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Insiders

A SmileDirectClub pode voltar a sorrir (e os investidores também)

A SmileDirectClub era uma das grandes decepções dos investidores. Agora, com o fim de sua parceria com a Align Technology, a startup voltou a sorrir de orelha a orelha

 

Fundada em 2014, empresa vale hoje US$ 5 bilhões

Quem ri por último, ri melhor: em 31 de dezembro de 2019, chegou ao fim a parceria entre a Align Technology e a SmileDirectClub, que agora está  oficialmente liberada para vender seus produtos em consultórios odontológicos.

A notícia fez as ações da empresa, considerado o pior IPO de 2019, dispararem mais de 50% desde o começo do ano, atingindo o valor de US$ 12,88 no pregão desta sexta-feira, 17 de janeiro.

Os papéis ainda estão longe do preço de abertura de capital na Nasdaq, a bolsa eletrônica dos Estados Unidos. Quando fez seu IPO, em setembro de 2019, eles estrearam valendo US$ 23, mas fecharam o primeiro dia de negociação cotados a US$ 16,33, uma desvalorização de 29%.

Com o fim da parceria com a Align Technology, a SmileDirectClub pode voltar a sorrir, assim como os seus investidores. Explica-se: as duas empresas firmaram um acordo de comercialização de placas ortodônticas transparentes em 2016. Um ano antes, a Align Technology havia acionado judicialmente a SmileDirectClub por, segundo os autos, infringir suas patentes para placas dentárias transparentes. 

Na negociação, ficou estabelecido que a Align Technology seria a fornecedora exclusiva das placas transparentes comercializadas pela SmileDirectClub, mas, em troca, proibiu a parceira de vender seus serviços via dentistas, deixando a ela apenas o modelo de venda direta para o consumidor final.

Com essa única alternativa, a empresa, fundada em 2014 por Alex Fenkell e Jordan Katzman, dois jovens de então 25 anos de idade, abocanhou mais de 750 mil clientes. O tratamento proposto pela companhia seguia até agora um modelo bastante particular.

Nele, os usuários tinham de optar entre comparecer a uma SmileShop, geralmente localizada dentro de uma unidade da CVS, ou receber em casa, por US$ 9, um kit especial para fazer um molde 3D de sua arcada dentária.

Uma vez pronto, esse material é encaminhado para um dentista licenciado, contratado pela SmileDirectClub. O profissional é responsável pela jornada de cada paciente, estabelecendo o número de moldes e o tempo de tratamento – que varia, geralmente, entre 5 e 10 meses.

O usuário recebe em casa um pacote contendo todos os moldes e instruções de uso e, a cada 90 dias, o dentista a cargo do seu “sorriso” acompanha o progresso do tratamento – tudo pela internet, usando o próprio site do SmileDirectClub.

Todo esse trâmite pode ser pago em uma única parcela de US$ 1.895 ou 24 parcelas de US$ 85 – mais um depósito de segurança de US$ 250. A cifra, mesmo com os juros embutidos, ainda é 60% mais barata que outras alternativas de alinhadores dentários.

Independência ou sorte?

Agora, para expandir ainda mais seu mercado e fazer sorrir seus investidores, a SmileDirectClub vai aproveitar sua recente “independência” da Align Technology para produzir in loco as próprias placas ortodônticas. O centro de distribuição da empresa, localizado na cidade de Antioch, em Tennessee, já está equipado para dar início às produções do aparelho. 

Uma nova fábrica em Kyle, perto de Austin, no Texas, também está no plano da companhia, que vai investir US$ 37 milhões na unidade, e atrair 850 novos postos de trabalho para a região. A SmileDirectClub está se preparando para um forte aumento da demanda puxada pela nova possibilidade de comercialização via consultório dentário.

“Há mais de 200 mil dentistas e ortodontistas licenciados nos Estados Unidos, mas apenas 30% deles oferecem alinhadores transparentes. Estamos ansiosos para abrir essa oportunidade junto a profissionais que, como a gente, queira oferecer um serviço premium, mas por valores acessíveis”, disse em comunicado Jeffrey Sulitzer, Chief Clinical Officer do SmileDirectClub.

Além de aumentar as possibilidades de monetização com a entrada neste novo formato de venda, a empresa também é beneficiada com a aproximação junto à comunidade odontológica. Dentistas de diferentes partes do país foram ativamente críticos quanto ao modelo de negócio da companhia, alegando não ser seguro (e legal) a venda de aparelhos sem a supervisão de um profissional.  

Ainda não está claro se o valor do serviço vai sofrer flutuação neste formato e nem se problemas estéticos mais complexos serão contemplados pela empresa.

Wall Street mostra os dentes

Os investidores, que agora ostentam um sorriso de orelha a orelha, estão começando a ver um horizonte mais azul no caminho da SmileDirectClub.

A startup, que foi considerado o pior IPO dos Estados Unidos em 2019, viu o fundo do poço em 18 de novembro, quando as ações fecharam o pregão cotadas a US$ 8,04.

O papel manteve-se neste patamar até o começo de janeiro, quando saltou para US$ 10. Por trás dessa valorização está o anúncio de que a SmileDirectClub fechou parceria com a rede Walmart, que também passa a vender alguns de seus produtos. 

A SmileDirectClub hoje avaliada em aproximadamente US$ 5 bilhões. Em seu último relatório, divulgado em novembro de 2019, declarou receita trimestral de US$ 180,2 milhões. Isso representou um aumento de US$ 60,5 milhões em comparação ao mesmo período do ano anterior.  

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