Petz compra Zee.Dog em um negócio de mais de R$ 700 milhões

A rede varejista compra 100% da chamada “Nike dos pets” e se posiciona no mercado global, no delivery e na indústria de alimentos para pets

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Em março, Sergio Zimerman, CEO e fundador da rede de varejo Petz, concedeu uma entrevista ao NeoFeed na qual foi muito objetivo sobre o futuro da companhia. “Nossa visão é sermos reconhecidos como o melhor ecossistema do segmento pet até 2025”, disse. E complementou. “Já temos boa parte desse plano bem encaminhado, mas existem alguns gaps que precisamos fechar para consolidar essa plataforma.”

Pois um dos gaps acaba de ser preenchido. A Petz está comprando 100% da Zee.Dog, conhecida como “a Nike do mercado pet”, por R$ 715 milhões. Desse total, R$ 615 milhões serão pagamos no fechamento da operação e, desse montante, 87% em ações. Os R$ 100 milhões restantes serão pagos em dinheiro depois de cinco anos.

Os fundadores da companhia, Felipe Diz, Rodrigo Monteiro e Thadeu Diz, receberão parte em dinheiro e outra parte em ações da Petz. A gestora TreeCorp, os fundos Quartz, de José Galló; Atmos Capital e Charles River Capital estão saindo da operação.

Os fundadores da Zee.Dog permanecerão na operação e vão ajudar a Petz a consolidar a sua presença nos canais digitais e no mercado global. A Zee.Dog é uma das marcas mais bem posicionadas neste segmento no cenário mundial. A marca fabrica na China e distribui seus produtos, coleiras, guias, brinquedos e roupas (até para os donos dos animais) em quase 50 países.

Na Europa, inaugurou em maio deste ano, um centro de distribuição com 2,5 mil metros quadrados na cidade de Nijmegen, na Holanda. É dali que saem os produtos, vendidos no e-commerce, que abastecem os países do Velho Continente. Nos Estados Unidos, onde conta com uma loja física em Nova York, a empresa opera com dois centros de distribuição, um em Los Angeles e outro na Carolina do Norte.

“Somos, provavelmente, o grupo pet mais bem posicionado para fazer esse ataque global”, disse Felipe Diz, CEO da Zee.Dog, recentemente ao NeoFeed. “E, num mercado no qual a grande maioria é regional, talvez a única empresa que tem o mundo como mercado endereçável”, afirmou.

Agora, todo esse know how será passado para a Petz, que tem muita força na distribuição física e tem acompanhado o avanço de concorrentes como Cobasi, que recebeu aporte de R$ 300 milhões do private equity Kinea, em abril deste ano, e da Pet Love, que recebeu R$ 375 milhões dos fundos Softbank e L Catterton, em 2020.

Desde o IPO, em setembro do ano passado, as ações da Petz apresentam uma alta de 63% e hoje está avaliada em R$ 9,2 bilhões. Na época da abertura de capital, a companhia levantou R$ 3 bilhões, com R$ 336 milhões numa oferta primária e R$ 2,69 bilhões numa secundária.

Loja da Zee.Dog em Nova York

A força da rede está em sua capilaridade física. De acordo com o balanço do primeiro trimestre, são 138 unidades de sua loja, 116 centros veterinários Seres e 10 hospitais. Trata-se de uma potência que anotou uma receita bruta de R$ 537,5 milhões no primeiro trimestre. Seu lucro líquido alcançou R$ 11 milhões.

No ano passado, a Zee.Dog atingiu um faturamento de R$ 125 milhões e a projeção até o fim deste ano é quase dobrar para R$ 230 milhões. A Zee.Dog também ganha com a capilaridade da Petz, onde poderá vender seus acessórios.

A Petz, além de se posicionar globalmente, também traz duas poderosas linhas de negócios para dentro de casa. Uma delas é o app de delivery Zee.Now. Lançado 2019, é um aplicativo de delivery de produtos pet do grupo e também de terceiros. Com frete gratuito, o serviço cobre boa parte das categorias do setor, como alimentação, higiene e farmácia.

Ele está em 11 cidades com previsão de chegar a 20, conta com 30 dark stores e funciona quase que como um pet shop online. No ano passado, o app faturou R$ 28 milhões e um de seus trunfos é conectar um mercado extremamente pulverizado.

O serviço de delivery Zee.Now

O mercado pet movimentou R$ 40 bilhões no Brasil, no ano passado. Deste total, R$ 24 bilhões pela indústria e outros R$ 16 bilhões no varejo. Ao comprar o grupo Zee.Dog, a Petz também coloca os pés – ou melhor, as patas – na indústria.

Isso porque o grupo vai inaugurar, em outubro, uma fábrica de produtos alimentícios para animais. Trata-se da Zee.Dog Kitchen, no interior de São Paulo. Como se vê, a estratégia da Petz, com perdão do trocadilho, é boa pra cachorro.

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