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Negócios

Para a JBS, o Brasil ficou pequeno, mas o boi está gordo (de novo)

Empresa volta a considerar listagem nos Estados Unidos quatro anos depois de plano fracassar. Dessa vez, as chances de dar certo são maiores, impulsionado pelos bons resultados recentes que fizeram ação valorizar mais de 140% em 2019

 

Em maio de 2017, o Brasil mergulhou numa grave crise por conta de gravações que quase derrubaram o presidente da República, Michel Temer, feitas pelo empresário Joesley Batista, um dos acionistas do frigorífico JBS.

As incertezas não atingiram apenas os rumos do País. A JBS, uma gigante que faturou R$ 181,7 bilhões, em 2018, passou também por um período turbulento, que fez suas ações desabarem e colocaram dúvidas sobre a capacidade do império construído pela família Batista de resistir aos problemas políticos e econômicos. No seu momento mais crítico, em junho de 2017, os papéis da empresa foram vendidos por R$ 6,53.

Mais de dois anos depois, o boi está gordo (de novo) para a JBS. Daquele período até hoje, as ações do frigorífico se valorizaram 357%. Só neste ano, elas sobem 146,5%. Na segunda-feira, 21 de outubro, fecharam cotadas a R$ 29,85.

Nada está tão valorizado que não possa valer ainda mais. É o que acredita o banco de investimento Credit Suisse, que começou a fazer a cobertura dos papéis da JBS em outubro. Em seu primeiro e extenso relatório, o Credit Suisse colocou a ação da JBS com preço-alvo de R$ 40, o que significa um potencial de valorização de mais de 30%.

“A JBS é a segunda maior empresa de alimentos do mundo e líder de mercado na indústria de proteínas”, escreveram os analistas Victor Saragiotto e Felipe Vieira, do Credit Suisse. “Acreditamos que o caso de investimento da empresa atende aos critérios de muitos investidores, já que possui uma posição de mercado líder nos segmentos em que atua, muitas oportunidades de crescimento e uma equipe de gerenciamento experiente e focada.”

Um indicativo de que os ventos mudaram para a JBS é que a companhia começa a falar (timidamente, é verdade) de um antigo plano que fracassou: a listagem da companhia na Bolsa dos Estados Unidos.

O projeto foi abandonado em 2016, depois que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que detém 21% das ações do frigorífico, vetou a operação, que pretendia levar a sede da JBS para os Estados Unidos.

A JBS tentou, logo em seguida, uma nova opção de reorganização societária que não incluía a mudança de sua sede para o exterior. A ideia era abrir o capital da subsidiária JBS Foods International na Bolsa de Nova York. Mas, diante das turbulências políticas, colocou a iniciativa numa geladeira em 2017, à espera de outra oportunidade.

Agora, o plano de abrir o capital das operações internacionais da JBS volta a ser vislumbrada pelos executivos da companhia. “A listagem nos Estados Unidos dos ativos internacionais, além de destravar um enorme valor, será um importante veículo para acelerar o crescimento”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, em teleconferência com analistas.

Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS

Quem acompanhou de perto a tentativa de listar a empresa nos Estados Unidos acredita que Tomazoni tem razão. “É um absurdo que uma empresa do tamanho da JBS não esteja listada nos Estados Unidos”, diz essa fonte. “Do ponto de vista financeiro e de criação do valor, faz todo sentido.”

É fácil de entender os motivos da JBS. Em primeiro lugar, a operação brasileira hoje representa apenas 13% das receitas da companhia. Os EUA, por sua vez, ficam 51% do que a companhia fatura. A Ásia, com 16%, a Europa, 5% e o México, 4%. Outros países ao redor do mundo são responsáveis por 11%.

A abertura de capital nos EUA seria também lucrativa para a JBS, que pagaria menos juros aos bancos internacionais. “O custo da dívida para uma empresa americana ou europeia é menor do que para uma brasileira”, diz uma fonte próxima à JBS. “Só isso significa uma economia grande no custo da dívida e criaria um baita valor para a companhia.”

A abertura de capital nos EUA seria também lucrativa para a JBS, que pagaria menos juros aos bancos internacionais

Pessoas próximas à JBS alegam também que a companhia é comparada com frigoríficos listados no Brasil, mas que nenhum deles atua em todos os setores da empresa da família Batista. Nos Estados Unidos, ela poderia ser comparada com seus pares, como a Tyson Foods.

“Hoje, ela é negociada com múltiplos inferiores ao da Tyson Foods. Se ela estivesse nos Estados Unidos, a comparação ficaria mais fácil de ser feita”, diz essa fonte.

Um exemplo disso é o índice EV/Ebitda. A JBS negocia a 5,9 vezes o EV/Ebitda para 2020. A Tyson, no mesmo período, negocia a 8,8 vezes. Quanto menor esse índice, mais atraente é a companhia. Esse é um indicativo, na visão da fonte, que existe espaço para a valorização do papel com a listagem nos EUA.

Peste suína

É verdade que uma parte da valorização das ações da JBS deve-se a peste suína africana que afetou o rebanho chinês. Todos os frigoríficos brasileiros se valorizaram por conta da crise sanitária na China neste ano.

As ações do Marfrig, por exemplo, sobem 107% em 2019. A BRF negocia com valorização de 71%. O Minerva, 96%. O iBovespa, principal índice da bolsa brasileira, aumentou 15,6% neste ano.

Mas o cenário positivo à JBS se estende para além da peste suína africana. Na visão do Credit Suisse, o frigorífico deverá manter resultados consolidados fortes, projetando incremento nas margens das operações tanto no Brasil quanto nos EUA.

“Acreditamos que a companhia deverá continuar a mostrar lucros operacionais fortes, que levarão a um aprimoramento da posição de caixa”, escreveram os analistas do banco suíço.

Todos os frigoríficos brasileiros se valorizaram por conta da crise sanitária na China neste ano

O resultado do segundo trimestre de 2019 demonstra isso. O faturamento passou de R$ 50 bilhões, um crescimento de 12,5% em relação ao mesmo período do ano passado. O lucro líquido foi de R$ 2,1 bilhões. No primeiro semestre, os ganhos somam R$ 3,3 bilhões.

Além disso, o Ebitda atingiu R$ 5,1 bilhões, desempenho 20% superior ao segundo trimestre de 2018. A margem, de 10%, foi a terceira maior dos últimos 10 anos.

Outra dado que os analistas gostaram foi o fluxo de caixa operacional e o fluxo de caixa livre, que atingiram R$ 5,2 bilhões e R$ 3,7 bilhões, respectivamente. Por conta disso, o endividamento ficou em 2,78 vezes a geração de caixa. O perfil da dívida também mudou, passando de um prazo médio de 4,3 anos para 7 anos.

Em relatório, o BTG Pactual prevê um terceiro trimestre excepcional para a JBS, com destaque para as operações americanas, com margens atingido o nível de dois dígitos. Segundo o banco de investimento, o faturamento deve ficar na casa dos R$ 50,4 bilhões, o Ebitda em R$ 5,3 bilhões e a margem Ebitda em 10,5%.

O Brasil pode ter ficado pequeno para a JBS. Mas o boi está cada vez mais gordo no pasto.

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