Insiders

O sorriso de Monalisa: aplicativo permite que “simples mortais” invistam em obras valiosas

Depois de selecionar, comprar e segurar quadros de pintores renomados, Masterworks permite que seus usuários comprem suas ações e lucrem com a valorização da peça. Retorno dos investimentos em arte superam o índice S&P 500

 

Quadro “Mona Lisa”, de Banksy, foi vendido pela Masterworks em outubro de 2020, por US$ 1,5 milhão

Investir é uma arte. No Masterworks, literalmente. Criado em 2017, o aplicativo transforma pinturas de grandes artistas em uma espécie de “empresa de capital aberto”, permitindo que seus usuários comprem ações e lucrem com a valorização e venda da obra de arte.

A ideia pode parecer “estranha”, mas as cifras justificam a estratégia. A companhia adquiriu, por exemplo, o quadro “Mona Lisa”, do street artist inglês Banksy, e o disponibilizou na plataforma em outubro de 2019, por pouco mais de US$ 1 milhão. As ações eram vendidas por US$ 20 cada. Um ano depois, o mesmo quadro foi vendido por US$ 1,5 milhão, resultando num retorno anual superior  50%. 

Para Scott Lynn, colecionador e fundador da empresa, essa estratégia lucrativa sempre foi óbvia, mas exclusiva. “As pessoas negociam, compram e vendem arte há séculos, mas o denominador comum dessas transações sempre foi que as pessoas envolvidas são ricas”, diz ele.

Depois de constatar, como empreendedor, que seu investimento em quadros eram quase tão rentáveis do que as apostas em tecnologias, Lynn decidiu democratizar o setor. 

Para isso, a Masterworks trabalha com um modelo de negócio em que um quadro se torna uma “propriedade baseada em ações”. Com um investimento poucos dólares, qualquer pessoa pode se tornar dona de um Monet – ou pelo menos de uma parte dele. Como o sistema é estruturado em blockchain, é possível conduzir a movimentação em tokens Ethereum.

Não há um valor mínimo para participação no app e um usuário pode começar comprando 0,01% de uma obra, por exemplo. Mas há um teto: ninguém pode adquirir mais de 10% de um item. Isso porque, na venda dele, todos os “acionistas” são consultados e prevalece a vontade da maioria. Ao estabelecer um limite, a empresa garante um controle mais democrático sobre as peças.

Caso não queira ou não possa esperar a venda de um quadro, os usuários são liberados para negociarem suas ações em um mercado secundário, também controlado pela Masterworks. As movimentações propostas pela Masterworks são validadas pela Securities and Exchange Commission (SEC), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) americana. 

Todos os quadros são comprados em leilão, e selecionados pela equipe. “Nós selecionamos peças de artistas que tenham uma trajetória consolidada, cujo valor esteja em ascensão e cujo risco seja administrável”, explica Lynn.

Fica sob responsabilidade da Masterworks a negociação, a compra, a obtenção da apólice de seguro e a manutenção de todas as obras sob sua custódia. A empresa cobra uma tarifa anual de 1,5% e uma taxa de 20% sobre o lucro das vendidas.

A primeira obra disponibilizada no app foi o quadro “1 Colored Marilyn”, de Andy Warhol, arrematada por US$ 1,8 milhão. Na plataforma, pouco mais de 99 mil títulos foram oferecidos por US$ 20 cada. 

Outro quadro estrelado disponível na Masterworks é a obra “Coup de Vent”, de Monet, arrematada pela empresa por US$ 6 milhões, em 2018, e à venda por US$ 7 milhões. Em entrevista ao Yahoo Finance, o executivo afirma que todas as apostas feitas pela empresa são dignas de investimento e que o retorno mínimo é de 10%.

Pode parecer exagero, mas o retorno de investimentos em arte são comprovadamente altos. Em um relatório intitulado “The Global Art Market & Covid 19”, o Citi Private Bank registrou um retorno de 6,7% apenas nos primeiros sete meses de 2020, superando o ganho de outras classes de ativos tradicionais, como o mercado imobiliário, private equity e outras.

De maneira geral, um índice desenvolvido pela própria Masterworks acumulou alta de 5,5% entre janeiro e julho de 2020, mas esse fenômeno não chega a ser uma novidade. Segundo o índice Artprice, feito apenas para monitorar o setor de arte, obras “blue-chip” superaram em 180% o desempenho do índice S&P 500 entre 2000 e 2018.

Clube seleto

Para fazer parte da Masterworks é preciso passar por uma entrevista. “É importante que tenhamos essas conversas individuais para entendermos o tipo de investidor com o qual estamos lidando, entender as razões que o levaram a alocar recursos financeiros em arte e também entender como essa pessoa pretende investir nos próximos anos”, conta Joseph Del Vecchio, vice-presidente de membership

Mas essa “benção” dos controladores não é exclusividade. Outros aplicativos, como os ingleses Feral Horses e o Maecenas também oferecem copropriedade de obras de arte, num modelo, senão igual, ao menos semelhante ao da Masterworks.

O Feral Horses tem sede em Londres e seu portfólio dispõe de artistas como Banksy e o grego Tasos Nyfadopoulos. Além de quadros, a plataforma oferece esculturas e as “ações” as obras começam em £ 2.

Já a Maecenas não divulga as peças de seu inventário ou o valor mínimo para investimento. Tal qual a Masterworks, essa plataforma também opera sobre blockchain, aceitando criptomoeda como pagamento.

Em território americano, quem divide a atenção do setor é a Rally Rd, que flerta com a área. O aplicativo também promove uma espécie de bolsa de valores para bens colecionáveis. Neste caso, porém, o portfólio não é apenas cultural: os participantes podem comprar ações de carros antigos, camisetas autografadas por personalidades e vinhos de safras exclusivas. Quadros e pinturas são apenas uma das categorias contempladas no app. 

Siga o NeoFeed nas redes sociais. Estamos no Facebook, no LinkedIn, no Twitter e no Instagram. Assista aos nossos vídeos no canal do YouTube e assine a nossa newsletter para receber notícias diariamente.

Leia também

UM CONTEÚDO:

BRAND STORIES

VÍDEOS

Assista aos programas CAFÉ COM INVESTIDOR e CONEXÃO CEO