Uma terceira via surgiu… No mercado de bebidas

Com a união de cinco marcas de bebida e um aporte de R$ 25 milhões de investidores como os fundadores da Zee.Dog, a Better Drinks projeta receita bilionária em cinco anos

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Felipe Della Negra é cofundador e CEO da nova companhia

É justo dizer que é preciso de uma boa dose de coragem para se aventurar em empreender no mercado brasileiro de bebidas alcoólicas. Principalmente se o objetivo não for apenas criar uma única marca, mas competir contra conglomerados multinacionais bilionários e que dominam as gôndolas de supermercados.

Mas há espaço para novos entrantes, desde que com inovação. Essa é a percepção dos executivos Felipe Della Negra e Felipe Szpigel, cofundadores da Better Drinks, novo grupo de marcas de bebidas que estreia nesta terça-feira, 1º de fevereiro, a sua operação no mercado brasileiro.

“O mercado nacional hoje está dividido entre empresas que não têm uma escala mínima para crescer e passar a arrebentação e gigantes que vêm administrando suas posições de liderança. Queremos ser uma terceira via. Tem uma demanda latente no setor e quem fizer um bom trabalho vai conseguir crescer”, diz Della Negra, cofundador e CEO da Better Drinks.

O grupo já nasce com cinco marcas no portfólio: Baer-Mate (chás), F!VE (drinks prontos) Mamba (água), Praya (cerveja premium) e Vivant (vinho em lata). As marcas foram escolhidas a dedo pelos empreendedores e levam em consideração, principalmente, o segmento em que atuam. “A escolha partiu das categorias que hoje lideram o setor de bebidas”, diz Della Negra.

Della Negra e Szpigel partiram para a criação do grupo Better Drinks em um acordo que transforma os fundadores de cada marca escolhida em acionistas da holding. Somadas, as vendas das empresas alcançaram R$ 50 milhões em 2021. A meta – bem audaciosa – é dobrar o faturamento neste ano e atingir R$ 1 bilhão em 2026.

Para atingir esses números, a Better Drinks montou um planejamento para expandir verticalmente o negócio. Em vez de comprar mais marcas para turbinar o portfólio, o plano é levar os produtos que a companhia já trabalha para outras regiões do território nacional.

Por enquanto, a operação de vendas ainda está mais concentrada no Sudeste, mas já há presença em quase todos os Estados do Brasil. Ao todo são mais de 5 mil pontos de venda físicos – a maior parte em grandes redes varejistas. “Estamos com uma ou duas marcas em alguns Estados e tem um trabalho grande a ser feito para chegar com todo o portfólio”, diz Della Negra.

Felipe Szpigel é um dos fundadores da Better Drinks

No setor de bebidas, a distribuição é, em muitos casos, a alma do negócio. Não à toa, a Ambev se tornou uma gigante. Para ganhar escala, portanto, a Better Drinks precisará expandir sua abrangência. Além da geografia, a companhia pretende entrar em varejistas de médio e pequeno portes.

Além disso, o grupo também vai intensificar sua operação digital investindo na modernização ou na criação dos canais virtuais de vendas de cada marca e na chegada dos produtos também a aplicativos como o Rappi e o da rival Ambev, Zé Delivery, por exemplo.

Para cumprir essa agenda, a companhia já nasce com uma injeção de capital de R$ 25 milhões. O aporte foi liderado por Della Negra e Szpiegel e conta com a participação de investidores-anjo como Thadeu Diz, Felipe Diz e Ricardo Monteiro, fundadores da Zee.Dog; Fernando Gringberg, Mario Gorski, Ricardo Garrido e Sergio Camargo do CiaTC, grupo que é dono da rede de bares Pirajá, de pizzaria Braz, entre outros.

“Queremos capturar todo o potencial de distribuição e fechar as lacunas, além de investir na construção de uma marca forte”, diz Szpigel, que é cofundador da F!VE e antes disso trabalhou por mais de 20 anos na Anheuser-Busch InBev, a AB InBev.

O mercado de bebidas alcoólicas no Brasil passou por uma transformação nos últimos anos. Depois do gim se tornar o destilado queridinho dos brasileiros, bebidas prontas, cervejas premium e até vinho em lata parecem despertar cada vez mais o interesse dos consumidores.

O vinho, aliás, é visto como uma dessas bebidas do futuro. A pandemia acelerou as vendas. Em 2020, recorde absoluto com mais de 500 milhões de litros vendidos. No ano passado foram 489,4 milhões de litros comercializados. Apesar da queda de 2%, houve alta 27,4% em relação a 2019, segundo dados da consultoria Ideal Consulting.

Tanto é que a Ambev, que é dona de mais de 60% do mercado cervejeiro tradicional, lançou em agosto do ano passado uma nova divisão de negócios chamada de “Future Beverages and Beyond Beer” (bebidas do futuro além da cerveja, na tradução). Como o nome já dá a entender, a intenção é investir em outras bebidas.

Nesta seara estão os vinhos em lata Somm e Blasfêmia, além do engarrafado Dante Robino. A companhia também já aposta em bebidas mistas como a Beats (antiga Skol Beats) e os hard seltzers Mike’s e Isla.

Outros concorrentes também não estão parados. A Coca-Cola, por exemplo, aposta no hard-seltzer Topo Chico para o mercado brasileiro e recentemente informou que vai transformar a Simply Lemonade, limonada em lata vendida em alguns mercados fora do Brasil, numa bebida alcoólica com uma versão alternativa.

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