Sinais trocados: agora chegou a vez do TC virar acionista do Mercado Bitcoin

O TC (ex-TradersClub) está realizando um aporte de US$ 15 milhões na 2TM, holding que controla a plataforma de criptoativos. O Mercado Bitcoin, por sua vez, ajudou a ancorar o IPO do TC. Entenda por que o TC está mirando esse mercado

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O relacionamento íntimo entre TC (ex-TradersClub) e Mercado Bitcoin acaba de dar mais um passo. Depois de a plataforma de criptomoedas ter sido um dos investidores que ancoraram o IPO da comunidade de investidores, realizado em julho e que levantou R$ 607 milhões, chegou a vez de o TC “retribuir” e fazer um aporte no lado de lá.

Em comunicado anunciado na manhã desta quarta-feira, dia 6 de outubro, o TC informou que está comprando uma participação na 2TM, a holding que controla o Mercado Bitcoin. O investimento é de US$ 15 milhões e, segundo o anúncio, se insere na rodada realizada pelo SotfBank em julho, de US$ 200 milhões.

Será, porém, uma participação pequena, se for considerado o valor de mercado atribuído ao Mercado Bitcoin, de US$ 2,1 bilhões, após o aporte do SoftBank.

Os laços entre as duas companhias ainda envolvem a figura de Gustavo Chamati, que é um dos fundadores do Mercado Bitcoin e hoje compõe o conselho de administração do TC.

A relação, porém, começou antes mesmo do IPO do TC. Em 2020, o Mercado Bitcoin anunciou uma parceria de conteúdo com a comunidade de investidores fundada por Rafael Ferri, no qual seria o curador do Canal Cripto.

Agora, o TC espera avançar com novas parcerias, para se beneficiar do avanço da indústria de criptoativos. “Eventuais parcerias junto à 2TM permitiriam à companhia expandir receitas através de cross-selling para seus próprios clientes, bem como alcançar novos clientes nativos do mercado de criptoativos, expandindo seu público endereçável”, afirma o comunicado.

A comunidade de investidores também acredita que poderá dar o primeiro passo para concretizar o plano de integrar corretoras à plataforma, para que os clientes negociem ativos sem sair do ambiente do TC. No caso do Mercado Bitcoin, abriria caminho para a execução de ordens de criptoativos.

“A execução de ordens de criptoativos dentro plataforma TC via Mercado Bitcoin gerará uma fonte de receita adicional independente das assinaturas oferecidas atualmente pela companhia”, diz a empresa, avaliada em R$ 1,637 bilhão.

Segundo o comunicado, o Mercado Bitcoin tem 3 milhões de usuários e transacionou mais de R$ 30 bilhões nos primeiros oito meses de 2021. O TC tem 502 mil usuários, dos quais 88 mil pagam uma assinatura mensal.

Ao investir na holding do Mercado Bitcoin, o TC dá mais um passo para ser um marketplace de diversos serviços financeiros. A empresa, que nasceu com grupos de WhatsApp para discutir o mercado financeiro e depois passou a ter a própria plataforma para realizar os debates, agora é uma comunidade que também oferece cursos, ferramentas tecnológicas para investidores e está em busca de mais.

Na semana passada, anunciou a compra, por R$ 40 milhões, da Economática, uma plataforma que analisa dados de mais de 250 setores da economia, com cerca de 5 mil empresas e mais de 27 mil fundos de investimentos.

Ao avançar sobre o mercado de ativos digitais, com o investimento no Mercado Bitcoin, o TC aposta em um setor que está em expansão. Segundo um relatório do Bank of America, este mercado já atinge US$ 2,1 trilhões em todo o mundo.

Em junho, disse o banco, o número de usuários que já haviam negociado criptomoedas ou usado aplicativos baseados em tecnologia blockchain era de 221 milhões, 66 milhões a mais que em maio do ano passado. “É um mercado grande demais para ser ignorado”, afirmou a instituição.

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