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Mais uma dose: CEO da Pfizer prevê nova imunização após 12 meses

A vacina da Pfizer garante imunidade contra o coronavírus com duas doses e uma eficácia de 91%. Mas novos estudos indicam que uma terceira dose será necessária. Mais: com um reforço em todos os anos, assim como a vacina da gripe

 

Pessoas vacinadas contra a Covid-19 com o imunizante desenvolvido pela Pfizer podem precisar de uma terceira dose 12 meses após terem recebido as duas primeiras, de acordo com o CEO da farmacêutica, Albert Boula. É possível ainda que depois dessas doses seja necessário tomar um reforço anual, como acontece com as vacinas contra a gripe.

“Temos que entender qual será a sequência, de quanto em quanto tempo precisaremos dar as doses”, disse Boula, em entrevista à rede americana CNBC. “Isso ainda precisa ser confirmado. E as variantes terão um papel determinante.”

No começo de abril, a Pfizer anunciou que sua vacina, produzida em parceria com a alemã BioNTech, mantinha uma eficácia de 91% contra a contaminação pela Covid-19 seis meses após a segunda dose. A eficácia contra casos graves segue superior a 95%.

As declarações foram feitas com base nos dados de 12 mil pessoas vacinadas com o imunizante. Mesmo assim, pesquisadores afirmam que eles são insuficientes para determinar a duração exata da proteção. As informações continuarão sendo coletadas nos próximos meses.

Embora os cientistas não tenham dados precisos sobre a duração dos anticorpos nas pessoas imunizadas, já se discute a necessidade de aplicar novas doses, com variações na fórmula capazes de proteger contra as variantes. Algumas delas já foram identificadas no Reino Unido, na África do Sul e no Brasil.

“Estamos estudando a duração dos anticorpos. Eles parecem fortes, mas as variantes apresentam desafio”, afirmou David Kessler, diretor de ciência do governo de Biden, em um encontro com congressistas americanos realizado nesta quinta-feira, 15 de abril. “Por questões de planejamento, devemos levar em conta a aplicação dessas novas doses.”

No fim de março, a Pfizer começou a testar seu imunizante em crianças com idades entre seis meses e 11 anos. A vacinação desta faixa etária é determinante para o controle da pandemia e para a obtenção da imunidade de rebanho, quando uma parcela significativa da população tem anticorpos contra a doença.

No começo de abril, a farmacêutica pediu a autorização de uso emergencial da vacina para crianças com idades entre 12 e 15 anos. O pedido ao FDA, a agência reguladora americana, foi feito após um estudo clínico de fase três que mostrou uma resposta imunológica satisfatória e que indicou a segurança do imunizante nessa faixa etária. Por enquanto, ele é aprovado para qualquer pessoa acima de 16 anos.

Atualmente, os Estados Unidos têm três vacinas contra a Covid-19 sendo aplicadas nos cidadãos. O imunizante da Moderna, também composto por duas doses, e o da Johnson & Johnson, que requer apenas uma dose, mas foi suspenso pelo FDA.

A Moderna já anunciou que está desenvolvendo uma vacina capaz de proteger contra a variante sul-africana do vírus e espera ter a nova versão do imunizante no segundo semestre deste ano.

Os Estados Unidos são o país mais afetado pela pandemia. São mais de 32 milhões de casos e mais de 578 mil americanos perderam a vida. Desde que assumiu a presidência, Joe Biden se comprometeu a acelerar a vacinação. Inicialmente, prometeu aplicar 100 milhões de doses antes de completar 100 dias no cargo. Após bater a meta, aumentou a projeção para 200 milhões e deve cumprir a promessa. Até agora, foram aplicadas 194,7 milhões de doses.

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