Vitrine tech: Latitud cria “marketplace” de startups na América Latina

Batizada de Latitud Launch, a nova ferramenta é um espaço para que startups de tecnologia da região apresentem seus produtos e estabeleçam conexões com potenciais clientes e investidores

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A nova plataforma está no ar desde o fim de outubro

Era uma sexta-feira quando o americano Brian Requarth, fundador do site VivaReal, postou um tuíte perguntando aos seus seguidores o motivo de não existir algo semelhante à Product Hunt, rede americana de lançamento e descoberta de produtos de startups, centrado na América Latina.

Três dias depois, quando foi checar seus e-mails, ele encontrou mais do que uma resposta a esse questionamento. Uma das mensagens trazia uma plataforma pronta para colocar em prática tal proposta. O autor? Jeff Orr, empreendedor que participou de um dos programas da Latitud.

Com a proposta de apoiar empreendedores latino-americanos, a Latitud foi criada há um ano por Requarth, a brasileira Gina Gotthilf, que liderou a expansão internacional do aplicativo de idiomas Duolingo, e o russo Yuri Danilchenko, ex-CTO da Escale, startup de forças de vendas para terceiros. E agora está avançando em seu plano com a nova plataforma.

“Ele criou o projeto em um fim de semana, o que é uma loucura. Isso mostra o poder da comunidade que estamos criando na Latitud”, diz Requarth, ao NeoFeed. “Então, todos nós conversamos e decidimos seguir com a plataforma.”

No ar desde o fim de outubro, a ferramenta, uma espécie de marketplace de startups da América Latina, leva o nome de Latitud Launch e abre espaço para que empreendedores e startups da região apresentem seus produtos a toda comunidade da Latitud, incluindo clientes, profissionais de tecnologia e investidores em potencial.

“Uma das nossas grandes metas na Latitud é democratizar o que hoje está limitado a quem já tem um networking, estudou em tal escola ou está em um determinado grupo de WhatsApp”, afirma Gina. “A plataforma tira um pouco dessa barreira e permite que qualquer um tenha acesso a esse deal flow.”

Sob essa ótica, a plataforma é aberta a qualquer empresa ou empreendedor, com uma única condição: o produto em questão deve ter base tecnológica. Embora não revelem números consolidados, Requarth e Gina destacam que a ferramenta já conta com centenas de produtos e milhares de usuários.

O cadastro traz informações como uma descrição do produto, imagens e dados sobre a startup ou empreendedor por trás do projeto. Os usuários, por sua vez, podem fazer comentários e interagir com essas pessoas ou empresas, além de votar nos projetos que acharem mais interessantes.

Brian Requarth, cofundador da Latitud

Os produtos mais votados ganham evidência na plataforma. Mas a Latitud adota práticas como a atualização constante da lista para evitar eventuais distorções, oferecer oportunidades iguais a todos e dar maior dinâmica e equilíbrio ao processo.

“Lançar um produto e conseguir audiência são alguns dos grandes obstáculos, especialmente para quem está começando”, observa Gina. Requarth acrescenta: “Nosso foco é ser um destino para quem está lançando e para quem quer descobrir um produto e, eventualmente, o próximo grande negócio.”

Levando-se em conta os participantes dos programas de apoio da Latitud, essa comunidade inclui 550 empreendedores e cerca de 350 startups. As empresas que já passaram por essas iniciativas, batizadas de Latitud Fellowship, já captaram mais de US$ 100 milhões em aportes. A própria Latitud tem um fundo que investe em algumas iniciativas, em rodadas pré-seed money.

Na outra ponta, a Latitud conta com o apoio de nomes como David Vélez, fundador e CEO do Nubank; Sergio Furio, fundador e CEO da Creditas; Geraldo Thomaz, cofundador da VTEX; Fabrice Grinda, cofundador da OLX e do fundo FJ Labs; e Alex Szapiro, sócio e head de Brasil do Softbank Latin America, entre outros.

Professor do Insper, Marcelo Nakagawa diz que, com iniciativas como a plataforma de descoberta de produtos, a Latitud está cobrindo uma grande lacuna, dado que, até o momento, não havia nenhuma iniciativa nesses moldes com foco na América Latina.

“Antigamente, esse era um espaço ocupado pela Endeavor e, tecnicamente, o Sebrae poderia fazer algo semelhante”, afirma. “Mas o fato é que esse modelo da Latitud é mais democrático e, ao mesmo tempo, abre a possibilidade de conexão com mentores, clientes e investidores de muito calibre.”

Gina Gotthilf, cofundadora da Latitud

Fundada em abril deste ano, a equatoriana Innvox já começa a enxergar os benefícios dessa comunidade. Dona de um software baseado em inteligência artificial para treinar equipes de vendas, a startup cadastrou seu produto na plataforma depois de participar de um dos programas da Latitud.

“Estávamos começando quando fomos aceitos no programa e não tínhamos nem mesmo um produto”, diz Rodrigo Witt, cofundador e CEO da Innvox. “O Latitud Fellowship permitiu acelerar esse processo e a Latitud Launch nos deu exposição no mercado.”

Witt ressalta outros benefícios já percebidos com a plataforma. “Ela nos abriu portas para conversar com possíveis investidores e clientes”, afirma. “E, ao mesmo tempo, é ótimo ver o que outras pessoas da comunidade pensam sobre a empresa o nosso produto.”

Segundo Requarth, o burburinho e os elos firmados a partir dos projetos encampados pela Latitud encontram eco no interesse crescente dos investidores pelas startups da América Latina. Incluindo nesse pacote, investidores-anjo e fundos de venture capital do Vale do Silício.

“Hoje, os olhos estão voltados para a América Latina e, o Brasil, como maior economia da região, está no centro desse interesse”, afirma. “Toda semana, mais de um investidor me procura pedindo contatos e orientação sobre como navegar nesse ecossistema. Eles estão descobrindo esse mercado.”

Na outra ponta, Gina ressalta que essa descoberta da América Latina é também um caminho a ser seguido pelas próprias startups da região. “Muitas dessas empresas fazem sucesso em seus países e vão para o Vale do Silício, onde a competição é muito mais difícil”, observa ela.

Gina ainda acrescenta: “Em contrapartida, outros mercados da América Latina são muito mais parecidos e oferecem mais oportunidades de crescimento”, diz. “E muitos dos problemas que essas startups estão resolvendo se relacionam com outros países em desenvolvimento, o que abre um mercado potencial muito maior.”

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