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O próximo voo da Perfect Flight é para fora do Brasil

Dona de uma solução de mapeamento aéreo para pulverização, a Perfect Flight começa a internacionalizar suas operações, com foco na América Latina e nos Estados Unidos. Um aporte está também nos planos da agtech

 

Avião que usa o software da Perfect Flight para gerar relatórios sobre pulverização aérea

Com 10 milhões de hectares monitorados por sua solução de mapeamento aéreo, a agtech brasileira Perfect Flight possui um dos maiores bancos de dados de pulverização do planeta. As informações, no entanto, são referentes apenas ao Brasil, onde conseguiu consolidar sua posição em um setor disputado.

O próximo voo da startup, no entanto, é para fora das fronteiras brasileiras. E já está em curso. A startup está atendendo clientes em Honduras e na Argentina. Nos próximos meses, o foco é chegar aos Estados Unidos. Já são sete clientes em potencial espalhados por várias regiões produtoras do país. A previsão é inaugurar um escritório em solo americano em breve.

Outros países estão também no roadmap da agtech, incluindo Colômbia, Peru e Chile. “Estamos falando também com África e Europa”, afirma Rodrigo Iafelice, conselheiro estratégico de Perfect Flight, ao NeoFeed.

O executivo passou a integrar o time da startup justamente com o objetivo de ajudar na internacionalização da startup por conta de sua experiência na área. Antes, Iafelice ocupou o cargo de CEO na Solinftec durante o processo que levou a startup de agricultura digital aos Estados Unidos.

Inicialmente, todos os clientes da América Latina serão atendidos a partir do escritório brasileiro. No caso dos Estados Unidos, será necessário ter representantes no país.

A expansão internacional acontece pouco tempo após a fundação da empresa. Em 2015, os empresários e produtores Kriss Corso e seu primo, Josué Corso, desenvolveram um projeto para otimizar a aplicação aérea de insumos. Trata-se de um software que usa o próprio sistema de geolocalização de aeronaves, tripuladas ou não, para criar mapas de aplicação.

“A ideia não era criar um projeto comercial”, afirma Kriss Corso, CEO da empresa, ao NeoFeed. A plataforma foi testada em culturas de soja e algodão do grupo agrícola JCN, comandado pelo empreendedor. Os resultados foram positivos. “Logo percebemos que a demanda não era só nossa”, diz Corso. “Criamos um modelo comercial e fomos expandindo nossa atuação para várias culturas.”

A solução da Perfect Flight foi lançada comercialmente em 2017. Três anos depois, a empresa já tem 56 clientes. O número pode até parecer pequeno, mas inclui gigantes do setor, como Raízen, SLC Agrícola e Amaggi. No total, são mais de 30 mil propriedades usando a plataforma.

Embora não revele nenhum dado referente ao faturamento, a empresa diz que vem triplicando sua receita nos últimos três anos. Nesse período, recebeu um aporte de R$ 4 milhões do empresário Norival Bonamichi, fundador da indústria veterinária Ourofino. Nos próximos meses, a startup espera fazer uma nova captação.

A Perfect Flight foi também selecionada para programas de aceleração dos hubs Pulse, da Raízen, e AgTech Garage, ambos localizados em Piracicaba, região conhecida como AgTech Valley por conta de seu ecossistema de inovação no campo.

Até agora, a expansão da startup tem sido sustentada pelo modelo de negócios, que prevê a cobrança de um valor por hectare pulverizado. No caso dos Estados Unidos, por acre. Os valores não são divulgados porque dependem de cada negociação. Há um segundo formato oferecido diretamente a empresas de aplicação aérea de insumos. O valor é cobrado por aeronave, por ano.

A plataforma da Perfect Flight

O setor de soluções aéreas para o agro é bastante concorrido. Existem empresas que fazem o monitoramento do espaço, como a holandesa Gamaya, que atua no Brasil. Outras, como a Horus Aeronaves, realizam o mapeamento do céu, usando drones. A Arpac, de Piracicaba, por sua vez, faz aplicação de defensivos usando drones.

A Perfect Flight oferece uma solução que dispensa o uso de hardware e pode ser aplicada em várias culturas. O treinamento pode ser feito remotamente e é baseado no sistema de GPS das próprias aeronaves, sejam elas aviões, drones ou helicópteros. “Gosto de dizer que a gestão é tão precisa que é praticamente por metro quadrado, não por hectare”, afirma Corso.

A plataforma capta as coordenadas de voo das aeronaves e a partir delas cria mapas personalizados que indicam se a área delimitada foi respeitada, se o talhão alvo foi atingido, se alguma área não foi coberta. O sistema então gera relatórios de desempenho das aplicações que podem ser usados para a tomada de decisões.

A plataforma permite também cruzar dados climáticos para, por exemplo, melhorar a eficácia da pulverização. É possível inclusive cadastrar pontos geográficos que devem ser preservados. Se algum produto for aplicado nesses locais, o sistema emite um alerta.

Os ganhos de produtividade e a redução de custos dependem de vários fatores, como a topografia do terreno e o tipo de cultura. A Raízen, que produz açúcar e etanol, contratou os serviços da Perfect Flight. Antes de usar o sistema, a taxa de eficiência das aplicações ficava entre 60% e 65%, dentro da média nacional. Com a plataforma, passou a 90%.

Em 2021, a startup também pretende lançar outros aplicativos. Um deles será destinado a produtores que fazem a aplicação manual de insumos, usando bombas. O funcionário poderá fazer um mapeamento do solo, usando o app no celular. O outro será destinado a empresas de aviação que prestam serviços para o agro. Nele, será possível manter o controle sobre revisões, troca de peças e certificações necessárias para o trabalho.

O plano de expansão da agtech contempla também a transformação de todos os dados coletados pelas aeronaves em inteligência. De acordo com Iafelice, a empresa tem investido muito em pesquisa e desenvolvimento para fortalecer a capacidade analítica da plataforma.

“Usando inteligência artificial e machine learning, vamos poder dizer ao produtor que se ele aplicar determinado produto, nesta velocidade, nessas condições, ele vai reduzir os custos e aumentar em 30%, 40% até 50% a eficácia”, afirma Iafelice.

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