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Para o fundo Tiger Global, agora é a hora de atacar

Em carta enviada aos investidores, Chase Coleman, fundador da gestora americana de private equity, fala sobre os impactos do Covid-19 e lembra que os negócios mais impactantes do fundo foram impulsionados pelas crises de 2008 e da SARS, em 2003

 

No último dia 23 de março, o bilionário Chase Coleman enviou uma carta aos investidores da Tiger Global, gestora americana de fundos de private equity, um dos principais nomes globais do setor, com um portfólio de ativos de US$ 36 bilhões.

O tema do documento, revelado pelo site americano Business Insider, não poderia ser outro: os reflexos do Covid-19. Fundador da Tiger Global, Coleman inicia a mensagem dizendo-se “profundamente solidário ao número de vidas que esse vírus está levando” e ressalta a incerteza sobre a duração e os impactos da pandemia na economia.

Ele parece deixar, no entanto, o verdadeiro recado para o final da carta, quando lembra os investidores que alguns dos investimentos “mais impactantes” da gestora foram realizados e impulsionados pelas crises de 2008.

Entre eles, os aportes no Facebook e nas empresas de comércio eletrônico Flipkart e JD. O bilionário fecha o texto dizendo que o surto de SARS, em 2003, criou “um cenário incrível de retornos em potencial.”

Avesso aos holofotes, Coleman raramente dá entrevistas. O estilo extremamente discreto do americano de 44 anos contrasta, porém, com sua trajetória no setor.

Discípulo de Julian Robertson, uma das lendas dos fundos de hedge, ele fundou a Tiger Global em 2001, aos 25 anos, com um capital de US$ 25 milhões. Hoje, Coleman é figura fácil nos rankings de bilionários, com um patrimônio estimado em US$ 4,99 bilhões.

As palavras recentes dirigidas aos investidores foram precedidas por mais um passo bem-sucedido dessa trilha. Há dois meses, a Tiger Global fechou a captação de seu 12⁰ fundo privado, no valor de US$ 3,75 bilhões.

Chase Coleman

Segundo o bilionário, a gestora distribuiu aos investidores mais de US$ 4 bilhões desde o início de 2019, graças às posições pré-IPOs que mantinha em empresas como Spotify, Uber e Peloton.

Ao longo da carta, Coleman ressalta que muitas empresas de capital aberto e de capital fechado, incluindo nomes do portfólio da Tiger Global, estão sentindo os impactos negativos da crise no curto prazo.

“Como sempre, incentivamos nossos times de gestão a fazerem escolhas disciplinadas sobre onde e como investir, e para que esperem mais dificuldade para captar recursos no futuro.”

Há dois meses, a Tiger Global fechou a captação de seu 12⁰ fundo privado, no valor de US$ 3,75 bilhões

Mas faz também um contraponto: “Algumas empresas, em especial, varejistas online, plataformas de conteúdo digital e provedores de educação online, parecem estar se beneficiando.”

Segundo o executivo, a Tiger Global mantém um investimento de US$ 1,7 bilhão em empresas de software como serviço, entre elas, a Toast, unicórnio de Boston que oferece sistemas e recursos de pagamento para restaurantes. No Brasil, a gestora já investiu em companhias como 99, Nubank, Stone, B2W, Netshoes e ContaAzul.

No documento, Coleman tece ainda elogios à ByteDance, empresa que controla a rede social chinesa TikTok. “Nossa pesquisa sugere que a ByteDance representará 19% do mercado de publicidade online da China em 2020, ante 4% em 2017.”

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