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Softbank volta ao lucro, mas Masayoshi Son avisa que ainda opera no “modo crise”

Empresa tem ganhos de US$ 12 bilhões, graças à venda de ativos, como uma grande fatia da empresa que surgiu da fusão da Sprint com a T-Mobile. Apesar do desempenho, o recado do fundador e CEO, Masayoshi Son, foi o de que vai seguir jogando na defesa

 

Masayoshi Son, fundador e CEO do Softbank

Depois de uma perda histórica de US$ 13 bilhões em seu ano fiscal encerrado em março, o Softbank divulgou um lucro de US$ 12 bilhões no trimestre que vai de abril a junho.

Mas o resultado não foi motivo de comemoração para Masayoshi Son, o fundador e CEO do grupo que está por trás do Vision Fund, maior fundo de venture capital do mundo com US$ 100 bilhões.

Durante a apresentação dos resultados, nesta terça-feira, 11 de agosto, o empresário disse que o Softbank vai permanecer no “modo crise” e que manter o caixa é o seu foco. “Vamos continuar jogando na defesa até superarmos a crise do coronavírus”, afirmou Son.

Os resultados sugerem que o plano de recuperação do Softbank está funcionando. Mas a um preço alto. O Softbank reduziu suas ambições de investimento e colocou grande parte de alguns de seus ativos à venda.

Entre eles estão as participações na gigante chinesa de comércio eletrônico Alibaba, na unidade de telefonia móvel japonesa Softbank e na T-Mobile.

O objetivo de Son é financiar cerca de US$ 47 bilhões em recompras de ações e dívidas, bem como manter caixa extra. O Softbank disse que vendeu US$ 41 bilhões desses ativos a partir de 3 de agosto.

Os resultados positivos deste trimestre foram conquistados com a ajuda da venda parcial da fatia do Softbank na nova empresa que surgiu a partir da união das empresas de telefonia Sprint e T-Mobile, nos Estados Unidos.

A Sprint, que era controlada pelo Softbank, foi comprada pela T-Mobile em abril deste ano. No negócio, o Softbank recebeu ações pela fusão das companhias, mas vendeu aproximadamente dois terços desses papéis.

Son também admitiu que pode vender uma fatia da desenvolvedora de design de chips Arm, comprada por US$ 32 bilhões em 2016. A empresa negocia um acordo com a americana Nvidia, segundo fontes citadas pela jornal britânico Financial Times (FT).

O fundador do Softbank também acrescentou que outra opção é uma abertura do capital da Arm, mas que isso só aconteceria por volta de 2023.

O Vision Fund, que tinha divulgado perdas de US$ 18 bilhões no trimestre anterior, obteve um lucro de US$ 2,8 bilhões. Esse desempenho foi graças à Uber e à Slack, cujas ações subiram 11% e 16%, respectivamente, nos meses de abril a junho.

O fundo bilionário de tecnologia do Softbank também se beneficiou do mercado aquecido de IPOs nos Estados Unidos. O seu investimento de US$ 300 milhões na companhia que desenvolve drogas oncológicas Relay Therapeutics agora está avaliado em US$ 1 bilhão, após a abertura de capital em julho.

Dos 86 investimentos do Vision Fund, o valor de 29 deles aumentou, enquanto 48 se reduziram. No total, o Vision Fund contabiliza US$ 2 bilhões de ganhos brutos acumulados desde o seu lançamento, em maio de 2017.

“É um bom trimestre que tira muita pressão, mas isso ainda não prova nada”, afirmou Kirk Boodry, analista de tecnologia da corretora Redex Holdings, ao FT. Ele acrescentou que é muito cedo para ser otimista sobre a recuperação do Softbank, especialmente à luz da incerteza criada pelos crescentes atritos entre EUA e China.

Durante o anúncio de resultados, o Softbank também informou que está criando um fundo de US$ 555 milhões, cujos recursos virão de Son para investir na Amazon, na Apple, no Facebook e em outras gigantes de tecnologia.

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