Símbolo da era fitness, Muscle Beach, na Califórnia, reabre com toque brasileiro

Imã de fortões como Arnold Schwarzenegger, atração a céu aberto ganhou equipamentos da companhia carioca Mude, que acaba de receber aporte de R$ 25 milhões da gestora HS Investimentos

0
135
Leia em 5 min

Fechada ao público desde 2018 por falta de conservação, a academia em Venice Beach foi repaginada com equipamentos da Mude

Do Pan-Americano de Jiu-jitsu de 1996, que disputou com 21 anos, o carioca Marcus Moraes, então faixa roxa, voltou com a medalha de bronze. Voltou também com uma ideia que mudou sua vida. Teve ela ao visitar, entre uma luta e outra – o torneio transcorre em Los Angeles, na Califórnia –, a célebre academia a céu aberto de Venice Beach. 

Trata-se da Muscle Beach, que virou ímã de fortões conhecidos como Arnold Schwarzenegger, além de uma infinidade de anônimos – no estado, essa praia só é mais visitada que a Disney local. Moraes adorou a proposta e a atmosfera da academia praiana. Só torceu o nariz para os equipamentos. “Estavam bem enferrujados”, diz ele, hoje com 47 anos. Também pudera: eram os mesmos utilizados por academias “indoor”.  

De volta ao Brasil, o carioca se empenhou para tirar sua ideia do papel: desenvolver equipamentos do tipo capazes de resistir às intempéries. Formado em engenharia de produção, ele resolveu produzi-los com aço inoxidável, material que não se dobra à ferrugem. Em 2002, fundou a companhia Mobiliários Urbanos Desportivos, a Mude, sediada em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio de Janeiro. 

A empresa notabilizou-se por instalar estações de treinamento, sempre de aço inoxidável, dentro de parques e na beira de ciclovias e praias – você certamente já se deparou com uma delas. Brilhoso, o polimento adotado reflete a luz solar e diminui a absorção de calor, além de dar uma impressão higiênica.

Mais de 600 estações de treinamento já foram montadas no Brasil. Quase um terço delas se encontram na capital paulistana. As demais estão espalhadas por Curitiba, Florianópolis, Balneário Camboriú, Brasília, Goiânia, Recife, Fernando de Noronha e Rio de Janeiro. 

Por vinte anos, Moraes ergueu a Mude sozinho, sem investimentos. Mas, em janeiro deste ano, a HS Investimentos injetou R$ 25 milhões no negócio, no primeiro aporte institucional da empresa. “Ele é altamente escalável pois propõe um novo modelo de venda de mídia num contexto em que os formatos tradicionais estão perdendo força”, diz Alex Seibel, sócio-fundador do fundo, que já apostou em empresas como Loggi, Elleve e Mercado Bitcoin. “Mas também nos atraímos pelo propósito da Mude, de promover saúde e bem-estar”. 

Agora, a Mude está chegando à Muscle Beach, que estava fechada ao público desde 2018 por falta de conservação. Na última segunda-feira (14), a academia reabriu totalmente repaginada com equipamentos da empresa brasileira, que custaram US$ 180 mil – a reforma toda, que sofreu um longo atraso em razão da pandemia, saiu por US$ 500 mil. A companhia foi contratada por meio da Los Angeles Parks Foundation, a entidade que administra as áreas públicas de lazer da região.

Marcus Moraes, o fundador da Mude

A ironia é que a academia de Venice Beach poderia ter ganhado equipamentos que não enferrujam há muito mais tempo. “Depois que montei a Mude, fiz umas dez viagens para Los Angeles”, afirma Moraes. “E sempre deixei um cartão de visita com algum funcionário da Muscle Beach, que ficou de entregá-lo para algum superior”. Mais de 20 anos depois daquele torneio de Jiu-jitsu, o carioca recebeu a tão esperada ligação.  

Ecossistema de saúde e mídia

Para tirar a primeira estação de treinamento do papel, em 1998, quando a companhia sequer existia, Moraes precisou vender o próprio carro. “Meus pais ficaram indignados de ver o filho engenheiro apostando no mundo fitness”, lembra o empreendedor.

A empreitada de número 1, já com porte de academia, ficava em Ipanema e durou apenas oito meses. Focava apenas em musculação. Hoje as maiores também apostam em outras atividades como yoga, meditação, futevôlei e slackline – as estações menores são aquelas que só permitem alongamentos e exercícios como barra.  

No final deste mês, a empresa pretende inaugurar mais uma estação em Florianópolis, na Avenida Beira Mar Norte. Em abril, entra em operação a do Parque das Bicicletas, em Moema, em São Paulo; no mês seguinte, a do Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, em Brasília.  

Em 2019, a companhia lançou um aplicativo homônimo para facilitar o agendamento das aulas promovidas em suas estações – na que fica perto do Estádio do Engenhão, por exemplo, as sessões de muay thai são as mais concorridas.  

Quando veio a pandemia, o aplicativo também passou a oferecer aulas gravadas, para ajudar quem quer manter a forma sem sair de casa, além de sessões ao vivo, mais interativas. Gratuita, a novidade já tem cerca de 300 mil usuários.  

A estação mais robusta do portfólio, uma portentosa academia, encontra-se no Parque Villa Lobos, em São Paulo. E tem patrocínio da Unimed. 

Explica-se: com acesso gratuito, toda estação é fruto de uma concessão pública. Em troca do valor que desembolsa, a Mude ganha sinal verde para faturar com a venda de publicidade no local. Mais de 20 empresas já firmaram parcerias com ela, entre as quais Amazon, Google, Vivo, Natura e Santander. 

“Transformamos a companhia num ecossistema que promove saúde e também vende mídia”, resume o fundador. Os equipamentos, atualmente, são produzidos numa fábrica-escola em Bonsucesso em parceria com a faculdade Unisuam. 

Graças aos patrocinadores-anunciantes, que não passavam de cinco em 2019, o faturamento passou de R$ 13 milhões, nesse ano, para R$ 19 milhões em 2021. Para 2022, a expectativa é chegar aos R$ 35 milhões.  

Leia também

Brand Stories