O “ânimo” de R$ 150 milhões da Ânima Educação para investir em startups

Grupo de educação lança fundo de corporate venture capital para investir de edtechs até fintechs. Alvo são até 15 startups. Conheça a estratégia

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Reynaldo Gama, do Ânima Ventures e CEO das plataformas de educação digital HSM e SingularityU Brazil

Nos últimos três anos, executivos da Ânima Educação, grupo que responde por 18 instituições de ensino, entre elas as universidades Anhembi Morumbi, São Judas e Universidade Potiguar, passaram a discutir uma forma de aproximar a companhia das startups. Mas, em um primeiro momento, a ideia era apenas investir aqui e ali para trazer algumas dessas operações para dentro de casa.

Nesta segunda-feira, 23 de maio, a Ânima Educação intensificou sua estratégia com o lançamento de um fundo de corporate venture capital. Chamado de Ânima Ventures, o veículo nasce com R$ 150 milhões em caixa para realizar investimentos em startups ao longo dos próximos 10 anos. A gestão do fundo será feita pela ValeTec, que também administra iniciativas semelhantes de empresas como Algar, São Martinho e Eurofarma.

O plano agora é investir em até 15 novos negócios, sendo que pelo menos três acordos podem ser firmados ainda neste ano. Os aportes serão feitos em startups em estágios iniciais de suas operações. Por isso, o valor dos cheques deve variar entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões para a compra de participações entre 10% e 30% das empresas.

O valor pode subir para startups que estejam buscando investimentos mais robustos, de Série A, por exemplo. Neste caso, a tendência é de que a Ânima Educação seja uma coinvestidora e entre nas rodadas ao lado de outros fundos de venture capital.

“O fundo de corporate venture capital tem um olhar para o retorno financeiro, mas o retorno estratégico é uma via de mão dupla”, diz Reynaldo Gama, responsável pelo projeto, ao NeoFeed.

Gama é também CEO das plataformas de educação digital HSM e SingularityU Brazil, que fazem parte do ecossistema criado pela da Ânima. “Precisa ter um casamento entre retorno financeiro e estratégico.”

O filtro utilizado na busca por novos negócios não restringe os investimentos apenas a edtechs. No radar para os próximos aportes, por exemplo, estão fintechs e empresas que atuam com soluções baseadas no uso de inteligência artificial. A maior parte dos investimentos deve ser feita em startups brasileiras, mas isso não é uma regra.

O lançamento do fundo de corporate venture capital pela Ânima Educação, que vale R$ 2,2 bilhões, acontece após três anos de conversas entre os executivos da empresa sobre formas de explorar o mercado de tecnologia.

Nos últimos anos, o grupo de educação até chegou a realizar alguns aportes, como na MedRoom, voltada para soluções no setor de saúde, e a Gama Academy, escola de tecnologia voltada para programação, design, marketing e vendas.

A ideia de intensificar os investimentos casa com um momento de mudança do mercado sob a perspectiva de que as empresas precisam preservar caixa. “É oportuno lançar o fundo agora porque há uma maturidade nos dois lados, do investidor e do empreendedor”, diz Gama. “Há um entendimento melhor do mercado sobre o uso do dinheiro. Os empreendedores estão mais cautelosos.”

Mercado aquecido

Os investimentos globais feitos por fundos de corporate venture capital cresceram 142% no ano passado e somaram mais de US$ 169 bilhões, segundo um estudo realizado pela consultoria americana CB Insights.

No Brasil, alguns grupos de educação já exploram este mercado. A Cogna Educação tem parcerias com o Cubo, hub do Itaú para fomentar novos negócios, e com a Innovation Intelligence, rede que ajuda a conectar startups com investidores e conta com um banco de dados de mais de 1,3 milhão de empresas ao redor do mundo.

Outra rival, a Ser Educacional, que atende mais de 300 mil alunos, lançou uma aceleradora de startups em 2018 chamada de Overdrives, com a expectativa de investir R$ 6 milhões no primeiro ano de operação. Desde então foram 20 startups aceleradas em cinco edições do programa.

A Yduqs, dona das marcas Estácio, Ibmec e Damásio e avaliado em R$ 5,4 bilhões, comprou sua primeira startup no ano passado, a QConcursos, de aulas para quem está se preparando para concursos públicos, vestibulares e provas da OAB. Mais recentemente, em março deste ano, pagou R$ 52 milhões em 51% das ações da Hardwork, edtech de cursos preparatórios voltados para médicos.

Já o Grupo SEB, dono de marcas como Maple Bear e Luminova e de escolas tradicionais como Pueri Domus, Carolina Patrício, além das universidades Escola Paulista de Direito e Centro Universitário UniDomBosco, também já se aproximou das startups através das 7Stars Ventures, gestora de venture capital que tem entre seus sócios Eduardo Mucci e Thamila Zaher, acionistas da SEB.

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