Resultado da Mobly traz “spoiler” de um 2022 desafiador para a companhia

A empresa de móveis e artigos de decoração vem patinando na bolsa desde o IPO. E seus números no quarto trimestre de 2021 só reforçam a perspectiva de manutenção desse quadro difícil no decorrer do ano

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Mobly: empresa divulgou resultados financeiros de 2021 nesta quarta-feira, 30 de março

O cenário tem sido desafiador para algumas empresas que, durante o isolamento social, escalaram seus negócios com a explosão abrupta do e-commerce. Nesta seara, está a Mobly, varejista de móveis e artigos de decoração que abriu capital em fevereiro de 2021, justamente durante a pandemia.

Nesta quarta-feira, 30 de março, a empresa divulgou seus resultados financeiros referentes ao quarto trimestre e ao ano de 2021. E os números contidos no balanço sinalizam que 2022 não será um ano dos mais fáceis para a companhia.

A Mobly fechou o quarto trimestre de 2021 com aumento de 4,4% na receita líquida, para R$ 190,4 milhões. No ano, a alta foi de 19,6%, para R$ 721,4 milhões. O Ebitda ajustado ficou em R$ 1,8 milhão, contra um Ebitda ajustado negativo de R$ 6,4 milhões em 2020.

O crescimento mais tímido, principalmente no último trimestre, mostra que a Mobly vem sofrendo com um movimento de migração do consumo. O dinheiro dos consumidores deixou de ser concentrado em artigos para casa e passou a ser mais diversificado com o relaxamento das medidas de isolamento. Dados do IBGE apontam queda de 19,4% nas vendas de móveis durante o segundo semestre de 2021.

“A expectativa é de que a retração do mercado continue. A gente não vê uma mudança no curto prazo”, diz Victor Noda, CEO e cofundador da Mobly em entrevista ao NeoFeed. “Será um ano de ajuste da demanda e de retração do mercado como um todo. Somente no fim do ano podemos voltar ao consumo normal e esperado.”

Para Noda, a expectativa é de que o crescimento da Mobly volte a aparecer somente no segundo trimestre deste ano, já que o comparativo será com um período de reabertura do mercado, em 2021, a partir do avanço das campanhas de vacinação. “O primeiro trimestre será sem crescimento, até porque vai ser comparado com o mesmo período do ano passado em que tivemos um crescimento forte”, diz.

Em outros números, a varejista finalizou o último trimestre do ano passado com prejuízo líquido de R$ 16,6 milhões. Houve melhora em relação à perda de R$ 23,7 milhões no mesmo período de 2020.

Por outro lado, no acumulado do ano, o prejuízo mais do que dobrou. A companhia encerrou 2021 com uma perda de R$ 84,8 milhões na última linha do balanço, 110% a mais do que o que registrado um ano antes.

Victor Noda, cofundador e CEO da Mobly

Entre os motivos apontados pela empresa estão os custos de depreciação e amortização das novas lojas abertas no ano passado e do novo armazém de Cajamar (SP). Outro fator foi o pagamento de eventos não recorrentes como custos com a abertura de capital e o aumento do plano de opções de ações.

Ciente da migração do consumo com a reabertura do comércio, a inauguração de novas lojas é uma tentativa da Mobly de capturar o consumidor que agora já não está somente no ambiente online.

Cerca de 25% das vendas já têm origem em sua operação física, composta por 14 lojas. Com a perspectiva de ampliar essa rede, a projeção é de que esse percentual suba para 40% até 2024. Pelo menos seis operações serão abertas ainda nesse ano.

Em outra aposta para reverter esse quadro, a Mobly entende que a redução dos custos logísticos, já observada em 2021, a partir da expansão do serviço próprio de entregas e a abertura de novos centros de distribuição, impacte positivamente seus indicadores. A empresa também espera que as marcas próprias (Keva, Lex Gamer e Guldi) sigam crescendo.

A exemplo de outras empresas de e-commerce que abriram capital no ano passado, como Enjoei e Westwing, a Mobly viu o valor de suas ações despencar desde a sua abertura de capital. De lá para cá, os papéis da companhia acumulam uma desvalorização de quase 75%, fazendo com que a avaliação de mercado da empresa derretesse para pouco mais de R$ 567 milhões.

“Ninguém gosta de estar com as ações baixas. Por outro lado, a gente não tem controle. Podemos garantir a execução da estratégia e o crescimento da empresa”, diz Noda. “Essa é uma brincadeira de longo prazo. E, no longo prazo, as ações tendem a voltar ao valor que elas realmente valem. É preciso ter paciência.”

Até por conta desse cenário, as aquisições estão fora dos planos no curto prazo. Apesar de afirmar que está atento ao mercado, Noda disse não fazer sentido realizar uma compra com troca de ações com o patamar atual dos papéis da Mobly. Um negócio envolvendo o pagamento em dinheiro também não está nos planos. “Nosso foco está voltado para dentro de casa”, afirma o executivo.

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