Hotel ou galeria? A Vik Retreats, do casal Alex e Carrie Vik, aumenta sua “coleção”

A Vik Retreats, grupo do casal Alex e Carrie Vik, é dona de três hotéis no Uruguai e um Chile. Todos repletos de obras de arte. A “coleção” agora conta com uma nova “peça”, que fica na Galleria Vittorio Emanuele II, em Milão, a mais antiga da Itália

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Obra do uruguaio Fernando López Lage, no quarto 511, no Galleria Vik Milano

Dormir em um hotel dedicado à arte em plena Galleria Vittorio Emanuele II, em Milão, a mais antiga galeria comercial ainda ativa da Itália, construída entre 1865 e 1877. Admirar as telas contemporâneas da uruguaia Vicky Barrangue pelos corredores e os afrescos do italiano Alex Folla no lobby.

Mais: cada um dos 89 quatros conta com uma instalação artística, como a do uruguaio Fernando López Lage, cujos obras coloridas cobrem as paredes do quarto 511, e da japonesa Tomoko Nagao, com sua pop art à mostra no quarto 219.

É assim a experiência no Galleria Vik Milano, a mais nova joia hoteleira do casal Alex e Carrie Vik, donos do Vik Retreats, um grupo hoteleiro que tem hotéis que se confundem com uma galeria de arte. Inaugurado pouco antes do início da pandemia, em novembro de 2019, a Galleria Vik Milano abriu e fechou diversas vezes no período de picos da Covid-19 na Itália e reabriu em março deste ano.

“O casal mora em Mônaco e, como amante da arte e do design, vai muito para Milão. Conheceu um hoteleiro que tinha uma propriedade dentro da galeria e não gostava do negócio como era”, diz o CEO do Vik Retreats, o argentino Max Broquen, ao NeoFeed. “Foi uma oportunidade para levar o conceito que tinha na América do Sul para a Europa.”

O hotel ocupa o antigo TownHouse Galleria e foi remodelado nos mínimos detalhes pelo arquiteto uruguaio Marcelo Daglio. Com diárias a partir de 400 euros por casal, cada quarto foi planejado para ser como uma mini-galeria voltada a um artista – maioria de italianos, mas há também nomes internacionais.

Entre os artistas com obras no hotel estão a argentina Nina Surel, os italianos Davide Nido, Elena Monzo e Anna Muzi, e o noruguês Sverre Bjertnaes. “Temos uma mistura de artistas já conhecidos e em evolução, todos excelentes”, diz Broquen.

De muitas das janelas e do restaurante principal, o V, no mezanino, a vista é para as fachadas douradas da histórica galeria. Alex e Carrie Vik participaram de tudo: da escolha dos móveis à curadoria de artistas.

O casal se conheceu no final da década de 1970 em um pequeno encontro de amigos em Harvard, onde Alex cursava o segundo ano de Economia. Carrie, por sua vez, estudava Sociologia na vizinha Tufts University. Desde os primeiros anos de casamento compartilharam da paixão pela arte e o design.

O casal Alex e Carrie Vik, donos do Vik Retreats

Ele, norueguês, de mãe uruguaia. Ela, americana. Ávidos colecionadores e apaixonados pela arte, eles fizeram de sua paixão um negócio ao fundar há 13 anos o grupo Vik Retreats, que reúne mais três hotéis no Uruguai e um hotel-vinícola no Chile. Todos repletos de obras de arte.

Empresário arrojado, Alex fez fortuna comprando e vendendo ações de empresas de alta tecnologia e de seguros. Ao lado da mulher, trabalhou também no ramo imobiliário comprando e vendendo propriedades em Nova York.

Quando chegavam as férias de inverno, faziam as malas rumo à América do Sul. “Alex sempre quis ter um lugar na América do Sul para passar as férias e comprou uma casa na Barra, em Punta del Este, no Uruguai, terra de sua mãe”, conta o CEO, que está na empresa desde o princípio. “Em uma dessas viagens, ele foi visitar os campos uruguaios e se apaixonou.”

Logo adquiriu uma área de planícies e pastagens em José Ignacio, a 33 km do centro de Punta del Este. “Cheguei ao Uruguai em junho de 2008 com a estância em construção e lembro que transformamos o que seria um projeto pessoal em um hotel”, afirma Broquen.

A Estância Vik possui estrutura colonial espanhola também do arquiteto uruguaio Marcelo Daglio e obras de importantes artistas contemporâneos uruguaios pelos ambientes e nas 12 suítes.

Na sala central, o forro de 300 metros quadrados é decorado com uma pintura de autoria de Clever Lara, inspirada em imagens da região geradas por Google Earth. Na área da parrilha, pinturas grafitadas de Marcelo Legrand.

Não demorou para o casal investir em um segundo “retreat”. Desta vez na praia, a 12 km da estância. “Lembro que Alex me disse que adorava José Ignacio porque era o único lugar do mundo com uma combinação perfeita de praia e campo, St Tropez e Wyoming.”

Em dezembro de 2010 abria o Playa Vik, com três suítes e seis casas e cujo prédio principal escultural foi projetado por Carlos Ott, o arquiteto que ficou famoso pelo projeto da nova Ópera da Bastilha, em Paris. Pelos ambientes, peças de artistas uruguaios e internacionais como James Turrell, Zaha Hadid e Pablo Atchugarry.

Àquela altura, o vilarejo de José Ignacio caía na graça dos viajantes de todo o mundo como “a Côte d’Azur dos Trópicos”. Em 2014, veio o Bahia Vik, maior projeto hoteleiro dos Vik na América do Sul, em meio às dunas da Praia Mansa, com 49 quartos. “Trabalhamos no Uruguai com mais de 50 artistas“, diz Broquen.

E, além da arte, a experiência Vik tem como destaque os vinhos produzidos e engarrafados nas vinhas próprias da família em Millahue, no Chile, a duas horas ao sul de Santiago.

“Alex contratou uma equipe de enólogos, geólogos e engenheiros e começou a fazer diversos estudos em terras na Argentina, no Uruguai e no Chile”, afirma Broquen. Encontrou em Millahue, no Vale de Cachapoal, o terroir perfeito, comprou 4.400 hectares e iniciou em 2006 o plantio das primeiras uvas.

Banheiro da suíte H, inpsirada na grife Hermès

Viña Vik tem design arrojado criado pelo chileno Smiljan Radic e produz um vinho branco, um rosé e três tintos, entre os quais o premium VIK, com características semelhantes aos grandes de Bordeaux. Naturalmente teria de vir ali um hotel. “Em 2013 viajei para lá e começamos a pensar em um projeto de um retreat”, lembra Broquen.

Aberto no final de 2014, Vik Chile conta com 22 quartos cujo tema é a arte. Um deles é a Suite H, na qual o pintor chileno Ricardo Yrarrázaval faz referências à moda da grife Hermès. Na sala de estar, impressionam pinturas do também chileno Roberto Matta e uma obra da icônica série “A Vida Secreta das Plantas” do alemão Anselm Kiefer.

Quatro anos depois, em 2018, a expansão foi batizada de Puro Vik, com sete bangalôs de vidro e vista de 360 graus para os vinhedos.

Se há planos de novos hotéis? Com a gradual reabertura de fronteiras e a retomada das viagens, os Vik voltam a pensar nos projetos. “Estamos retomando a ideia de iniciar parcerias para a administração de hotéis. Temos visto algumas propriedades na Argentina, nos Estados Unidos e no Brasil, no norte de Maceió.”

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