia elétrica lideraram os follow-ons neste ano, e que duas das quatro companhias em processo de abertura de capital sejam de construção civil. “Estamos saindo de um ambiente contracionista e vemos o consumo interno se recuperar. Isso não é conversa; estamos vendo acontecer”, diz Nazari, do BTG Pactual.

Mas como todo primeiranista de economia sabe, só existe mercado se houver demanda. Não adianta nada, se muitas empresas quiserem vender ações, e ninguém, comprá-las. Por isso, a pergunta seguinte é: há gente disposta a investir nas companhias brasileiras. A resposta do mercado é um convicto sim.

De um lado, os juros baixos estimularam os fundos de investimento a se arriscarem mais em renda variável. De acordo com a Anbima, a participação dos fundos, em oferta de ações, saltou de 26,6% em 2018, para 43,5% no acumulado até novembro. Outros investidores institucionais, como bancos e fundos de previdência privadas, também passaram de tímidos 1,2% para 7%.

Já os estrangeiros recuaram de 63,7% para 42% do total. Parece que eles estavam mais desconfiados sobre a bolsa do que nós (ou tinham mais opções), mas isso está para mudar, segundo Nazari, do BTG Pactual. O executivo destaca uma mudança na “qualidade” dos estrangeiros que voltaram a perguntar do Brasil.

“Investidores estrangeiros de peso, que não compraram Brasil nos últimos dois ou três anos, estão voltando”, diz Nazari. Isso é um atestado e tanto para aguçar o interesse de outros agentes. Afinal, se quem lida com dinheiro grosso já recolocou o país no radar, por que os menores ficariam de fora? Assim, Nazari enxerga a confluência de forças poderosas alimentando o mercado de IPOs. “Os investidores institucionais locais e os estrangeiros serão os dois vetores mais importantes do ano que vem”, diz.

Mas, aí, chega-se ao último problema de 2020. Sim, os investidores estrangeiros querem comprar ações de empresas brasileiras, e elas querem tê-los como investidores. Mas, quem disse que o negócio precisa ser feito, necessariamente, na bolsa brasileira? O exemplo mais eloquente foi o IPO da XP Inc., dona da gestora XP Investimento e das corretoras Rico e Clear, entre outros.

Suas ações foram lançadas na Nasdaq, em Nova York, a US$ 27 por papel – acima do preço recomendado pelos líderes da operação, de US$ 22 a US$ 25 -, e fecharam o primeiro dia de negociações com uma disparada de 27%. A demanda pelos papéis, no IPO, foi dez vezes maior que o volume ofertado.

Nada impede que outras brasileiras sigam a XP Inc., reconhece Paiva, da B3. “Sabemos que a competição nesse mercado é global”, diz. Há nuances que podem levar as empresas a preferirem uma bolsa estrangeira, como a burocracia menor, o valuation mais “esticado”, isto é, empresas semelhantes são mais valorizadas por lá, a reputação internacional etc.

Mas a B3 está se armando para reagir. “Estamos trabalhando para criar condições cada vez mais competitivas e atraentes para nossos clientes interessados em realizar ofertas públicas”, diz Paiva. “Um dos focos atuais da B3 junto aos reguladores é permitir o processo de dupla listagem e emissão de BDRs de companhias brasileiras que optam por abrir capital no exterior, além de eliminarmos possíveis travas regulatórias.”

Já Nazari, do BTG Pactual, lembra outro ponto fundamental. “Não é o local que direciona o valuation; é a história da empresa.” Como exemplo, o executivo cita empresas como o Magazine Luiza e a Movida, cujos papéis são listados na bolsa brasileira e são negociados a múltiplos elevados, têm liquidez e estão impressionando os investidores. “Nenhuma delas está listada lá fora”, diz.

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