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Os desafios do mundo no pós-crise, na visão de Tony Blair

Para o ex-ministro britânico, a Covid-19 vai realçar questões como a desigualdade social, as mudanças climáticas e a necessidade de crescimento sustentável. Ele também reflete o crescimento da China como potência, o enfraquecimento da Europa e o papel do Reino Unido depois do Brexit

 

O ex-primeiro ministro britânico Tony Blair

Desde que deixou o posto de primeiro-ministro do Reino Unido, em 2007, cargo que ocupou por dez anos, Tony Blair expandiu suas fronteiras. Nessa jornada, seu principal veículo é a Tony Blair Institute for Global Change, organização sem fins lucrativos que atua no aconselhamento e no desenvolvimento de políticas junto a governos de mais de 35 países, especialmente no continente africano.

É a partir dessas andanças e projetos, e de sua bagagem na política, que, aos 67 anos, o ex-premier britânico traça os possíveis cenários e desafios no mundo pós-Covid-19.

“A minha teoria é que tudo o que havia antes da crise estará presente também na pós-pandemia”, afirmou Blair, durante sua participação na noite da quarta-feira, na Expert XP, evento promovido pela XP Inc. “Mas tudo será muito maior e mais acelerado.”

Ele destacou, inicialmente, que todos os países se depararam com o dilema de controlar a doença e os danos econômicos. E que cada um, a sua maneira, vem buscando equacionar esse problema, com diferentes graus de sucesso. As consequências, porém, serão mais visíveis no médio prazo.

“Muitos países terão grandes índices de desemprego e diversas empresas não serão lucrativas por muitos anos”, disse, citando segmentos como as companhias aéreas, hotéis, restaurantes e o varejo. “Em contrapartida, outros setores vão ser acelerados, principalmente as indústrias que trabalham com cooperação em tecnologia.”

Para Blair, a tecnologia e a ciência são as alternativas para lidar com os desafios do crescimento sustentável e das mudanças climáticas. E com outras questões que estão sendo realçadas pelo coronavírus, em especial, a desigualdade social.

“O futuro aponta para um mundo com cidades inteligentes, veículos elétricos e autônomos e novos usos e fontes de energia”, afirmou. “Ao mesmo tempo, temos que garantir que esses avanços sejam embutidos também nos países em desenvolvimento.”

Blair também falou sobre os desafios à frente dos países emergentes. “É fácil identificar o que esses governos precisam fazer”, disse, apontando questões como eliminar a corrupção, ter regras previsíveis para os investidores, investir adequadamente em educação e ter um setor público eficiente e menos inflado.

“O que é difícil, de fato, é colocar em prática”, prosseguiu o ex-primeiro ministro do Reino Unido. “Há muita ideologia em torno da política e, geralmente, ela é muito destrutiva. Mas os problemas reais são práticos. E exigem soluções práticas.”

“Há muita ideologia em torno da política e, geralmente, ela é muito destrutiva. Mas os problemas reais são práticos. E exigem soluções práticas”

Nesse contexto, para Blair, outro componente que ganha força em épocas de crise como a atual é o fato de as pessoas ficarem mais suscetíveis a políticos populistas, sejam eles de direita ou de esquerda. E a suas soluções que, em geral, são ineficazes.

China e Brexit

Em sua avaliação, outro ponto de atenção é o fortalecimento das tensões entre a China e as demais potências mundiais, uma relação que ele acredita que será cada vez mais hostil.

“A China será uma potência econômica, política, tecnológica e militar, não importa o que aconteça. E terá a maior economia do mundo”, afirmou. “Portanto, é preciso ter muita sabedoria para navegar nesse ambiente e adotar uma posição mais estratégica do que simplesmente reagir.”

“A China será uma potência econômica, política, tecnológica e militar, não importa o que aconteça. E terá a maior economia do mundo”

Blair falou ainda sobre as perspectivas do Reino Unido com o Brexit. Para ele, além de trabalhar questões como a necessidade de atrair investimentos agora como um mercado independente da União Europeia, a Grã-Bretanha precisará, ao mesmo tempo, investir na cooperação com os demais países europeus, em áreas como defesa e mudanças climáticas.

“E, em especial, em tecnologia, onde China e Estados Unidos são grandes players e a Europa, francamente, está bem atrasada”, disse. “Agora, o Reino Unido terá que encontrar um novo lugar no mundo. E é preciso entender que isso exigirá decisões difíceis.”

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