Softbank “dá crédito” de R$ 600 milhões para a Open Co

O fundo japonês lidera nova rodada na Open Co, fintech de crédito sem garantia fruto da união de Rebel e Geru. O dinheiro chega nove meses depois do último aporte. Conheça os planos

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Os fundadores da Open Co: Rafael Pereira (à esq) e Sandro Reiss

Nove meses após captar R$ 150 milhões junto ao International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos do Banco Mundial no setor privado, a fintech Open Co está de volta ao mercado. Nesta quarta-feira, 15 de dezembro, a companhia que atua na área de crédito sem garantia anunciou um aporte de R$ 600 milhões liderado pelo Softbank.

O novo cheque será usado pela Open Co, que nasceu em março deste ano após a fusão das startups Geru e Rebel, para financiar o crescimento da companhia. Já são 200 mil clientes ativos, o dobro do registrado logo após a fusão. No mesmo período, o valor em empréstimos aumentou de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,3 bilhões.

“Hoje a Open Co já é uma empresa com uma operação rentável, com transações que dão lucro. Mas o nosso negócio precisa de capital para crescer”, diz ao NeoFeed Sandro Reiss, cofundador da Open Co ao lado de Rafael Pereira.

A rodada está também sendo seguida pelos atuais investidores, incluindo a Raiz Investimentos, a IFC e a LTS, veículo de investimentos de Jorge Paulo Lemann, Marcelo Telles e Beto Sicupira.

Além de investir em tecnologia para criar maneiras de ampliar a capacidade de emprestar dinheiro, a Open Co usará os recursos para criar mais linhas de crédito voltadas para fins específicos. A ideia é ofertar produtos diferentes para quem quer refinanciar uma dívida ou abrir um negócio, por exemplo.

Está também no radar o financiamento de um modelo “buy now pay later”, que funciona como uma espécie de crediário digital em que a fintech serve como intermediária entre o consumidor e a loja online.

Segundo a Open Co, o mercado de crédito sem garantia movimenta R$ 1,1 trilhão ao ano, dos quais R$ 700 bilhões correspondem a créditos rotativos e que contam com taxas de juros que podem ultrapassar os 300% ao ano.

A fintech informa ainda que cerca de 52% dos brasileiros recorrem ao crédito para pagar despesas básicas, o que contribui para aumentar o número de endividados, que hoje soma mais de 62 milhões de pessoas no País.

“O endividamento das famílias já chegou no consumo de comida no supermercado e estamos vendo antecipadamente um cenário que deve ficar ainda pior porque os juros ainda não subiram tudo o que pode subir no ano que vem”, afirma Leonardo Trevisan, professor de economia da ESPM.

Uma pesquisa realizada pelo Serasa com a Opinion Box aponta que e 79% dos brasileiros buscaram crédito durante a pandemia e 37% tiveram seus pedidos negados. A maior parte das negativas (40%) estava relacionada ao fato de que as pessoas que buscavam crédito tinham baixa ou nenhuma renda.

“Esse cliente está completamente expulso do mercado de crédito ou tem acesso a um crédito de péssima qualidade e com condições terríveis”, diz Reiss. “É desafiador desenvolver produtos financeiros para este público. Não há clientes ruins, mas sim com mais ou menos risco.”

A Open Co tenta resolver esse problema. Personalizadas, as taxas de juros para os empréstimos pessoais ofertadas pela startup partem de 1,9% ao mês. O desafio da Open, no entanto, é manter a taxa de inadimplência sob controle.

A fintech não divulga sua taxa atual de clientes inadimplentes, mas diz que ela fica na média do mercado. A chave para fazer isso envolve técnicas de ciências de dados para tentar encontrar, dentre todos os solicitantes, aqueles que podem ter crédito, o valor ideal e as taxas que precisam ser cobradas.

A Open Co não compete diretamente com serviços ofertados por nomes conhecidos como Crefisa e Creditas, que exigem algum bem como garantia para o empréstimo. Entre as concorrentes no mercado de empréstimo sem garantia estão startups menores, como a Empréstimo Sim e Provu.

Lucrativa, a Open Co tira parte de sua receita também de uma operação focada no B2B e que deve ganhar novos investimentos neste ano. Criada há três anos, a divisão representa uma fatia de 40% dos negócios da empresa.

Os planos para impulsionar a área, que já tem parceria com a Ame, a carteira digital da Americanas, e a Voltz, a conta digital da Energisa, no entanto, ainda estão em sigilo. A meta é ter um crescimento ainda maior em 2022 do que o obtido neste ano, quando triplicou de tamanho.

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