Novo fundo do Softbank para AL começa em US$ 3 bi (e pode passar de US$ 5 bi)

Agora é oficial: o Softbank confirmou seu segundo fundo para a região latino-americana. O compromisso inicial é US$ 3 bilhões. Mas a gestora busca mais de US$ 2 bilhões adicionais com outros investidores

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O Softbank já investiu em 48 startups na América Latina

O Softbank confirmou o seu segundo fundo para investir em startups na América Latina. O Latin America Fund II começa com um compromisso inicial de US$ 3 bilhões e, segundo um comunicado, está “explorando opções para levantar capital adicional”.

Segundo apurou o NeoFeed, o capital compromissado é do próprio Softbank, que vai buscar mais de US$ 2 bilhões adicionais com outros investidores. Com isso, o total pode passar de US$ 5 bilhões.

A expectativa, divulgada inclusive pelo NeoFeed, era de que o Latin America Fund II, de largada, tivesse US$ 5 bilhões com recursos do próprio Softbank, o que faria o fundo do japonês Masayoshi Son dobrar a aposta na região latino-americana.

A estratégia para atrair investidores para o Latin America Fund II é o histórico do Softbank na América Latina, região na qual já investiu US$ 3,5 bilhões em 48 startups que hoje têm um valor justo de U$ 6,9 bilhões.

De acordo com o Softbank, a gestora investiu em 15 dos 25 unicórnios da América Latina, como são chamadas as empresas que valem mais de US$ 1 bilhão. Entre elas, estão startups como QuintoAndar, Kavak, Rappi, Mercado Bitcoin, Loggi, Loft e MadeiraMadeira.

Desde que anunciou seu primeiro fundo de US$ 5 bilhões, em 2019, a taxa interna de retorno bruto em moeda local está em 103%. Em dólar, 90%. Algumas startups do portfólio tiveram um aumento significativo de valor, como o caso do Kavak (4,4 vezes), QuintoAndar (2,6 vezes) e Inter (3,5 vezes).

Uma parte dos recursos – entre US$ 100 milhões e US$ 300 milhões – vai ser reservada para investimentos em startups early stages, uma estratégia inédita do Softbank na região.

Essa estratégia será comandada por Rodrigo Baer, ex-Redpoint eventures, e por Marco Camhaji, ex-diretor de desenvolvimento de negócios da Amazon no Brasil, onde atuou estabelecendo parcerias com fintechs.

“Nos últimos dois anos, vimos um tremendo sucesso e retorno do Softbank Latin America Fund, que superou em muito as nossas expectativas”, disse Marcelo Claure, que lidera o Softbank Latin America Fund, em um comunicado. “Esperamos que 2022 seja o maior ano em termos de IPO da história da América Latina.”

A tese de investimentos não mudará. O Softbank seguirá investindo em startups com tecnologias emergentes e inteligência artificial, com foco em comércio eletrônico, serviços financeiros digitais, saúde, educação, blockchain e softwares corporativos.

O mercado de venture capital no Brasil vive um momento de crescimento acelerado. Entre janeiro e agosto deste ano, as startups brasileiras já levantaram cerca de US$ 6,6 bilhões em investimentos, de acordo com dados do Distrito, um ecossistema independente de startups.

Esse resultado já é 85% superior ao captado ao longo de todo o ano de 2020. A estimativa do Distrito é que o investimentos em startups fique entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões em 2021.

Paulo Passoni, um dos sócios do Softbank Latin America, fez recentemente uma previsão que ele considerou “maluca” para a indústria de venture capital e growth equity na América Latina.

De acordo com ele, antes de o Softbank começar a apostar na região, em 2019, o volume de investimentos de venture capital e growth equity ficava na casa dos US$ 2 bilhões ao ano. A chegada do fundo japonês elevou os aportes para US$ 4 bilhões. E, de cinco a dez anos, chegam a um patamar entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões.

Com o novo fundo de US$ 3 bilhões, que pode ultrapassar os US$ 5 bilhões, essa é uma profecia autorrealizável.

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