Negócios

Por conta do coronavírus, principal feira de vinho do mundo fica para 2021

A ProWein, que aconteceria Düsseldorf, na Alemanha, foi definitivamente cancelada. Feira era considerada o principal motor do setor

 

Copo meio vazio: coronavírus impacta vários eventos no mundo do vinho

Em documento divulgado nesta quinta-feira, 5 de março, os diretores da ProWein, a mais importante feira de negócios de vinho, decidiram cancelar definitivamente a edição de 2020. A próxima (e aguardada) data será entre 21 e 23 de março de 2021, em Düsseldorf, na Alemanha.

Aqueles que já compraram ingressos podem optar por devolvê-los (com reembolso integral) ou mantê-los para o ano que vem. Com os expositores, também é possível manter o espaço já contratado.

No sábado passado, os organizadores haviam anunciado o adiamento da feira, que seria realizada entre os dias 15 e 17 de março devido ao coronavírus.

Segundo Erhard Wienkamp, diretor administrativo da Messe Düsseldorf GmbH, a decisão foi tomada pela dificuldade de encontrar uma nova data para realizar o evento com segurança.

Há o que o setor chama de “janela de feira”, o período em que é possível reunir os principais personagens do mundo do vinho em um único lugar. O ideal, por exemplo, é que a data não coincida com a colheita, que acontece no começo do primeiro semestre, no Hemisfério Sul, e a partir de agosto, no Hemisfério Norte.

“Tomamos essa decisão em diálogo com nossas associações parceiras e com os principais atores do setor. O desafio especial aqui foi que existe apenas uma “janela de feira” muito apertada aberta para a indústria do vinho, que foi reduzida pela situação insegura criada pelo coronavírus”, afirma Wienkamp.

No calendário dos pavilhões de Düsseldorf, seria possível realizar o evento em julho, informa Rico Azevedo, representante da Messe Düsseldorf no Brasil e diretor da ProWine São Paulo. “Mas a avaliação é que, nesta data, o público seria menor”, diz ele.

Ainda não há cálculos oficiais de qual o prejuízo para o setor com o cancelamento da ProWein e nem com a retração que está sendo gerada pela propagação do coronavírus. Com profissionalismo e foco nos negócios, o evento é visto como o principal motor do setor. Seus organizadores não divulgam dados de faturamento ou de negócios fechados com a realização do evento, que vai para a sua 25ª edição.

“O nosso diferencial é o número de expositores e visitantes qualificados e o fato de a feira ser voltada, apenas, para profissionais. Não há turistas, estudantes ou consumidor final tirando a atenção dos expositores”, afirma Azevero.

Na edição de 2019, a ProWein contou com 6.900 expositores, de 65 países, e 61.500 visitantes, de 134 países, em uma área de 74 mil metros quadrados. Com três dias de duração, os visitantes costumam ir aos três dias de feira.

Das grandes feiras europeias, a Vinexpo Paris foi realizada no início de fevereiro, antes que o coronavírus invadisse a Europa. O evento também mostrou a preocupação de seus organizadores de focarem mais em negócios e não tanto no consumidor final.

A Vinitaly, importante principalmente para os vinhos italianos, também foi adiada, mas terá edição este ano. A sua nova data será entre 14 e 17 de junho, em Verona.

Das feiras organizadas pela Messe Düsseldorf, a ProWine Asia, que é realizada em Cingapura, foi adiada para os dias 13 a 16 de julho. A ProWine São Paulo está mantida para os dias 20 a 22 de outubro de 2020, e a ProWine Shanghai, para 10 a 12 de novembro também deste ano.

Depois de Cingapura, a próxima ProWine Asia será realizada em Hong Kong, entre 18 e 21 de maio de 2021 (há um rodízio anual entre as duas cidades como sede da ProWine Asia).

Azevedo conta que o cancelamento da ProWein gerou um novo interesse para a edição brasileira. “Expositores estão nos procurando, querendo investir este ano no Brasil já que não vão para a Alemanha”, diz.

Mas, segundo ele, a ideia da ProWine São Paulo é aumentar paulatinamente o número de expositores. “Não adianta crescer apenas os expositores, é preciso ir aumentando o interesse do público especializado pelo evento. E este crescimento ocorre ano após ano”, afirma o executivo.

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