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Em evento “drive thru”, Elon Musk promete superesportivo, modelo econômico e bateria reciclável

Battery Day, como é chamado o evento anual de encontro com investidores da Tesla, foi marcado por explicações técnicas e propostas agressivas, como a fabricação de 20 milhões de carros por ano. Na bolsa, fabricante caiu mais de 5%

 

Battery Day durou mais de três horas e foi exibido ao vivo

Com um palco montado diante de fileiras de Teslas multicoloridos, Elon Musk conduziu o primeiro Battery Day, como é chamada a reunião anual de investidores da empresa, em um esquema “drive thru”. 

Ao volante de seus carros, clientes, fãs da marca e investidores usaram suas buzinas como aplausos e fizeram barulho em diferentes momentos da apresentação, que durou mais de três horas. 

Como é típico de Musk, boa parte do evento foi dedicada a explicações técnicas. A primeira novidade apresentada por Musk, para honrar o nome do encontro, foi a bateria 4680, que tem cinco vezes mais energia, seis vezes mais potência e alcance 16% maior. Tudo isso com uma economia importante: menos 14% por kw. 

No chat virtual, disponível na página do YouTube da Tesla, onde o evento foi exibido ao vivo, muitos usuários se disseram decepcionados com o anúncio, já que esperavam uma bateria ainda mais parruda.

Mas os ânimos voltaram às alturas diante das promessas de Musk, que garantiu o lançamento de um modelo econômico, de US$ 25 mil, em três anos. Ainda segundo o empresário, esse carro de entrada seria também completamente autônomo, dispensando a interferência de um motorista. 

Outro compromisso firmado pelo empresário durante o evento foi o de produzir, no futuro, baterias 100% recicláveis, o que tornaria desnecessária a mineração de lítio, cujo principal efeito colateral é a poluição das águas.

Por fim, Musk anunciou que já está aberta a pré-venda do Model S com o chamado “Plaid Mode” – algo como “modo xadrez”, em tradução literal. Trata-se de um superesportivo, capaz de produzir 1,1 mil cavalos de força – o suficiente para levar o veículo de 0 a 100 km/h em menos de 2 segundos. 

Vendido por US$ 140 mil, o Model S Plaid pode desenvolver 320 km/h de velocidade máxima, e rodar mais de 800 km com uma única carga. Segundo a Tesla, as primeiras unidades do modelo superesportivo serão entregues no final de 2021.

Esse nome “Plaid”, ou “xadrez”, foi inspirado no filme Spaceball, um longa de 1987 que satiriza a consagrada história de Star Wars.  No roteiro de George Lucas, quando as naves espaciais entram no “hiperespaço” e viajam mais rápido do que a velocidade da luz, raios de luz aparecem na tela. Já em Spaceballs, uma nave espacial pode ir tão rápido que os raios de luz se tornam xadrez.

Brincadeiras à parte, Musk falou sério quando disse que pretende elevar sua produção a 20 milhões de unidades por ano. Em 2019, a companhia entregou pouco mais de 367 mil carros próprios. Para fins de comparação, no ano passado, o grupo Volkswagen, que fabrica e comercializa marcas como Volkswagen, Audi e Porsche, além de outras, vendeu 11 milhões de carros no mundo todo  

E, embora Musk tenha se empenhado para aumentar sua produção, a qualidade tem cobrado o seu preço. No ranking da J.D. power, uma empresa americana de análise de dados e inteligência do consumidor, a Tesla ficou na última posição em uma pesquisa de qualidade.

No relatório, os carros Tesla apresentaram 250 problemas para cada 100 veículos, muito acima da média do setor, que é de 196 problemas para cada 100 modelos. 

A Tesla fechou o pregão da terça-feira, 22 de setembro, em queda de 5,6%. Ainda assim, a companhia sustenta o mais alto valor de mercado da indústria automobilística, de US$ 395 bilhões.

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