Gorila capta R$ 100 milhões e quer virar sócia de escritórios de investimentos

A fintech, que tem 100 escritórios como clientes de sua plataforma de consolidação e controle de investimentos, vai usar mais da metade do dinheiro para comprar participações minoritárias. Rodada é liderada pela Iporanga Ventures

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A Gorila tem 500 mil investidores pessoa física usando o seu aplicativo

A Gorila, uma plataforma de consolidação e controle de investimentos, quer virar sócia de seus clientes, os escritórios de investimentos, a maioria formado por agentes autônomos, que usam a tecnologia da companhia para monitorar e gerenciar as aplicações dos investidores que atendem.

Para colocar esse plano em açao, a companhia acaba de receber um aporte de R$ 100 milhões, liderada pelo fundo brasileiro Iporanga Ventures. Participaram também da rodada o fundo americano Ribbit, o euroasiático Apis Partners, que tem sede em Londres, e os locais Monashees e 2TM.

“Acreditamos que grande parte do valor do mercado de distribuição de investimentos está no relacionamento com os clientes, e os escritórios de investimento têm esse relacionamento”, afirma Guilherme Assis, CEO e um dos fundadores da Gorila.

Segundo Assis, “mais da metade” dos R$ 100 milhões captados será usada para comprar participações minoritárias em escritórios, algo entre 10% e 20%.

O primeira investimento da lista é a Vita Investimentos, consultoria de investimentos fundada em 2016 por Ricardo Guimarães Filho, com presença no Brasil e Estado Unidos, e que conta com mais de R$ 1,5 bilhão de ativos sob custódia e aproximadamente 100 famílias como clientes.

A Gorila não revela o montante investido no escritório nem qual será a fatia que terá. Assis afirma que já tem conversas adiantadas com outros escritórios e que espera chegar a algo entre 8 e 12 investimentos feitos nos próximos meses.

Fundada em 2016, a Gorila tem cerca de 100 escritórios como clientes e estima que alcançará a marca de 300 até o fim do ano que vem.

De acordo com o CEO, outro fator que alimenta o interesse em ser sócio dos escritórios é o open finance, uma evolução do open banking, que permitirá, a grosso modo, que os clientes do sistema financeiro compartilhem suas informações entre as diferentes instituições financeiras.

“Isso vai aumentar a competição de bancos com corretoras e mais pessoas vão ter contas e posições de investimentos em mais de uma instituição, e poderemos ajudar os escritórios com tecnologia para eles enxergarem esse portfólio global do investidor cliente, oferecendo uma experiência melhor”, diz Assis.

Uma vez sócio dos escritórios, a Gorila pretende colaborar com melhorias em governança, consultoria para o negócio, atração de clientes por meio de canais digitais e a integração de novas tecnologias que ampliem a escalabilidade da operação. Ao investir na melhoria dos serviços dos escritórios, a Gorila espera gerar receita junto com eles.

“Para citar algumas possibilidades: veremos desde a portabilidade de investimentos com um clique, passando por rebalanceamento de carteira automático realizado em diferentes instituições, até a abertura de contas automáticas com transferência de dinheiro e execução do investimento, o equivalente ao ‘one click buy’ da Amazon para o mercado de investimentos”, diz o fundador da Gorila.

Trata-se de um movimento da Gorila para se reforçar em um mercado que está cada vez mais concorrido, com nomes que atuam como plataforma de consolidação para investidores pessoas físicas, como Guiabolso, IM+, TradeMap e TC, ou para os escritórios,  como Smartbrain, Ability Invest, AAWZ e Kokpyt.

São empresas que têm buscado ir além da simples oferta de uma ferramenta de gestão. O IM+ e o TC, por exemplo, apostam em produtos de educação, com cursos para os investidores. O Trademap, por sua vez, tem investido em conteúdo. O Guiabolso, comprado pelo PicPay, é uma referência em open banking.

A aposta da Gorila se baseia principalmente na popularização dos investimentos no Brasil. Em junho, havia 12,2 mil profissionais agentes autônomos no mercado, 51% a mais que um ano antes, segundo dados da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras (Ancord).

O restante do dinheiro captado pela Gorila será usado para aumentar o time da fintech e também para investir em novos produtos. A equipe – que hoje tem 85 pessoas, dos quais 50 engenheiros – deve passar a ter algo entre 100 e 120 no ano que vem.

A plataforma, além de ter os escritórios de investimentos como clientes, com a cobrança de uma taxa mensal, atua também diretamente com os investidores pessoas físicas, com a oferta de um aplicativo que consolida os investimentos, que tem uma versão gratuita e com planos mensais pagos que vão de R$ 24,90 a R$ 59,90.

Hoje, a Gorila tem 500 mil investidores pessoa física usando o aplicativo, número que esperar dobrar em 2022.

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