No cardápio do BTG, a recomendação é “comer” carne em vez de frango

Em relatório, analistas avaliam que JBS e Marfrig se destacarão graças ao forte desempenho das operações internacionais. A BRF, por sua vez, terá um trimestre de números baixos

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A temporada de balanços do primeiro trimestre do setor de alimentos e bebidas deve ser novamente dominada pelos frigoríficos, segundo os analistas do BTG Pactual. Ambev e M. Dias Branco devem apresentar um desempenho apenas modesto. Já a BRF registrará mais um trimestre de dificuldades.

Os frigoríficos contaram novamente com um cenário positivo no trimestre, com o mercado internacional apresentando forte demanda por proteína, ainda que a China, maior mercado consumidor, tenha imposto restrições para importação da produção brasileira em certos momentos.

Mas para os analistas Thiago Duarte e Henrique Brustolin, quem tem operações nos Estados Unidos se deu melhor, uma vez que a demanda local esteve em alta, houve poucas restrições para exportações e os custos de compra de animais foram menores que os vistos no Brasil.

Neste sentido, eles projetam que JBS e Marfrig devem se destacar. Líder global na produção de alimentos, a JBS deve ter mais um trimestre de destaque, com avanço de 20% da receita, para R$ 90 bilhões, e Ebitda de R$ 10,3 bilhões, aumento de 50%.

Tudo isso será possível graças ao bom desempenho da parte de carnes nos Estados Unidos, com o Ebitda crescendo 80%, na comparação com o primeiro trimestre de 2021, e a margem crescendo 5 pontos percentuais para 14%.

Na Marfrig, líder global na produção de hambúrgueres e segunda maior do planeta em proteína bovina, as operações americanas também devem garantir um primeiro trimestre histórico, diante da perspectiva de crescimento de 29% das vendas, para US$ 3 bilhões.

A companhia de Marcos Molina deve apresentar no começo do ano uma receita consolidada de R$ 21,7 bilhões, alta de 26%, e Ebitda de R$ 2,5 bilhões, expansão de 57%.

Outro grande frigorífico da bolsa, a Minerva deve apresentar números robustos para o primeiro trimestre, mas o fato de não ter operações nos Estados Unidos acaba tirando um pouco do brilho em relação a seus concorrentes, na visão do BTG.

Além disso, a companhia deve sentir os efeitos da guerra da Rússia contra a Ucrânia, pelo fato de suas operações no Paraguai e na Colômbia dependerem muito do mercado russo, que está sendo duramente sancionado por Estados Unidos e aliados.

A expectativa dos analistas do BTG Pactual é de que a Minerva registre um crescimento de 23% da receita, para R$ 7,1 bilhões, com crescimento de de 34% do Ebitda, para R$ 651 milhões.

Retardatários

Enquanto as empresas ligadas ao ramo de proteína bovina tiveram um primeiro trimestre positivo, a BRF deve divulgar resultados trimestrais fracos.

A expectativa do BTG Pactual é de que a dona das marcas Sadia e Perdigão registre uma queda de 53% do Ebitda, para R$ 307 milhões, mesmo com um crescimento de 11% da receita, para R$ 11,7 bilhões.

Segundo os analistas, embora todas as companhias tenham de alimentos e bebidas tenham sentido a piora do ambiente de consumo no Brasil, a BRF sofreu mais.

Fora isso, ela teve que lidar com maiores custos dos estoques e necessidade de reduzir os preços de seus produtos, e a exportação de produtos à base de carne suína para a Ásia foi prejudicada pelos maiores estoques na região.

Indo para o setor de bebidas, os analistas esperam um volume praticamente estável de venda de bebidas da Ambev, com o baixo desempenho na comercialização de cerveja no Brasil, aumento de custos com matéria-prima, além de um desempenho modesto das operações internacionais.

A receita da empresa de bebidas deve fechar o primeiro trimestre em R$ 18,3 bilhões, alta de 10%, o Ebitda deve avançar 2%, para R$ 5,4 bilhões, mas os analistas projetam um recuo de 2,4 pontos percentuais da margem, para 29,6%, justamente por conta do avanço dos custos com matéria-prima.

Na M. Dias Branco, os custos com matéria-prima devem ofuscar o avanço de 11% do volume de vendas e o aumento de 16,5% dos preços médios dos produtos.

Ainda assim, a fabricante de massas e biscoitos deve ter um crescimento de 29,3% da receita em base anual, mas um recuo 11% em relação ao quarto trimestre, para R$ 1,9 bilhão. O mesmo deve ocorrer com o Ebitda – alta de 188,4% em base anual e recuo 26,6% ante o trimestre anterior, para R$ 140 milhões.

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