No “day after”, pacote argentino não comove mercado

O superministro Sergio Massa acena com cumprimento de acordo com o FMI, afirma que déficit primário de 2,5% do PIB será cumprido e prevê ingresso de US$ 5 bilhões de exportações e US$ 1,2 bilhão de desembolsos por organismos internacionais

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A criação do superministério da Economia na Argentina animou investidores nos últimos dias, assim como a nomeação de Sergio Massa, que renunciou à presidência da Câmara dos Deputados. Mas sua posse e o anúncio de medidas não repercutiram nos mercados.

Nesta quinta-feira, 4 de agosto, “day after” da posse do superministro, na Casa Rosada, o dólar paralelo operou em queda de 7 pesos, a cerca de 291 pesos por dólar. O dólar oficial, por sua vez, teve leve alta de 1,08 peso, para 139,83 pesos. O Índice Merval avançou 0,3% e os bônus globais do governo argentino, que chegaram a valorizar no início do dia, voltaram a ter perdas.

O mercado não ficou sensibilizado com as medidas econômicas que ainda poderão ser ampliadas. A expectativa inicial de analistas era de que Massa apresentaria um pacote de fôlego, considerando a ampliação da pasta, que absorveu os Ministérios do Desenvolvimento Produtivo e da Agricultura, Pecuária e Pesca. E também por sua iniciativa de cercar-se de experientes assessores na área fiscal.

Tratado como superministro, Massa disse, durante a posse: “Não sou super nada, nem mágico, nem salvador, venho trabalhar de forma muito empenhada para tentar ajudar a Argentina e a fazer bem e os argentinos a fazer melhor.”

Horas mais tarde, ele informou que as medidas anunciadas abrangem política fiscal, comércio exterior, reforço de reservas internacionais e desenvolvimento com inclusão.

O ministro comprometeu-se com o programa do FMI e nem poderia ser diferente, dada a fragilidade da economia argentina. Na área fiscal, Massa afirmou que a meta de 2,5% do déficit primário estabelecida pelo Orçamento Nacional para este ano será cumprida.

No âmbito do comércio exterior, serão promovidos regimes específicos para exportação do agronegócio, mineração e hidrocarbonetos devido ao aumento da produção.

A emissão de pesos pelo Banco Central da República Argentina deve ser congelada e a questão rapidamente levantada por analistas é como o país irá se financiar, uma vez que não dispõe de reservas internacionais ou de financiamento externo privado.

Quanto ao reforço das reservas internacionais, informou o ministro, haverá um acréscimo de US$ 5 bilhões, vindo de exportações, e US$ 1,2 bilhão de desembolsos de organismos internacionais.

A Argentina também pretende fazer ofertas de recompra de dívida soberana. E, segundo Massa, o país trabalhará em acordo com o FMI para continuar obtendo os desembolsos planejados.

Quanto ao desenvolvimento com inclusão, o governo argentino deve divulgar um índice de mobilidade da aposentadoria para ajudar os aposentados a superar os danos da inflação. Entidades empresariais e trabalhadores serão convocados para assegurar um mecanismo que permita a recuperação de rendimentos no setor privado.

Uma reorganização de programas sociais para viabilizar o retorno de argentinos ao mercado de trabalho também será promovida. Programas de crédito serão unificados em uma única linha para todas as políticas de promoção de crédito.

O ministro argentino também anunciou um aumento nas tarifas de gás e eletricidade em função da redução de subsídios que afetará também usuários residenciais que pediram, nos últimos dias, que os subsídios fossem mantidos. A Argentina depende de dólares para pagar importações de energia.

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