Os cinco fatores positivos na troca de acionistas da CCR, na visão do Bank of America

Em relatório, o banco destaca a visão positiva sobre a proposta de venda da fatia da Andrade Gutierrez na operação para a gestora IG4. Entre os fatores ressaltados, estão o reforço na estrutura de capital da CCR, com um prêmio na transação que pode chegar a até 39%

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Na última sexta-feira, 7 de maio, a CCR divulgou ter recebido um comunicado da Andrade Gutierrez Participações, uma de suas três acionistas, ao lado da Mover e do grupo Sales Penido, para a venda da participação na concessionária para a gestora IG4 Capital.

Com o anúncio, que envolve a fatia de 14,86% detida pela Andrade Gutierrez na operação, por R$ 4,6 bilhões, as ações da CCR dispararam e fecharam o pregão da sexta-feira cotadas a R$ 13,45, o que representou uma alta de 10,25%.

A partir desse rali, nesta segunda-feira, o Bank of America divulgou um relatório a respeito do acordo em potencial. E, no documento, os analistas do banco destacaram cinco razões pelas quais entendem que o negócio é positivo. E não apenas para a CCR.

Os fatores apontados no relatório são:

1. A transação reforça o interesse por ativos brasileiros de infraestrutura

2. A proposta mostra que os players do setor estão “confiantes nas oportunidades de crescimento oferecidas pelo superciclo de investimentos no País”

3. Um eventual acordo envolve a percepção de que a estrutura de earn-out implica um potencial de valorização de novos projetos.

4. A negociação, caso seja concretizada, aprimora a estrutura da CCR para licitações futuras

5. O perfil da IG4 parece ser bem visto pelos investidores, dado o seu foco em infraestrutura, nas questões relacionadas a ESG e seu histórico de investimentos em outros segmentos.

Hoje, o portfólio da IG4 inclui empresas como a Iguá Saneamento, que arrebatou, em abril, um dos blocos de concessão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), por R$ 7,2 bilhões.

Com mais de US$ 1,1 bilhão em ativos sob gestão, a IG4 tem ainda no portfólio negócios como a participação no Terminal dos Grãos do Maranhão (Tegram) e operações na área de saúde, sob o guarda-chuva da Opy Health.

No relatório, os analistas Murilo Freiberger e Gustavo Tasso, do Bank of America destacaram ainda que a CCR é, hoje, líder indiscutível do setor de infraestrutura no País, ao combinar fatores como o mais robusto e diversificado portfólio de ativos; a melhor capacidade de execução do segmento; e o balanço patrimonial mais forte entre seus pares.

Atualmente, entre outros ativos, a CCR responde pela gestão de rodovias nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A CCR encerrou 2020 com uma receita de R$ 8,94 bilhões, queda de 5,8% sobre 2019. O lucro líquido recuou 86,7%, para R$ 191 milhões.

Outra questão em destaque no relatório são os termos financeiros do acordo. Levando-se em conta o fechamento do pregão anterior à divulgação da proposta, a transação envolve um prêmio de 27%. E pode chegar a um patamar de 39%, a depender das condições negociadas, frisaram os analistas do Bank of America.

Nesta segunda-feira, as ações da CCR, avaliada em R$ 26,8 bilhões, estavam sendo negociadas com queda de 1,04%, por volta de 12h20.

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