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Punida pelo Facebook, startup da Stone diz que corre risco de falir se não voltar ao ar

A mLabs, da qual a Stone é sócia com uma fatia de 50%, foi punida pelo Facebook, que tirou do ar 332 mil páginas e 39 milhões de posts de seus clientes. A rede social de Mark Zuckerberg alega que startup estava “envolvida em coleta não autorizada de dados e de credenciais de usuários”

 

Plataforma da mLabs

Era por volta das 18 horas de quinta-feira, 10 de junho, quando todas as páginas do Facebook e do Instagram que usavam a ferramenta de mídia social da startup mLabs tiveram os seus posts ocultados. O aplicativo da empresa, que permite a publicação e agendamento de posts em diversas redes sociais, também foi desativado.

De uma hora para outra, 332 mil páginas do Facebook que usavam a ferramenta mLabs e 39 milhões posts sumiram. Pior: não são apenas conteúdos dos atuais clientes da startup, da qual a Stone é dona de 50%. Até os conteúdos de empresas e pessoas que já não utilizam a ferramenta saíram do ar.

Agora, a mLabs está em uma corrida para tentar entender o que aconteceu e para conseguir fazer com que os posts e o aplicativo voltem ao ar. Do contrário, a companhia diz que corre o risco de falir. “Podemos quebrar”, disse Rafael Kiso, fundador e CMO da mLabs, ao NeoFeed. “Fomos praticamente banidos do Facebook.”

De acordo com o empreendedor, a mLabs entrou em contato com a equipe local do Facebook, que informou que a decisão de punir a startup veio de fora.

A explicação foi que a startup está infringindo um dos termos do Facebook ao pedir login para fazer agendamento do Instagram Stories. Mas, diz Kiso, quem concede a permissão é o próprio usuário, em uma prática comum no mercado.

“A nossa surpresa é que tivemos essa penalidade sem diálogo e sem aviso”, afirma Kiso. “Foi uma decisão unilateral e arbitrária. O nosso apelo, agora, é que isso é uma injustiça com nossos clientes. Eles não têm nada a ver com isso.”

Procurado, o Facebok informou, por meio de nota, que “a mLabs estava envolvida em coleta não autorizada de dados e de credenciais de usuários, o que são violações dos termos de uso do Facebook e do Instagram.”

E acrescentou: “Suspendemos o acesso da mLabs aos nossos serviços e enviamos uma notificação extrajudicial a eles sobre o ocorrido.”

Atualmente, a mLabs conta com 80 mil clientes que administram 230 mil marcas. Eles pagam uma mensalidade que começa a partir de R$ 12,90 para usar a ferramenta que gerencia diversas redes sociais, como Facebook, Instagram, Twitter, Pinterest, LinkedIn, entre outras.

No momento, os clientes da mLabs conseguem usar a ferramenta da empresa para publicar conteúdos em outras redes sociais.

Kiso diz que busca um diálogo com o Facebook fora do Brasil, mas que, até agora, não conseguiu. Segundo ele, o presidente da Stone, Augusto Lins, já chegou a entrar em contato com o diretor-geral do Facebook no Brasil, Conrado Leister, para tentar estabelecer um canal de comunicação.

Uma alternativa à startup é se adaptar a uma API do próprio Facebook, lançada no início do ano, que não fornece todas as funcionalidades que a solução da mLabs fornecia aos seus clientes. “Estamos dispostos a usar a APIs deles desde que haja diálogo, o que não parecer ser o caso”. afirma Kiso.

Essa não é a primeira vez que a mLabs enfrenta problemas com o Facebook. Em 2019, a companhia foi bloqueada. Kiso diz que os post ficaram dois dias e meio fora do ar, mas o Facebook reconheceu o erro e tudo voltou ao normal.

A Stone investiu na mLabs, em maio do ano passado, dentro de sua estratégia de investir em empresas de software. Atualmente, um opção gratuita, com recursos mais limitados, é ofertada aos clientes da Stone.

Atualização: Por volta das 19h30, o Facebook informou que está restaurando as publicações afetadas. Por meio de nota, informou que as “marcas podem continuar a publicar conteúdo no Facebook e Instagram utilizando prestadores de serviços que usam tecnologias em conformidade com nossas políticas.”

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