Funding for equity: a meta de R$ 1 bilhão da XP

A empresa está captando para um FIP que vai dar crédito e buscar contrapartida em equity em companhias que já passaram a barreira das rodadas de série A

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O cenário é turbulento e, evidentemente, claro. Muitas empresas ainda vão sofrer com quedas de receitas por conta dos ecos causados pela pandemia, a rápida subida da taxa de juros pegou muitos departamentos financeiros no contrapé e as eleições presidenciais prometem gerar turbulências para os negócios.

Nesse ambiente, cash is king. E é aí que a XP pretende aproveitar as oportunidades que podem surgir na economia brasileira mesclando uma estratégia de crédito e equity. O NeoFeed apurou que a companhia está no meio de um roadshow de captação do fundo XP Special Opportunities FIP Multiestratégia.

A meta: buscar R$ 834 milhões, podendo alcançar R$ 1 bilhão com o lote suplementar. O fundo seguirá a instrução 400 da CVM. Apenas investidores qualificados, aqueles com mais de R$ 1 milhão em dinheiro, poderão participar. E a XP está colocando a sua máquina de captação, tanto B2C como B2B para funcionar.

Procurada, a companhia não se pronunciou. Mas fontes com as quais o NeoFeed conversou disseram que o FIP da XP pretende aproveitar oportunidades de “investir” em empresas com alto potencial de crescimento. “Querem entrar em companhias que já passaram de um estágio como uma rodada de série A”, diz um investidor que conheceu os detalhes do produto. “A ideia é prover funding e pedir contrapartida em equity.”

A XP é constantemente acionada para ser um “bolso relevante” para as empresas. “Algumas dessas companhias deram muito certo e a XP acabou não surfando nessa onda”, diz um profissional de mercado. Um dos casos mais emblemáticos é o da Creditas.

A XP foi cotista de um Fidc da Creditas, mas não teve equity. Hoje, o valuation da fintech está em US$ 4,8 bilhões e ela deve buscar uma avaliação de US$ 10 bilhões na bolsa americana. Há, entretanto, casos de êxito do grupo na estruturação financeira e a companhia pretende replicar esse modelo no FIP que está sendo lançado para captação no mercado.

Um desses exemplos é o da empresa de crédito Rebel, que se uniu com a Geru e criou a Open Co. A XP era sócia da Rebel, tendo entrado no early stage. Ao mesmo tempo, era uma das principais financiadoras da Geru. E incentivou a união das duas. Depois de um aporte de US$ 100 milhões liderado pelo Softbank na Open Co, a participação da XP na operação combinada passou a valer cinco vezes mais em dólar.

Outro caso é o da 3R Petroleum. Quando a companhia arrematou campos de extração de petróleo da Petrobras, a XP deu funding para a empresa comprando debêntures conversíveis. Ao longo do tempo, a 3R teve dois aumentos de capital. Depois, quando a 3R partiu para o IPO, a XP converteu a debênture em cotas de um FIP, o XP Special Situations, que detinha participação na 3R. Nominalmente, a XP colocou R$ 30 milhões e devolveu R$ 180 milhões para os investidores.

Nesse novo fundo que está sendo captado, o tíquete de entrada será de R$ 25 mil, na Classe A, quando o investidor precisa aportar o dinheiro na largada. Já na classe B, quando o investidor colocará o dinheiro no momento que a XP chamar capital, serão R$ 2 milhões.

Ele será um fundo fechado, com prazo de seis anos, podendo prorrogar por mais dois anos. E o prazo de investimento nas companhias será de até três anos. O NeoFeed apurou que a companhia já teria um deal flow mapeado e alguns contratos assinados.

Se o dinheiro dos investimentos que forem feitos inicialmente voltar nos dois primeiros anos, ele poderá ser reinvestido. A partir do terceiro, retorna para o cotista. As taxas que serão cobradas são as de padrão 2% – 20%. O Special Opportunities terá um retorno mínimo de IPCA mais 8%. Mas a XP vai buscar operações que vão dar 25% ou mais por ano.

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